domingo, 20 de julho de 2008

Tendências...

Não sou eu a inventar certos termos. Por isto, nada melhor do que utilizar expressões como ''coisificação do ser humano''- o ser humano como objeto- entre aspas. Até aí, sem novidades. A graça da coisa, o seu interesse para nós, começa quando- paralelamente a esta tendência da época- começamos a observar, aqui e ali, outras tendências igualmente fortes. Vamos a elas. Uma novidade é a ''personificação de objetos''. Comerciais de automóveis são peritos nisto. Um deles mostra como ''ele'' ( o carro, ora bolas! )''voltou diferente das últimas férias''. ''Ele''- o veículo 4 X 4 último tipo- é mostrado atraindo diversos tipos de metal, como se fosse um imã. E, como se fosse uma pessoa e não uma coisa, surge ''de repente'' nos mais diversos lugares...Conheço gente que batizou o ''possante'' com nome de personalidades. Mulheres que batizaram seus veículos como ''Brad Pitt''. Faz sentido, encarado de modo diverso. Um homem montar sua ''Angelina'' e sair por aí, nesta atividade prazerosa que é conduzir um automóvel ( à exceção da cidade de São Paulo e arredores, claro...). Com todo o respeito à bela e talentosíssima atriz norte-americana...A Sociedade do Espetáculo nos infantiliza a todos. Todos queremos parecer jovens. Tudo é uma gigantesca BRINCADEIRA, se olharmos estas tendências exóticas atuais por um prisma mais isento. Enfim, voltando às tendências- o objetivo deste post- outra muito forte é a da ''personificação de animais''. Quando criança eu também quis ter o meu cachorrinho. A reação de minha mãe foi tão forte, e com tantos argumentos enfáticos contrários, que eu desenvolvi um TRAUMA de cachorros. Bastava passar um, por menor que seja, e eu saía em desabalada carreira- um ''convite'' para que os animaizinhos também corressem no mesmo sentido...Hoje já não tenho medo de ''auaus'', mas tampouco desenvolvi um apego especial aos mesmos. Talvez por causa de tantas corridas...Mas não sei se é apropriado chamar este ENORME grupo de apreciadores de cachorros de ''confraria''. Este termo é mais apropriado para os poucos e fiéis apreciadores dos caros vinhos...Cachorros, ao contrário, estão por toda a parte, e já gozam, no mínimo, de um ''status'' equivalente ao dos humanos. Juro que ainda não vi alguém fazer tanta festa com um bebê humano quanto fazem com um totó...Alguns donos, mais empolgados, costumam conversar e ''ralhar'' com seus ''filhinhos''. Talvez a própria ''chatice'' do ser humano atual, já apontada em outro post, explique esta IMENSA popularidade dos cães. Os argumentos, inevitáveis, são: ''eles são amorosos'', ''fiéis'', não dão ''trabalho''. Vejam como um admirador de cachorros é quase sempre, e pelas mesmas razões, um detrator da espécie humana...Infelizmente o ''status'' dos bebês humanos, tão abundantes neste e em outros países de Terceiro Mundo, não está no mesmo nível. Outro dia, em Brasília, um cara quase foi linchado por maltratar um...CACHORRO...Seria a reação tão grande se fosse com uma criança? A popularidade dos animais já é tão grande que surgiu um forte mercado de serviços para cães. ''Hotéis'', ''spas'', shopping centers- como o Pátio Higienópolis aqui em Sampa- que tem até bebedouros especiais para os bichinhos...Porém, mesmo com toda esta popularidade dos nossos irmãos caninos, outro dia me surpreendi com mais este espaço que eles conquistaram. Em plena LIVRARIA CULTURA, do Conjunto Nacional, uma mulher transitava tranqüilamente com seu totó...E não era um cãozinho qualquer: era BEM grande...Seremos interrompidos, futuramente, ao olharmos para os nossos livros tão queridos- e pelos motivos pelos quais alguns preferem os cachorros...- por LATIDOS em pleno ''Templo do Saber''? Talvez este seja um forte argumento para adquirir logo um Ipod, este verdadeiro ''espanta-chatos'' e, agora, uivos e latidos animais...PS: No ritmo em que estamos- e aí vai uma tendência que mereceria um texto inteiro- logo se tornarão populares aquelas viseiras com quem iremos interagir pelas ruas do mundo, mergulhando de vez no mundo ''virtual'' enquanto o ''físico'' dá mostras de esgotamento...Toda esta popularidade dos cães não é casual. O homem moderno, ilhado, torna-se cada vez mais ''chato'' e ''inconveniente'' para os outros. O chamado virtual, aqui, entra como uma tentativa de fuga ainda mais perfeita que as outras( cinema e TV)...E aqui, como fecho, lanço a pergunta: sobre o que iremos falar, no meio virtual, quando finalmente atingirmos a ''meta'' de nos isolarmos- através de Ipods, coleiras virtuais, muros de arame farpado, veículos blindados, cães ferozes, etc. - de todo mundo???

sábado, 19 de julho de 2008

A escrita como alternativa á morte

No post anterior, falamos ''en passant'' sobre o suicídio do poeta russo Maiakovski. O suicídio, em nossa concepção, é um gesto incompleto. Morrer, de fato, seria nunca ter existido, ou conseguir apagar todos os sinais de nossa presença neste planeta- missão quase impossível...Ao escrever vamos aqui e ali - mesmo em meio à dor e à morte que fazem parte da dita ''realidade''- deixando rastros. Ou seja, é o oposto da morte completa. Da morte ''ideal'' que nenhum suicida poderá jamais alcançar. Ao escrever lidamos cotidianamente com morte e vida, brincamos com as duas, e ficamos deliberadamente com a segunda...A escrita é a prova material, concreta, da viabilidade da existência, uma prova tão fática quanto o que vamos descrevendo, os objetos de nossa paixão: a cidade grande, onde nos encontramos por ora, é lugar de dor, morte, medo, solidão. Assim parece, para muitos, assim estes a vivem. Porém, mesmo em doses homeopáticas, quase imperceptíveis, ela também é plena de vida. O sol nasce e se põe todos os dias, o verde- quando o encontramos- é um enorme prazer, habitamos um pequeno universo onde o raro e o belo nunca faltam ,e sempre dizem :''presente!''. Enquanto pudermos observar, com quaisquer de nossos sentidos, haverá vida e escrita, inseparáveis uma e outra. O blog, como as demais manifestações ''artísticas'', é perpetuação. A ''anti-morte''. O ''anti-suicídio''. Megalomania. Egocentrismo. Vida que segue...

A Blusa Amarela de Maiakovski

Está lá, na recém-publicada biografia do ''Poeta da Revolução''( Editora Record, Autor: Aleksandr Mikhailov): ''Eram duas- uma amarela e outra com listras pretas e amarelas. E dizem que Maiakovski ficava muito elegante quando as vestia. Mas dificilmente as blusas lhe garantiam elegância. A idéia surgiu por causa da pobreza(...)A elegância é um dom, assim como a voz, por exemplo, ou o ouvido musical(...)Sobre como veio ao mundo a blusa amarela, contou Aleksandra Alekseievna, pois foi a receptora da encomenda. - Pela manhã Volodia trouxe a baetilha. Fiquei muito admirada com a sua cor, perguntei para que era e já me havia negado a costurar. Mas Volodia insistia: 'Mãe, eu farei esta blusa de qualquer forma. Preciso dela para a apresentaçáo de hoje. Se não a fizer, vou pedir ao alfaiate. Mas não tenho dinheiro. Preciso procurar o dinheiro e o alfaiate. Não posso ir de camisa preta! Os porteiros não me deixarão entrar. Se eu estiver com essa blusa, ficarão perplexos e eu entrarei. Preciso me apresentar hoje'. Assim surgiu a primeira blusa. Custou 1 rublo e 20 copeques: 6 metros de baetilha amarela, 20 copeques o metro. A segunda blusa, também de baetilha, com largas listras amarelas e pretas. E a elegância? Maiakovski, mesmo de andrajos, teria aparência de aristocrata. Na sociedade ''cortesã'', a blusa amarela foi recebida como algo semelhante a um farrapo vermelho para o touro na arena. Era um desafio. De menino. Ah, aquela blusa amarela quase se transformou em emblema do futurismo, quantos absurdos foram escritos sobre isso nos jornais das capitais e das províncias daquela época! A ninguém ocorreu que na ''blusa amarela a alma estava escondida da vistoria''. Ninguém, quase ninguém notou o sinal do infortúnio interior trágico já nos primeiros poemas e principalmente na tragédia Vladimir Maiakovski, do poeta de 19 anos''(páginas 95/96). E não é que o propósito deste ''post''- para variar- é outro, e a blusa amarela de Maiakovski entra apenas como exemplo do que vamos discutir aqui? Não, não irei falar mais da vida do grande poeta russo. Fico apenas com o episódio da blusa amarela. Os interessados que busquem na obra já citada mais informações sobre a vida do imortal artista. Importa-nos a sensacional visão de alguém que queria ter uma ''marca pessoal'' em uma época e lugar onde nem se vislumbrava o que é ''marketing'' ou ''relações públicas''. E conseguiu, por todos os meios- inclusive pelo uso da blusa amarela- à sua disposição, conquistar o seu lugar naquela sociedade. A blusa amarela de Maiakovski surge-nos como o infinito potencial que cada pessoa tem neste planeta, com os meios que possuir, de deixar a sua MARCA. De reinventar-se. De criar. A blusa amarela, tal a força desta imagem ainda hoje, fica como o símbolo daquela trajetória, daquela vida. Quem foi Maiakovski, perguntariam? Foi o cara da blusa amarela, aquela que os agentes czaristas disseram que barrariam ''de qualquer modo'' em um determinado evento, e ele conseguiu entrar e brandiu a sua blusa amarela para uma platéia eufórica...Mesmo o suicídio do poeta está ligado a esta simples blusa amarela: como poderia um poeta inovador e original conformar-se com a cinzenta e padronizada sociedade stalinista pós-revolução de outubro? Com a sua ''arte oficial'', e o ridículo ''realismo socialista''? Não conformou-se. E a blusa amarela ainda hoje- não importa a cor, e sim o gesto- permanece como um símbolo de luta e um estímulo para que façamos a maior de todas as revoluções: a nossa revolução interior. Basta um pequeno gesto, como Maiakovski demonstrou...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

E o inverno? Cadê o inverno???

Só cheguei a sentir um pouco de frio nos primeiros dias deste ''inverno''. Mas nada que, de longe, justificasse as pesadas roupas de inverno que lotam diversas lojas...Frio, de verdade, para mim, faria com temperaturas próximas de 10 graus, para começar. Porém, só lembro de 2 dias que corresponderam a estas características. O resto, como na última semana, foi uma sucessão de dias secos e ensolarados. ''Belos dias'', para a maioria. ''Bah!'', replico. Depende do gosto de cada um. Para mim, não está bom...Frio não faz nos shoppings, com seus condicionadores de ar desligados( vide post anterior...). Também não há frio nas ruas, com temperaturas entre 23 e 25 graus. Não sinto frio sequer aqui dentro de casa, onde já precisei outrora usar meias específicas para baixas temperaturas...Enquanto as lojas já estão em promoção- com roupas de LÃ ?!!!( onde usá-las???) espero em vão por uma frente fria qualquer que venha lá do Sul e nos tire desta monotonia. Nada feito: segundo a TV, os gaúchos estão passando este ''inverno'' ensolarado nos parques, usando trajes sumários para enfrentar o calor...Só nos resta sonhar com o Uruguai, a Argentina ou, na hipótese mais extrema, com a cidade da Patagônia que foi apropriadamente apelidada de ''fim do mundo''...O frio nos escapa...

''Curinga'' em ação...

Quem é ele? Um pássaro, um avião? Lembra o Euller- o ''filho do vento''- o Cafú dos velhos tempos, o Cicinho como lateral direito do São Paulo. Porém, ao contrário dos jogadores acima citados, todos muito velozes e bem preparados fisicamente, ele não é jogador de uma posição só. Meia? Lateral Direito? Centro-avante? Ponta Direita? Éder Luís, jogador recém-adquirido pelo tricolor paulista, é o jogador dos sonhos de qualquer treinador. Muricy Ramalho que o diga. Tal como no ano passado, o São Paulo continua jogando fechadinho, nos contra-ataques. Fica, como um lutador de boxe, literalmente ''nas cordas'', esperando os adversários. Leva inúmeros pequenos golpes ( ou ataques )mas não cai. Então, em mais uma prova de que o futebol não é ''justiça'' mas sim tática, ele desfere uma cacetada mortal que surpreende a outra equipe. Isto- este futebol ''de resultados'', que não ''enche os olhos'' da torcida mas é extremamente eficaz- foi o suficiente para conquistar o título brasileiro ano passado. Mais do que os badalados Hernanes e Richarlyson, bons jogadores mas limitados, Éder Luís é completo. Bate bem com as duas pernas. Joga onde o treinador mandar. Veloz como um puma à caça de suas presas, é a cara de um São Paulo que jogou ontem à noite sem centro-avante, sem o ''grandalhão'' que fica lá na frente e é a referência de quase todos os times do futebol brasileiro. A polivalência do tricolor paulista manifestou-se nos gols: Hugo, meia, de cabeça. Dagoberto, outro meia, e, enfim, o próprio Éder, partindo do meio de campo e driblando toda a defesa do Vitória, coroando uma atuação impecável. O São Paulo joga ''mineiramente'', ao estilo Muricy, ''comendo pelas beiradas''. Não é ''sorte''- como nada é sorte na vida- é trabalho duro e competência. Felizmente os europeus ainda não ''descobriram'' o super-jogador que é Éder Luís...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Oásis paulistano...

Um dos hábitos mais legais dos catarinenses, além de uma extrema cortesia das pessoas comuns para com turistas em geral, é o de, nas casas que preparam caldo de cana ou sucos, deixar sempre um ''chorinho''. Uma sobra no vasilhame, que permite que repitamos a dose. O catarinense mostra, neste pequeno gesto, o quanto é generoso. Em São Paulo, regra geral, o suco vem na medida exata do copo. Alguns atendentes de casas de suco e padarias chegam mesmo a tomar a sobra na nossa frente...Porém, como toda regra tem exceção, conheço uma casa de sucos, em plena Avenida Paulista, e a preços módicos, que nos presenteia com generosos ''chorinhos''. Por isto, a cada caminhada que faço este lugar, aparentemente sem maiores atrações e com um ambiente comum, acaba sendo um de meus ''points'' favoritos. Só não fica perto do mar, mas nem tudo é perfeito. Hoje, no meio da tarde, fazia sol. E algumas pessoas- algumas no final do expediente, e outras ''fazendo hora'' entre um compromisso e outro- estavam sentadas nas mesas de um pequeno bar, espalhadas sobre a calçada e sob o calor do sol. Esta é a verdadeira ''praia do paulistano''...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Cena inesquecível, no shopping

Como todo bom paulistano, neste sábado eu fui para a nossa ''praia'' para passear: o shopping. Entre cafés, livraria e muitas lojas, acabei escolhendo entrar em uma loja de departamentos. Após muito tempo- e não só neste dia- sem achar uma mísera peça que me agradasse, encontrei uma calça interessante. Decidi prová-la. No provador, enquanto estava experimentando a peça, ouvi uma voz de criança bem próxima: ''Papai, papai, eu te amo!''. O pai parecia estar provando também alguma roupa, e também falava ao celular, mas replicou ''eu também, minha filha''. A menininha continuou repetindo o ''papai, papai, eu te amo!'', eu terminei de experimentar a minha calça e saí. Enquanto olhava para o restante da loja, e procurava um caixa, vi um casal perto de mim com uma menina de seus 4/5 anos feliz e saltitante. Parecia ser a que proferira aquelas belas e inesquecíveis palavras, que desanuviaram todo um ambiente normalmente ''carregado''. Embora sérios, concentrados, os pais não ralhavam com ela, nem diziam os inevitáveis ''não faça isto, não pode fazer aquilo''. E a bela vozinha da menina continuava ecoando na minha cabeça. Fez com que eu passasse a olhar TUDO ao redor com outros olhos. Em outro caixa, um pai segurava um bebê que chorava enquanto o irmãozinho mais velho, com camisa de time europeu, agitava-se e brincava. As palavras daquela menina ainda ecoavam, enquanto eu via o restante do shopping. Entrei em outras lojas, tomei um suco perto dos cinemas. Logo após, ao voltar para casa, acho que o efeito se perdeu, um pouco. O motorista de táxi veio com aquela velha conversa fiada do ''esfriou, né?''. Eu repliquei com um seco ''não acho''. Lá fora estava fazendo meros 18 graus, eu de bermuda e camiseta de manga curta, muito longe de sentir qualquer espécie de ''frio''. O bem-estar que as palavras da menininha provocaram em mim já estava bem para trás...Vejam só como são tênues as nossas mudanças de humor...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Suas séries favoritas, em boxes de DVD- uma onda positiva

Primeiro uma reclamação. A série ''Frasier'', uma de minhas prediletas, teve apenas as 3 temporadas iniciais lançadas em DVD no Brasil. Depois, ''esqueceram'' de lançar o resto, em um desrespeito aos apreciadores do programa. A Livraria Cultura tem para vender a SEXTA temporada, em uma versão norte-americana- sem legendas...Inconcebível também é nunca terem lançado por aqui a MELHOR série de todos os tempos: ''Além da Imaginação'' ( Twilight Zone). Lembro-me quando um canal de TV a Cabo- o extinto ''USA'' da NET- exibiu um sábado inteiro de Maratona desta série, com os episódios mais fantásticos e maravilhosos já vistos por mim. Depois disto, mais nada. Como sempre, certas unidades da Cultura tem a primeira temporada para vender. Infelizmente, são versões exclusivamente em inglês, sem legendas...Não estou fazendo propaganda de livrarias. Eu ESPERO, ao contrário, que finalmente lancem- nesta ''onda revival'' de lançamentos de boxes de séries antigas- as duas já citadas acima. Os consumidores estão frenéticos, em função de tantos lançamentos. Para aqueles que, como eu, começaram a assistir ''Lost'' na Quarta Temporada, é irresistível ver todas aquelas caixinhas com as Temporadas 1, 2 e 3...Também comecei a ver ''24 Horas'' pelo meio, e comprei os boxes iniciais para ''atualizar-me'' com o mundo de Jack Bauer...Também, haja grana para comprar tudo. ''A Feiticeira'' já está na quarta ou quinta temporada, e eu ainda não comprei nenhuma. ''Jeannie'' está, creio, na quarta, e eu só tenho a primeira. Em compensação, tenho todas as caixas de ''Star Trek''( Jornada nas Estrelas), ''Lost in Space''( Perdidos no Espaço), ''Kung Fu''. Não pensem que, pelas séries citadas na frase anterior eu seja meramente um saudosista. Já citei neste blog várias séries atuais de minha preferência: ''Criminal Minds'', ''CSI Miami e New York'', ''Smallville'', entre outras. Mas meu sonho de consumo, aquilo que pode- virtualmente- vir a satisfazer-me por ''completo'' neste mundo de tantas novidades a cada dia- é adquirir, no Brasil, as caixas de ''Além da Imaginação'', ''Viagem ao Fundo do Mar'', ''Túnel do Tempo''( uma temporada apenas...sniff...)e ''Terra de Gigantes''. É, no fundo eu sou mesmo um saudosista...

A ''onda das dublagens''

Salvo séries antigas como Jornada nas Estrelas, Perdidos no Espaço, Dallas, Jeannie, A Feiticeira, considero absolutamente abominável ser submetido a dublagens. Infelizmente, é o que acontece cada vez mais na TV a Cabo. O canal Fox, por exemplo, que exibia séries como ''Nip/Tuck'' e ''24 horas'' no original, mudou-as para versões dubladas repentinamente, sem consultar seus espectadores. Deve espelhar-se em canais como o tal de ''Telecine Pipoca'', que exibe filmes iguaizinhos às versões que passam nas tevês abertas...Com ''grande sucesso de público'', informa-se...Não por acaso esta onda de dublagens( lembremos que os norte-americanos em sua maioria- que horror!- também só suportam as versões dubladas em inglês. Imaginem! Um filme francês dublado em inglês!!! Hollywood, em conseqüência, produz versões adaptadas de filmes bem sucedidos em outros países...)vem em um momento de declínio do hábito de leitura. Diversos filmes, e não só aqueles para crianças muito pequenas, já são exibidos em versões dubladas nos cinemas. Tudo para encanto de uma multidão preguiçosa, para a qual é ''difícil ficar lendo todas aquelas letrinhas passando em alta velocidade''...Infelizmente certos retrocessos mentais coletivos não tem cura. Ou tem? Talvez um pouco mais de leitura não fizesse mal...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Pesadelos...

Outro dia adormeci em frente á TV. Estava passando aquela novela com os mutantes, na Record. No meio da noite, sonhei que bichos estranhos estavam subindo as paredes do meu quarto, exatamente como aqueles besouros que perseguiam os personagens principais da estória. Estória esta que é exibida em pleno horário nobre, para crianças...Acordei assustado, e de volta para a realidade. PM's dão 15 tiros em um carro e matam uma criança no Rio. O São Paulo empata com o Ipatinga, no Morumbi. Começam as campanhas eleitorais nos Municípios de todo o país. Obama afirma que talvez não retire as tropas do Iraque no prazo que havia dado...De repente, ''surpreendentemente'', me deu uma vontade imensa de voltar para o mundo da fantasia. Já posso. O Sci-Fi Channell- canal especializado em filmes e séries de ficção científica- acaba de estrear na minha TV a Cabo. Volto para os sonhos. Espero que, desta vez, sem resquícios da ''realidade'' acima descrita, e sem bichos horripilantes escalando as paredes do meu quarto...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Remédio neles...

Primeiramente, o ''Estadão'' do dia fala sobre uma pesquisa que apontou que cerca de 8% da população mundial sofreria de uma síndrome batizada de ''fracassomania''. A psiquiatra responsável pela pesquisa apontou, para nosso alívio, que há tratamento para a dita ''síndrome''. Felizmente...Mas seriam só estes 8% os portadores da tal síndrome? Que tal incluir a torcida do Fluminense neste rol? E as do Botafogo e do Vasco, eternos vices? Acrescentemos os milhões de candidatos que são reprovados a cada concurso. Os sem-teto que já ocuparam profissões ''respeitáveis'' no nosso meio. A população inteira da África, boa parte da América Latina( a Argentina e a Venezuela, com certeza na frente...). Ah, não esqueçamos dos americanos que tiveram seus bens leiloados por conta da atual crise econômica, e daqueles que perderam seus empregos...E os europeus, eternamente apontados como ''reticentes'' em relação às regras de ''livre mercado''? Sobrariam, nesta macabra lista de ''fracassados crônicos''( da qual não escapa sequer o autor destas linhas), apenas os chineses. Mas nem todos os chineses. Os camponeses também sofrem desta síndrome. Assim como os operários que recebem uma mixaria para fabricar( alguns não recebem nada, pois estão no ''Gulag'' chinês...)os caros tênis e roupas de grife que nós usamos alegremente no Ocidente...Então, só escapariam de verdade os chineses capazes de adquirir as versões originais destes produtos. Não sobra muita gente...Além de remédios para a ''fracassomania'', leio outra nossa alvissareira. Os médicos estão preocupados com o elevadíssimo número de crianças que estão com os níveis de colesterol cada vez maiores. A solução? Remédio neles! Nenhuma palavra sobre as porcarias que estão consumindo, sob o rótulo de ''alimentos''. A bela mamãe oferece um gole de ''água'' para a criancinha em um lugar público. ''Toma mais um pouquinho de água, meu filho'', ela pede. A tal ''água'' leva o singelo nome de H2O, produto com nome de água que possui- pasmem!- adoçantes e conservantes. ..Diante de tudo isto, é de admirar que ainda se fale de remédios como soluções para quaisquer problemas. Os produtos que ingerimos, e cujas complicadas fórmulas dos rótulos não conseguimos entender, mais se assemelham a remédios. Com uma diferença: ao invés de curar, eles matam...Que o digam as CRIANÇAS com elevados níveis de COLESTEROL...

Desagradável...

Não é fácil falar das maiores mazelas do país utilizando a primeira pessoa, sem auto-excluir-nos: ''nós''. Normalmente, e é muito mais cômodo, usamos a terceira pessoa ao fazermos afirmações semelhantes. ''Os outros'' são mal-educados. ''Ninguém'' respeita as leis de trânsito. ''O brasileiro'' é irresponsável. ''As pessoas'' não sabem tratar umas ás outras. Versões na primeira pessoa do plural das mesmas frases sairiam como ''nós somos mal educados'', ''nós não respeitamos as leis de trânsito'', ''nós somos irresponsáveis'', ''nós não sabemos tratar uns aos outros'', ''nós somos lenientes com a corrupção'', e por aí afora, em um rosário infinito de auto-recriminações. Embora mais doloroso, o processo descrito acima é mais efetivo. Ensina-nos que as coisas começam e terminam em nós, e qualquer processo de mudança também parte da nossa pessoa. Nós nos compromissamos, porque somos responsáveis pelas coisas...Cite-me uma grande personalidade da história que não se julgava capaz de transformar as coisas iniciando por sua conduta...Claro que nós nascemos em um meio complexo, ''sui generis''. Pense em um meio de pessoas honestas, incorruptíveis. Qualquer proposta suspeita seria rechaçada ás claras, sem hesitação. Condutas desonestas, caso houvesse aceitação por parte de mais de uma pessoa, teriam de ser feitas por trás dos panos, às escuras, de modo que ninguém tomasse conhecimento. O honesto não tolera o corrupto, e vice-versa. Os dois não se misturam. Como água e azeite...Nós, infelizmente, não vivemos neste mundo de pessoas ''certinhas''. Não temos, ainda, noção do que é interesse público, e, aqui, a noção de uma conduta ''republicana''- impessoal, em prol única e exclusivamente da sociedade- não passa de um sonho...Cometemos, aqui e ali, cotidianamente, pequenos ''pecadilhos'', na ignorância de que todos os nossos gestos acabam se somando nisto- neste grande mar( de quê?)- que é o Brasil de hoje. ''Ah, a corrupção. Que absurdo! Alguém tem de combatê-la, não é verdade?'', brada a nossa metade pública. Enquanto isto, no plano particular, não julgamos que estacionar o nosso carro em fila dupla vai afetar o trânsito, e ainda reclamamos e tentamos dar um ''cafezinho'' para o guarda que, justamente, ameaça multar-nos...Ficar na fila é para os ''trouxas''. ''Bebida e direção não combinam'', repete-se o tempo todo, ''mas eu vou tomar só uma''...O nosso meio não é corrupto. Os corruptos, os grandes corruptos, estes são facilmente identificáveis. Infelizmente, alguns ocupam posições públicas graças ao nosso voto. Ou do voto dos outros, aquelas ''bestas que não sabem votar''. Em quem foi que o senhor/senhora votou mesmo nas últimas eleições? ''Ah, eu não me lembro. Políticos são todos iguais mesmo...''. O que seria INSUPORTÁVEL em um meio de pessoas ''certinhas'', bem-educadas, honestas, torna-se suportável, tem aceitação neste meio frouxo em que vivemos. Não somos corruptos, em nossa grande maioria, repito. Mas não sabemos exigir os nossos direitos. Já que a mania agora é se espelhar nos outros, no que as chamadas ''personalidades'' fazem, maus exemplos é que não faltam. Suportamos, alguém nos suporta, ''é insuportável'', bradamos enquanto tomamos a nossa oitava dose de uísque de uma noite- metafórica- que parece estar só começando. Depois, pegaremos o nosso ''possante'' para voltar para casa. ''Lei Seca''? Isto é para os ''outros''...Aviso: o autor desta crônica, embora falando na primeira pessoa, costuma caminhar pela cidade em que felizmente mora, ou utilizar o transporte público. Os exemplos dados foram meramente ficticios...

O melhor da chamada ''Lei Seca''

O mais importante não é a possibilidade de prisão dos infratores. Mesmo porque é quase consenso que o sistema prisional brasileiro está falido. De nada serviria inchar as nossas cadeias e presídios com milhares de novos infratores da Lei. Sem contar o fato de que os processos são lentos, e o réu conta com tantas regalias que logo está de volta ao convívio social...O melhor é ser esta nova medida baseada, em boa parte, em instrumentos de punição civil. Suspensão da carteira de motorista por 1 ano( achamos que há casos em que a suspensão deveria ser maior...), pagamento de multa de quase mil reais. Veja quanto susto a possibilidade de aplicação destas medidas ''draconianas'' causou...Muito mais do que milhões de apelos publicitários e campanhas educativas...Podemos vislumbrar, idealmente, um sistema de punições semelhantes. Ao contrário do sistema penal- lento, repleto de garantias em contrapartida à possível hipótese de encarceramento, sem possibilidade de transação entre autor da infração e vítima- as punições pecuniárias deveriam ser céleres, com poucos recursos e limitados às estritas hipóteses legais, incidindo em especial sobre os bens dos infratores. Imaginem alguém privado de seu automóvel( ó, quanta maldade!)para pagar honorários advocatícios e os danos causados às vítimas de sua imprudência no trânsito... Imaginemos penas semelhantes aplicadas às inúmeras pequenas infrações cometidas pelos brasileiros no dia-a-dia, tendo um efeito educativo disciplinador muito maior do que milhões de encarceramentos...A grande diferença que temos em relação aos povos do Primeiro Mundo é a parte educacional. Lá, as pessoas sabem que tem uma responsabilidade para com o coletivo. E que, se cometerem desvios, serão duramente punidas por isto. Por enquanto, aqui, se discute se a nova Lei ''vai pegar ou não vai pegar''. A hesitação que temos em relação a uma simples Lei não é uma mera diferença. Representa um Universo de distância do que é minimamente aceitável como comportamento...Leis não curam DESVIOS DE CARÁTER, sabemos. Já possuímos todas as Leis necessárias para transformar este país em um paraíso terrestre. O que não temos são as pessoas habilitadas para fazê-las respeitar, aplicar, e os que se submetam a elas voluntariamente, sem reclamar...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Público X Privado

Por motivos que não vem ao caso, procurei a companhia aérea com 6 horas de antecedência para o meu vôo. ''Lamentavelmente'', eles me informaram, ''como a sua passagem foi comprada na promoção, não podemos antecipar o seu vôo''. Um atendente chegou a me indicar uma loja da mesma companhia aérea. Imaginei que, certamente, teria de desembolsar uma diferença. Tudo bem. Exceto ter de passar 6 horas no Aeroporto de uma outra cidade que não aquela onde eu vivo. ''Só'' que a diferença que eu deveria pagar para embarcar em um outro vôo era MAIOR do que aquela paga pela passagem original...! ''Política da companhia'', informaram-me as atendentes como quem cita a Bíblia...Optei, claro, por passar as sofridas 6 horas no Aeroporto. Detalhe: o vôo que antecedia o meu estava meio vazio...A companhia aérea que (des)tratou-me desta forma auto-intitula-se ''Linhas Aéreas Inteligentes''...Uma vez perguntaram-me qual seria a melhor empresa de celulares do Brasil. Na época eu sequer possuía um. Mas, pelas leituras de jornal, informei que ''tanto faz. Todas elas são campeãs de reclamações nos Procons''. Tudo isto me faz perguntar como é que empresas particulares que são notórias por tratar mal seus consumidores podem subsistir. Que ''milagre'' é este, no Brasil, que premia os caros e ineficientes? Trata-se de uma forma ''sui generis'' de economia de ''livre mercado'' que fez a transição do sistema estatal para um duopólio/oligopólio comandado por poucas empresas que não tem diferenças entre si. No livre mercado real, uma empresa é punida por destratar um consumidor. Punida com perda de mercado, e de lucro. Não aqui. Neste país, os consumidores insatisfeitos de uma vão parar alegremente nos braços de outra que tem prática semelhantes. E isto ocorre em diversos setores estratégicos: telefonia, TV a Cabo, companhias aéreas. Trocamos as Teles por lojinhas de venda de celulares que levam meia-hora ou mais para atender um consumidor que procura por um acessório. Detalhe: não havia fila...Você pega a senha, e fica esperando eles atenderem os consumidores que estão na frente. E o tempo vai passando: 10 minutos. Nada. 15 minutos, nada. Meia hora, nada. Até que percamos a paciência, e deixemos a loja. Assim como perdemos a paciência com ''call centers'' como o de certa empresa de TV a Cabo, notório por deixar seus usuários esperando mais de 15 minutos ouvindo aquela barulhenta e irritante musiquinha( além da lembrança de que ''nossos atendentes estão ocupados no momento...''). A privatização significou um avanço considerável, no que se refere aos preços pagos e equipamentos utilizados. Porém, no que diz respeito ao atendimento ao consumidor, NADA- NADA MESMO- mudou...Talvez este seja mais um problema ''cultural''       ( de falta de cultura, leia-se) deste país...Saímos da Estatização, mas não fomos parar em um sistema de Livre Mercado. Onde estamos? Talvez na ilha de Lost...Ou não, já que no episódio final da temporada a ilha mudou de lugar...

se beber, não dirija...

Assim mesmo, com minúsculas, pareciam aqueles apelos soltos ao final dos inúmeros comerciais de bebida na TV: eram simples pedidos. Agora, quando temos uma Lei regulando o assunto, a conversa é outra. De pedido transformou-se em comando. SE BEBER, NÃO DIRIJA. Eis um claro comando, acompanhado de uma sanção que, para muitos, é ''dura demais''. Nada disto seria necessário se o Brasil não tivesse se transformado, nos últimos anos, em um paraíso para ''bebuns'' e fabricantes de bebida. Uma combinação letal quando somada a veículos velozes e possantes, vistos por seus proprietários como extensões de suas casas. Eles( nós todos, não é mesmo?)ficaram muito indignados por esta cassação do ''direito'' de fazerem o que bem quiser em seus automóveis. Custe o que custar. Infelizmente, a disseminação de carros importados deu-nos a sensação de segurança. O carro fica todo arrebentado após a manobra imprudente que, não raras vezes, também custa vidas( ''alheias''). E, como que por ''milagre'', seu condutor- o mesmo que, sob efeito de álcool, arrebentou o carro contra o muro da casa de um terceiro, por pouco não causando maiores prejuízos a uma família que tranqüilamente jantava em seu lar àquela hora- sai de dentro do automóvel com um ar triunfante, mesmo que ainda possa apenas cambalear e murmurar frases desconexas sob o efeito de todo o álcool que passa por entre suas veias. ''Escapei'', ele pensa. ''O crime compensa''. Antes todos estes imprudentes sentissem em suas próprias peles o custo de uma manobra mal feita. Assim eram os acidentes de antigamente. Órgãos perdidos, movimentos perdidos. A eterna lembrança de um momento infeliz, em que a arrogância- aqui sim um termo apropriado- era punida com o choque e a volta à realidade...Como tudo na vida, a ignorância tem um preço. O preço que teremos de pagar por milhões de motoristas que transformaram as ruas deste país em um verdadeiro faroeste, onde ninguém sabe mais se voltará ileso para casa após uma noite de farra, é até pequeno. A BEBIDA NÃO FOI PROIBIDA...Proibido foi dirigir após beber. Isto significa que podemos beber e encher a cara o quanto quisermos, mesmo em público. Basta que tomemos algumas singelas medidas: alguém do grupo não bebe, e conduz os demais. Ou o ''bebum'', ao invés de pegar o próprio carro como era comum antes do advento da nova Lei, terá de lembrar-se que pode pegar um táxi ou mesmo, como já começa a ser feito por diversos estabelecimentos, um funcionário ficará encarregado de dirigir o veículo do bêbado até a residência dele...Um preço muito barato, convenhamos, para tantas asneiras cometidas no trânsito, com um custo altíssimo para o país...Enquanto estávamos voltando nossos olhares para o combate às ''drogas'' ( oficialmente vistas como tal )ou ao cigarro, esquecemos de travar combate contra um entorpecente que tem TRÂNSITO livre em todas as idades e esferas, e é muito mais perigoso que todas as outras drogas- uma vez que leva a comportamentos altamente imprevisíveis e letais em ambientes públicos: o álcool. Viramos, além de todas as desgraças que nos afetam cotidianamente, um país de bêbados. Todo mundo acha ''bonito'' beber, encher a cara até perder os sentidos, aprontar todas. A TV mostra, a cada momento, belos comerciais de cerveja com mulheres semi-nuas, tudo muito belo e atraente. Viramos um país de bêbados, mas bêbados de uma espécie muito mais perigosa: bêbados motorizados. É preciso contê-los. Temos de ser duros, aplicar sanções severas que possam intimidá-los e, caso não surtam efeito, retirar o seu direito de continuar matando e ferindo no meio social. Não fiquemos discutindo qual seria a dose ''razoável''. É ZERO a dosagem ideal. Emergências requerem normalmente medidas drásticas. Quantas vidas serão poupadas em virtude da nova Lei? Uma vez na vida sou obrigado a reconhecer que o Governo( logo de quem...)deu uma ''bola dentro''...PS: Não estou agindo aqui como acusador ''puro'', alguém que nunca cometeu estas odiadas condutas. Porém, em todas as poucas vezes em que ''enchi a cara''- na época de Faculdade- sempre lembrei de, a seguir, voltar dirigindo para casa DEVAGAR( a cerca de 50, 60 KM por hora). O ideal seria que todos nos portássemos deste modo. Mas o ideal não existe. Há que se lidar com regras, e não com exceções...

Da ''arrogância'' de Renato Gaúcho

Ainda catando os cacos da derrota de um dos maiores clubes do futebol brasileiro para uma equipe do Equador(???!), deparo com as tradicionais e fáceis explicações de vários comentaristas. Uma delas, que eles já estavam preparando quando uma fantástica multidão invadiu as Laranjeiras para acompanhar os treinos da equipe, é que houve ''já ganhou e oba-oba''. A outra é que o técnico do Fluminense, Renato Gaúcho, é um profissional ''arrogante'', e pecou por declarar que a equipe ''já era a campeã'' antes mesmo da partida final. Se Renato Gaúcho é arrogante ou não, não creio que o fato tenha sido decisivo nestas finais. Mesmo porque, no Brasil, há este péssimo costume de desqualificar os vencedores. Quem quer que se destaque em meio à mediocridade nacional é ''arrogante'', ''orgulhoso''. Assim também foi desqualificado o grande Romário, que nos deu a Copa de 1994. Nélson Piquet era desbocado e ''arrogante'', para muitos. Renato Gaúcho, pasmem, declarou a um jornalista( que, pelo visto, jamais o ''perdoou'' por isto)ter transado, antes mesmo de completar 20 anos, com pelo menos ''mil mulheres''. Quanta ''pretensão'', não é? Quanta ''arrogância''...Agora, na hora da derrota, os mesmos jornalistas que faziam festa ao vencedor relembram velhas estórias. Mas não somos adeptos desta tese. Renato, como todo vencedor, tem direito de falar o que quiser. Ele pode porque fez, porque foi campeão do mundo pelo Grêmio. Deu o título de 95 para o mesmo Fluminense, no último minuto, de barriga- feito que jamais foi igualado nestes anos todos. Renato Gaúcho, nestes momentos que antecederam a partida final, estava simplesmente tentando elevar o moral dos abatidos jogadores de sua equipe, que haviam sido goleados por 4 X 2 na altitude equatoriana. A equipe jogou bem, correspondeu ao que esperava sua torcida. Fez o resultado mínimo para levar o jogo para a prorrogação antes mesmo do esperado: aos 15 do segundo tempo. Aí, inexplicavelmente, o Flu ''travou''. Botou o pé no freio em uma hora decisiva. O ''ousado'' Renato Gaúcho agiu, na verdade, como um treinador veterano. Lembram-se dos gestos dele no Equador, tentando lembrar o juiz que o jogo ''já havia acabado''? Na hora em que o Fluminense, jogando em casa, só precisava de mais um gol para levar o título no tempo normal, Renato Gaúcho- o ''arrogante'' e ''ousado'' treinador- fez duas alterações conservadoras, que tiraram o ímpeto da equipe. Colocou Roger e Maurício, um zagueiro e um volante. Vejam bem: no banco ele tinha Somália, em recuperação, e o jovem Tartá, um jogador ofensivo. Poderia ter tirado o inoperante Washington, irreconhecível naquele jogo, e impulsionado o time ainda mais à frente em busca da vitória. Mas pareceu estar gostando daquele resultado, insuficiente para o título mas capaz de levar o jogo para a prorrogação. O Fluminense teve, a partir daquele momento, 30 minutos para fazer mais um gol no tempo normal. 3O minutos de prorrogação. Mas nem de longe era a mesma equipe. A LDU percebeu, e foi para cima. Fez até um gol legal, injustamente anulado. Renato não tem culpa pelo resultado na loteria dos pênaltis. Não dependia mais dele, e sim dos jogadores. Estes não tiveram cabeça para ser campeões. Mas Renato, sim, pode ser responsabilizado pelo incompreensível comportamento de uma equipe que, precisando ainda de mais um gol, nitidamente ''sentou em cima do resultado'' e encolheu após o ímpeto inicial que lhe havia dado os 3 X 1 tão ansiados. Se Renato é ''arrogante'' ou não- pode até ser- não me interessa. Como estrategista, naquela noite ele ''pisou na bola'' e, ao contrário do que muitos pensam, acabou sendo, de fato, tímido e conservador demais. Que isto sirva de lição para futuros embates. Talvez finalmente, e este é o maior trunfo do clube, o Fluminense tenha ''tomado gosto'' pelas grandes competições. E quem chega lá uma vez pode fazê-lo outras mais, sentindo finalmente o gosto da vitória. Que o exemplo do Grêmio e do São Paulo inspire o tricolor carioca nos próximos anos. O futebol brasileiro só tem a ganhar com este crescimento do Fluminense...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A ''Lei Seca'' está funcionando...

Enquanto as ''autoridades'' não chegam a um consenso sobre a melhor forma de aplicar o novo regulamento, os resultados são visíveis: muitas prisões e apreensões de carteiras em todo o país, diminuição de até 30% no movimento dos bares, aumento das corridas de táxi. Quando a coisa chega ao bolso, o brasileiro respeita...Só esperamos que a lei, como é comum neste país, não seja ''flexibilizada'' ou ''adaptada'' justamente no momento em que está dando certo...PS: Por que só aqui o teste do bafômetro forçado é ''inconstitucional''? Será que os demais países, que o aplicam compulsoriamente e tem penas de até 3 anos de cadeia para quem se recusar a fazê-lo, ''não respeitam os direitos individuais''? Não tem regimes democráticos, e constituições idem?

''Maracanazo''

A ida do Fluminense a Tóquio também parou em Washington...O grande artilheiro acabou revelando-se, ontem, como o ''bonde'' do jogo. Não protagonizou um lance de perigo, e ainda acabou perdendo o pênalti decisivo...Thiago Neves, este sim, foi a grande surpresa. Apesar de já ter protagonizado diversas partidas espetaculares, na hora das decisões este jogador simplesmente sumia. Foi assim nas partidas mais importantes do Carioca/2008. Mas ontem, como que por milagre, Thiago Neves ''comeu a bola''. Jogou por meio time, e fez 3 gols. Perdeu também um pênalti, é fato, mas seria demais exigir que o cara decidisse o jogo e ainda desequilibrasse na hora das penalidades...O Fluminense conseguiu ontem o mais difícil. Aos 15 do segundo tempo, já estava ganhando por 3 X 1. Faltava ''só'' um golzinho para conquistar o título, e ainda meia hora de jogo. Esperava-se que o time partisse com tudo para decidir logo mas, incompreensivelmente, a LDU é que tinha mais posse de bola. Não criava perigo, e nem queria isto: cansado, o time equatoriano continuava fazendo ''cera'' e esperando o tempo passar...Enquanto isto, Renato Gaúcho- que colocara Dodô para atender o pedido da torcida- fazia só alterações defensivas. Maurício, e depois Roger. O Fluminense, que jogou um belo segundo tempo no Equador, também parecia querer também que o tempo normal acabasse...O resultado foi uma meia hora final de jogo insuportável, e uma prorrogação ainda mais enfadonha. Teria partido ''de cima'' alguma ordem para que o time garantisse o resultado e fosse para os pênaltis? O time, inexplicavelmente, parece ter seguido o roteiro traçado pelo torcedor irmão de Pedro Bial antes do jogo: ''o Fluminense está ligado ao 3, à Santíssima Trindade, às 3 cores que traduzem tradição, e foi explicando o significado de cada uma...''. Ontem o Flu, inexplicavelmente, parou no 3. Fez 3 gols, e ficou por aí quando ainda havia muito tempo de jogo. E perdeu 3 pênaltis. Vai ser profético assim na pqp...Depois da ''onda tricolor'' das últimas semanas- é, o torcedor de todas as equipes costuma ''revelar-se'' quando time vai bem...- a nobre equipe carioca volta à realidade, e nela está ocupando, atualmente, a última posição do Campeonato Brasileiro...A história do Fluminense, repleta de glórias, ganhou ontem um elemento de tragédia. O título não estava ''escrito'', como gostava de dizer o grande Nélson Rodrigues. ''Escrito há 2 mil anos'', bravateava Nélson ao final dos jogos...Ontem seria mais adequado um Shakespeare para contar o que se passou...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Fato inédito: enviei uma TESOURA pelo correio!!!?

No meio de tantas mensagens, uma pouco usual. Segundo um amigo, situado a cerca de 1000 KM de distância, a quem costumo enviar envelopes cheios de recortes sobre a vida cultural paulistana, eu enviei semana passada um objeto meio estranho. Uma tesoura. E não é uma tesoura qualquer. É uma TESOURA DE ESTIMAÇÃO, com a qual, por anos, eu tenho recortado as mais diversas reportagens que reputo interessantes. As quais, posteriormente, costumo enviar pelo correio para alguns conhecidos. Agora sei porque o atendente do correio, que costuma apalpar a nossa correspondência para ver se não há nada estranho, perguntou se havia algo mais que papel naquele envelope. Eu, na minha inocência, em uma inocência que- agora sabemos- pode causar os maiores transtornos para nós e para os outros, respondi que não. ''Só tem papel''. Depois de passar pela apalpadela do atendente do correio, e por inúmeros controles e aparelhos de raio x- que, suponho, devem detectar de tudo, até mesmo o envio de armas ou drogas- sou surpreendido com a notícia do envio incólume de MINHA tesoura...A primeira reação foi de incredulidade. Corri para o lugar onde a mesma costuma ficar, e só vejo a ''outra'', a ''substituta'' meio de plástico e meio de metal, comprada por menos de 10 reais em um mercado qualquer, que não chega aos pés da original...Depois, ao pensar na idéia de ter enviado uma tesoura pelos correios, comecei a rir. Será que estou ficando gagá? Teria sido um ''acesso temporário de insanidade'', para usar os termos forenses? Mais uma risada, menos nervosa...Parece que terei de me acostumar à idéia de ficar sem a minha tesoura. Até agora estou rindo, ante o inusitado do fato, mas a realidade é que, neste momento, eu estou aqui, e a tesoura está lá- a 1000 KM de distância...''Choro'' e rio ao mesmo tempo. A vida nos apronta cada uma...PS: Isto eu não podia deixar de comentar aqui, pois se trata de um ''fato'' de minha vida real...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Que time será o ''cavalo paraguaio'' deste ano?

Minha ''bola de cristal'' está indicando que é o Flamengo. Nos últimos jogos, pegou Ipatinga e Sport ( tudo bem que lá na Ilha do Retiro...). E no próximo jogará contra o fraco time do Náutico...Esta campanha rubro-negra está bem ''mamão com açúcar''... Claro que ''paraguaios'' também podem ser o Grêmio ou o Cruzeiro. Continuando a palpitar, afirmo categoricamente que o campeão sairá entre Palmeiras, São Paulo e mais um, talvez até mesmo um destes atuais líderes do Brasileirão...Você também pode palpitar, a partir de hoje, sobre os candidatos a ''cavalo paraguaio'' deste ano...PS: Só para relembrar, ano passado o comentarista Flávio Prado, da TV Gazeta, disse desde o início do campeonato- quando o Botafogo ainda estava na liderança- que a equipe carioca seria apenas um ''cavalo paraguaio'' ( aquele que larga na frente , de maneira espetacular, e chega do meio para trás). Ele não só afirmou como repetiu a frase por vários programas, até que o Botafogo começou a cair pelas tabelas...Seja o ''vidente'' deste ano. Tem muito time aí, entre os líderes, que não tem fôlego para se manter na frente do campeonato. Meu palpite é o Mengão. E o seu?

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O ''grande'' e o ''pequeno''

É interessante morar na grande metrópole. E um dos fatos mais interessantes é constar que, no ''grande'' as ''pequenas'' coisas parecem ter mais espaço, elas coexistem com uma intrigante harmonia. Peguemos uma localidade menor, como contraste. Uma cidade menor tem os seus regionalismos. Tem o seu sotaque, a sua comida típica, os seus times de futebol. O que não faz parte dos ''costumes típicos'' locais é visto como ''estranho''. Quanto mais forte o ''local'', menor será o ''estrangeiro/forasteiro/invasor''. Só a mídia consegue superar as rivalidades locais, transcender o ''local'' para mostrar outras realidades. Na grande metrópole há um ''Centro de Tradições Nordestinas''( aliás, esta é uma das maiores comunidades da cidade). Assim como há um bairro inteiro habitado por orientais, com comidas típicas orientais, e com ruas decoradas à moda oriental. Assim como há localidades típicas de judeus, muçulmanos, italianos, gregos, portugueses. O ''pequeno'', as ''minorias'' aqui não tem medo de mostrar-se, assumir-se como tal, defender a própria identidade. Nem isto é visto como ''ameaça'' pelos ''locais''. São Paulo tem o seu regionalismo, isto é certo. Paulistanos ''quatrocentões'' tem os seus hábitos, os seus centros de compra, os seus restaurantes prediletos. Paulistanos nem tão aquinhoados pela fortuna também tem as suas tradições. A TV mostra aos domingos os jogos das equipes locais- Portuguesa, São Paulo, Corínthians, Palmeiras. O paulistano tem um sotaque típico. Tem comidas típicas. Come feijoada- estranhamente- às QUARTAS-FEIRAS e sábados...Não sei qual é a razão desta feijoada às quartas...A cidade, por vezes, se assemelha a um gigantesco escritório. Veste-se como em um escritório, conta piadinhas de escritório, anda pelas ruas em rodinhas de escritório. Porém, mesmo em meio a esta gigantesca multidão de executivos que toma a Avenida Paulista de segunda a sexta-feira, é possível enxergar aqui e ali figuras exóticas. Ontem vi duas ''gringas'' sentadas em um banco, felizes e com as pernas de fora. Volta e meia, nos mais diversos lugares, ouvimos pessoas falando chinês- aliás, com freqüência crescente mesmo- japonês, alemão, inglês, italiano, francês. São Paulo é um MUNDO em si. A materialização de uma utopia em que, como em nenhuma outra parte do planeta, judeus e muçulmanos conseguem conviver em paz. Uma miscelânea de naturais de todos os estados e dos mais diversos países em que todos são livres para manifestar a sua própria identidade, e nem por isto os costumes típicos ''locais'' são enfraquecidos. Talvez se dê justamente o contrário...E o que seria um costume ''puro'' local, em uma cidade em que uma das maiores tradições- a pizza- vem da Itália?

A ''Lei Seca'' no trânsito, e a ''alma nacional''

Não costumo tratar de temas políticos neste blog. Nos últimos tempos, estes assuntos tem me provocado um profundo tédio. Pulo as páginas políticas nos jornais. Quando ouço a chamada ''direto de Brasília'', mudo o canal de TV. Isto não quer dizer que não tenha as minhas opiniões políticas, ou que não vá votar este ano. Isto não quer dizer que jamais me pronunciarei sobre o tema, em quaisquer circunstâncias. Muito embora seja muito mais animador ''escolher'' um candidato a Presidente dos Estados Unidos, este ano, do que qualquer candidato a Prefeito ou Vereador- com as devidas exceções- no Brasil...Mas este não é um ''post'' sobre política( com p minúsculo mesmo). É sobre um tema público. Sobre um tema que todos acabamos discutindo. A chamada ''Lei Seca'', as novas punições aos motoristas que dirigirem alcoolizados. Lembremos, em primeiro lugar, que nos últimos tempos multiplicaram-se os casos de acidentes de trânsito envolvendo motoristas bêbados. Em função disto, houve um verdadeiro ''clamor popular'' por leis mais severas. Agora, que temos a lei, e as punições mais severas, embora não suficientemente severas, estamos nos deparando com um ''clamor'' no sentido inverso. Fala-se em ''inconstitucionalidade'' da lei. A imprensa mostra uma grande quantidade de motoristas punidos. Note-se que o comportamento hesitante e ''ciclotímico'' é algo típico do brasileiro. E que, deste ponto em diante, propositadamente abandonaremos as observações típicas referentes aos ''brasileiros''- ''eles'', ''os outros''- e adotaremos o NÓS. Isto é forte. Outro dia estava falando nos paulistanos, e escolhi falar em ''nós ,paulistanos''. Estava falando das escolhas políticas dos munícipes. ''Nós, paulistanos'', votamos nos políticos que gastaram bilhões em obras viárias que levaram a este trãnsito infernal de hoje...Que não investiram no transporte público...Eu não morava aqui quando tais políticos foram eleitos. Se morasse, não votaria neles. Porém, como cidadão desta cidade, as escolhas políticas erradas me afetam. Eu não estou livre delas. Sou também responsável, indireto, por elas. Assim, ''nós, paulistanos''...Brasileiros, argentinos, italianos, todos tem(os) um ponto em comum. Todos tem(os) opinião sobre tudo. E estas opiniões giram quase sempre sobre o que ''deveria'' ser feito para melhorar algo. Falamos sobre a ''sujeira dos políticos'' como se fosse algo que nos afetasse apenas indiretamente. E como se estes políticos surgissem do nada. ''Ninguém'' os escolheu. ''Ninguém'' votou neles. Como que por ''milagre'', eles se apossaram dos cargos de vereador, prefeito, governador, presidente da república... Do mesmo modo, em tese, apoiamos a tal ''Lei Seca''. ''Apoiamos'', no que não nos atinja. ''É preciso parar a carnificina nas estradas brasileiras'', clamamos. O complemento não dito mas subentendido é ''desde que não dependa de mim''. Desde que ''eu'' não tenha de pagar uma multa de mil reais além de ter a carteira suspensa por um ano ''só'' por ter tomado uma ''pequena dose'' da minha cerveja predileta. A ''Lei Seca'' aqui, como quase todas as leis, é aplicável aos ''outros''. Os ''outros'' não sabem dirigir. Os ''outros'' estão bebendo demais. ''É correto aplicar multas aos que falam no celular enquanto estão dirigindo, mas eu estava 'apenas' falando um pouquinho''...E dá-lhe ''chiadeira'', dá-lhe ''choradinha'', dá-lhe tentativa de subornar os guardas, dá-lhe reclamação contra um ''sistema tão injusto''. E também uma tremenda inveja daquelas nações ''civilizadas de Primeiro Mundo'', onde as pessoas não atiram lixo nas ruas, param os carros para os pedestres atravessarem nas faixas, respeitam as leis de trânsito. O brasileiro- ou melhor, NÓS, brasileiros- é (somos)digno(s) de inspirar um livro como ''O Médico e o Monstro''. Porém, nas nossas cabeças, somos todos ''médicos''. ''Monstros são os outros''...''Alguém precisa fazer alguma coisa'', bradamos em coro, ''desde que não sejamos nós''( pensamos em nosso íntimo). Como pode uma ''Lei Seca'' dar certo em um país em que ninguém pretende parar de beber? O resultado só poderia ser este, o coro crescente contra o ''rigor'' da Lei que outrora defendíamos...''É complicado'', diremos nós, os paulistanos...Aqui, bradamos contra o trânsito infernal, que nos sufoca. ''Alguém tem de fazer alguma coisa''. Que coisa? Aumentar o rodízio, que desrespeitamos usando o carro ''extra'' da família? Cobrar um pedágio urbano, que ''driblaremos'' pegando uma rota alternativa? Ter automóvel, aqui, é mais do que uma necessidade. É símbolo de ''status'', nos define como pessoa. ''Como seria bom, pensamos, se todos os demais motoristas deixassem seus carros em casa e usassem mais o transporte público...''. ''Por que ninguém faz nada a nosso favor?''

sábado, 28 de junho de 2008

Não sobre o amor

Talvez pela vontade de contradizer-me( já que em meu último post eu havia admitido não ir ao teatro), ou movido por um comentário lido no jornal ''Gazeta do Povo'', de Curitiba, em que era mencionada a peça com a adicional informação de que ''não havia previsão de montagem na capital paranaense'', ontem eu fui ao teatro. Em um horário, certamente motivado pelo local- no centro da cidade, no CCBB-pouco usual. 19h30m. Fui de metrô, no final da tarde. Mesmo chegando com meia hora de antecedência, fui informado de que só havia ''um lugar na platéia''. O resto, só no balcão. Como o balcão parecia ser a sobra, e não havia disputa pelo mesmo, preferi, claro, este ''único lugar na platéia''. Mais afastado do palco, embora o teatro seja bem pequeno. Surpreso fiquei quando, na hora do início da peça, vi vários lugares vazios na platéia...O que será isto? Será que as pessoas pagam e não vão, ou reservam e não vão? A peça não é fácil. É estrelada por Leonardo Medeiros, um ator de constante atuação em filmes brasileiros pouco comerciais. O ''amor'' do título, uma estória em que o apaixonado é proibido por sua amada de fazer menções ao amor em suas cartas para ela, talvez atraia alguns incautos mais apressados. O tom é soturno. As cartas do apaixonado, proibido de falar sobre o amor, tratam de diversos temas em que a constante é o exílio. Ele saiu da Rússia para ir para a Europa. Mas o exílio, aqui, é muito mais do que físico: o personagem, Shklovsky, deixa escapar em um momento que ''um estrangeiro é aquele cujo amor está em outro lugar''. Esta é uma peça sobre o amor em que não há arroubos românticos. É uma peça sobre o amor não correspondido, sobre um amor ''virtual''...Enquanto o escritor se esforça para captar a atenção de sua amada tratando de temas que, indiretamente, dão prova de todo o seu amor, ela replica com cartas banais. Ele fala em amor, ela replica que está interessada por um inglês ''bonitão''...O máximo que faz é uma revelação sobre...sua ama de leite! E ainda o critica, ao afirmar que ele dá muita ênfase ao ''quanto'' a ama, ''e no terceiro quanto seguido ela já não aguenta mais...''. O amor dele mais parece aquele trágico ''amor romântico'' dos séculos XVIII e XIX, um amor idealizado, racional( afinal parte de um ''intelectual''), não realizado no mundo físico. Por ele, seguindo os passos do personagem Werther, os apaixonados se matavam, talvez em um anseio de realizar-se amorosamente ''do outro lado''...A peça é pesada, as outras pessoas se contorcem em suas cadeiras, imagino que vários ansiando desesperadamente pelo fim da exibição...Interessante o cenário. em que uma cama e uma mesa são presas no alto das paredes do quarto. E os personagens tem de escalar aquilo que, por incrível que pareça, pelo ângulo que enxergamos parece crível...A montagem também tem vídeos, no melhor estilo do teatro ''moderninho'', e legendas...Enfim, como já afirmei acima, a peça não é ''fácil''. É repleta de metáforas. A própria Alyia, objeto de desejo do escritor, é uma delas. Como informa-nos o programa da montagem, ''a mulher que nega o seu amor é também a impossibilidade de voltar para casa, é a juventude e autoconfiança perdida, é a distância do que somos autenticamente, é a prioridade de olhar para o futuro quando nostos( a volta para casa) + algos ( dor )nos adoece". Alyia, descobrimos, não é ''real''. É quase impossível imaginar uma montagem destas no Rio de Janeiro, onde abundam as peças ''fáceis'' e ''engraçadinhas'' com atores globais ( nada contra a Cidade Maravilhosa, mas esta é uma das piores características de suas produções artísticas...). De todo modo, é incômodo refletir sobre as dores do amor em uma sexta-feira à noite, e mesmo em São Paulo poucos parecem dispostos a fazê-lo...A peça é subsidiada pelo Banco do Brasil- motivo pelo qual os ingressos são vendidos por módicos 15 reais. Se fosse um filme, imagino que ficaria umas duas semanas em cartaz, se os blockbusters permitissem...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Eu, conservador???!

Durante muito tempo, a pergunta acima me pareceria ridícula. Afinal, a vida inteira eu me vi como ''contestador'', ''transformador'', ''inovador''. A própria ''incoerência'' deste blog, em que trato de diversos assuntos ao mesmo tempo, poderia dar a idéia de que, ao menos, eu tento fazer as coisas sempre de modo diferente. Sempre me divertiu, também, apontar o ''conservadorismo'' das pessoas ao meu redor. Meu pai, que tem uma rotina pela qual se poderia acertar os relógios. Minha mãe e seus roteiros sempre iguais. Mas eu? Eu, um ''conservador''? Por trás desta fachada ''mudancista'', percebo que meus amigos- sempre um espelho, um bom indicador do que somos- são todos rotineiros. Que, a eles, desgosta a idéia de um pensamento diferente do seu. Imagino que, neste momento, todos estejam há muito com Obama ''de mala e cuia''. Eu demorei a aderir à ''Onda Obama'', e o fiz sem entusiasmo e com receio...Porém, mesmo no meu dia-a-dia, é possível notar traços de um profundo conservadorismo. Não gosto de inovar no que se refere aos meus pratos favoritos. É raríssimo que eu escolha um prato diferente daqueles de que já gosto. Em um lugar, só peço entre DOIS pratos ( bife de tiras ou bacalhau em lascas ). Sempre. Invariavelmente. Não gosto de mudar os pratos que escolho no almoço. Não gosto de conhecer lugares novos para comer. Gosto de fazer sempre programas semelhantes, em que como em um lugar, e depois vou para um lugar próximo. Sempre vou aos mesmos cafés, mesmo morando em uma cidade em que há inúmeros cafés, diversos de alta qualidade...Na TV, sempre assisto aos mesmos programas, invariavelmente. Leio os mesmos jornais, nos mesmos dias de sempre. Leio o mesmo tipo de livro. Leio as mesmas revistas, todas as semanas ou meses. Vou sempre aos mesmos cinemas. Raramente vou ao teatro, o que me obrigaria a sair da rotina...Se há uma coisa em que gosto de variar é em relação a viagens. Mas, como tristemente pude constatar, se não for por necessidade prefiro visitar sempre as mesmas cidades: Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis...''Choro'' ao ter de abandonar São Paulo para ir a uma cidade próxima. Mas o que poderia me prender a Sampa, a sua infinita possibilidade de roteiros e programações, não é o que me liga a esta maravilhosa cidade. Talvez, muito provavelmente como constato neste ''post'', seja sim a probabilidade de fazer infinitamente as mesmas coisas, ''achando'' que tudo isto- esta rotina em meio às numerosas escolhas- é ''indispensável''. Leio o livro de alguém da minha área, e constato que esta pessoa costuma fazer inúmeras perguntas. Perguntas estas que me incomodam, ou melhor, me incomoda o fato de não estar fazendo as mesmas perguntas ou mesmo diversas outras mais. Rotineiro profissionalmente, é o que constato com tristeza...Me incomoda fazer perguntas, e muito mais responder perguntas que saiam do rotineiro e conhecido. Hoje me incomodam- como incomodavam as pessoas da época em que eu era mais jovem- os ruídos produzidos pelos mais jovens. Me incomodam os sons que eles escutam. Me incomoda vê-los agrupados, com suas roupas estranhas e copos de bebida na mão. Me incomoda ouvir as piadinhas ridículas que eles contam entre si. Me incomoda ter de submeter-me volta e meia a ''recadastramentos'', sob pena de ter o meu CPF suspenso. Me incomoda a fúria legiferante dos diversos parlamentos brasileiros. Me incomoda chegar a um mercado e ver dezenas de opções diferentes para um mesmo produto- sobre isto, ver o excelente livro ''O Paradoxo da Escolha''. É, como vocês podem constatar, hoje eu sou um perfeito conservador. Na melhor linha TFP ( tradição, família e propriedade ). Talvez só não tenha morrido ainda porque também me incomodam diversas outras coisas que aí estão, e com as quais não compactuo. E sobre as quais já me pronunciei diversas vezes neste mesmo blog. Contra umas coisas ali, a favor de outras ali. No fundo, e lamento constatá-lo, eu sou mesmo é igual a todo mundo. Para quem se achava ''diferente'' e ''especial'', eis uma dolorosa admissão...Melhor parar por aqui...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Segunda-feira gelada...

Saí para almoçar por volta de meio-dia e meia. Atravessei a Paulista rumo à Consolação. Desci a mesma. Alguns metros após, o relógio de rua marcava cerca de 13 graus de temperatura. A sensação térmica era de menos de 10...Neste dia era possível utilizar o quentíssimo casaco comprado em uma rede de lojas que tem sede em Curitiba-PR. A última vez que usei o mesmo, em outro dia de frio, mal aguentei andar cerca de 15 minutos. Ele é bastante quente. Bastante útil para situações extremas...Ontem era um destes casos. Seria possível usá-lo, mas eu não tive a idéia, e saí ''apenas'' com uma camiseta simples coberta por uma malha. Se senti frio? Sim. Divirtam-se aqueles que me lêem cantar loas ao frio...Acontece que tenho uma pequena tese sobre este assunto: devemos sim proteger-nos contra o frio, mas não a ponto de eliminá-lo totalmente...Isto mesmo: o frio é necessário. É preciso sentir um pouco de frio, até mesmo para aumentar a nossa resistência ao mesmo...Não é o que pensam as multidões . Por toda parte: em cursos, shoppings, livrarias, há uma pressão constante para que a sensação térmica de frio seja eliminada. Como resultado, sentimos um ''choque térmico'' ao visitar tais lugares. Saímos do frio para um ambiente em que circulam muitas pessoas e em que, invariavelmente, o ar condicionado está DESLIGADO para agradar os muitos friorentos...Não é de admirar que a gripe também campeie em tais lugares...Estou usando aqui- mais do que em outros lugares- mantas, jaquetas, meias de lã. Seria loucura, podendo, não fazê-lo. Mas continuo fiel à tese que, como tantas outras coisas, o frio é necessário. Há todo um equilíbrio por trás desta alternância de dias ensolarados e chuvosos. E cobrir-me totalmente, em uma insana busca de ''proteção contra o frio'' que eliminasse totalmente os seus efeitos, soaria como uma ''traição'' contra a natureza que me proporcionou toda esta beleza do inverno paulistano. Eu quero, pasmem!, é MAIS frio...

Saindo da rotina...

O inverno chegou pontualmente na sexta-feira, e sábado já tivemos um dia fechado e de muito frio. Bem ao meu gosto...Domingo, para ter a sensação de mudança de ares, decidi ir a um lugar próximo. Fui a Campinas, de ônibus. Uma hora e vinte minutos de viagem. Cidade diferente, bastante bonita e arborizada. Almoço em um restaurante italiano de lá que já conhecia, bem cotado no Guia 4 Rodas. Fato engraçado na entrada: havia espera, pela hora em que cheguei( 2 da tarde). Enquanto beberiscava uma água mineral, reparei em um casal que estava sentado próximo, no balcão. O cara, quando alguém entrava ou saía, levantava-se de imediato para FECHAR A PORTA, que insistia em permanecer meio aberta. Ele fez isto umas 2 ou 3 vezes. Devia estar ''incomodado'' com o frio, que nem era tanto assim: mais ou menos 20 graus, com sol...Após o bom almoço, uma ida a um shopping local para conhecer a Livraria Cultura de lá. As livrarias em geral, mesmo as de uma mesma rede, tem um estoque próprio, no qual vão fazendo pequenas alterações. Por isto, por possuírem este estoque próprio, nenhuma livraria é igual à outra. Encontramos um livro em destaque na Cultura do Market Place, em São Paulo, que está apenas nas estantes da Cultura do Conjunto Nacional. Uma privilegia um tema, a outra o subestima...Só na Internet é possível ter acesso a todos os títulos daquela loja. Enfim, a ida ao shopping Iguatemi de Campinas, além do passeio, me proporcionou acesso a DUAS megastores, uma vez que havia também uma Saraiva- de tamanho fora da média- naquele conjunto comercial. Um passeio aqui, outro ali, ida aos inúmeros cafés daquele centro comercial e, por volta das 7 da noite, já estava de volta à Rodoviária nova, onde voltei para São Paulo. A rodoviária campineira mais parecia um Aeroporto. Bonita, banheiros novos e pagos, teto de vidro. Como aquele era o primeiro dia, estava também caótica: os ônibus iam chegando e, no ''gogó'', iam anunciando seus horários para os aflitos passageiros. O acesso aos mesmos era bloqueado por paredes de vidro, e os fiscais não sabiam informar nada. Um pequeno ''caos rodoviário'', bem semelhante ao caos aéreo permanente em que vivemos há um ano e pouco...Meu ônibus, o das 19 horas, saiu DEPOIS dos de 19h1m e 19h10m ! A justificativa para tal absurdo era que o carro estava vindo de Poços de Caldas- MG...Some-se a tudo isto o fato de que a nova rodoviária fica próxima à antiga e, nas estreitas ruas ao redor, inúmeros automóveis se aglomeravam. Ou seja, como é comum neste país, uma obra nova não é precedida de obras conseqüentes no sistema viário próximo...O resultado é o caos...Mas nada que tirasse o prazer de um dia em um lugar diferente, ainda que tão próximo como é Campinas...Também é possível fazer o mesmo quanto ao litoral, que fica a meros 60 KM. Ida a Santos ou ao Guarujá, almoço, passeio...Aí já será uma outra estória...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

As palavras: portas de entrada para outros mundos...

No universo, segundo pesquisa mostrada no post anterior, os átomos representam apenas 4,6% de tudo o que existe. E mesmo estes átomos, conforme apontaram diversos físicos de renome, não formam lá corpos e objetos muito sólidos. São sólidos apenas na aparência. Eis uma coisa que aprecio no mar: é uma matéria, mas em eterno movimento. E visível aos nossos olhos. As pessoas que habitam locais litorâneos tendem a sincronizar seus ritmos ao ritmo dos oceanos, da vida. Por isto, várias delas tem aquele jeito meio ''zen'' de ser, que é visto pelos demais como ''preguiçoso''. A vida passa, tem-se consciência mais ali que em qualquer outra parte. Tudo está se movendo. Tudo muda. Semana passada ouvi um comentário interessante na hora do almoço. Alguém, provavelmente algum estudante de arte, disse à sua parceira de refeição: ''- Isto de exigir coerência dos outros é complicado( sic ). O cineasta Ingmar Bergman pertenceu à Juventude Hitlerista em sua juventude. Depois produziu um dos maiores filmes já vistos- O Ovo da Serpente- renegando seus antigos ideais e alertando para o seu risco. Dá para condenar a 'incoerência' de Bergman?". Não estamos aqui para ser ''coerentes''. Ao contrário. A ''coerência'' indica que o indivíduo não evoluiu. Estagnou. Conseguiu passar inerte á grande mudança que é a vida. Só os perfeitos podem se dar ao luxo de ser coerentes, mas este mundo não é habitado por seres perfeitos...E a palavra? O que representa a palavra no processo da vida? A palavra, tal como as notas musicais e as imagens, nos introduz a uma nova dimensão. Nenhuma palavra significa apenas o que decodificamos literalmente. As palavras tem conexões, e nos evocam sentimentos. Uma ''simples'' palavra como ''paz'', ''beleza'', ''harmonia'', ''amor'' traz á tona sentimentos, lembranças. No mundo das palavras, bem como em todo o resto, podemos constatar o quanto a humanidade anda às cegas, envolta com forças gigantescas que nós, ao mesmo tempo, tememos e amamos...Uma palavra só tem poder. Frases inteiras de palavras tem muito mais poder. As palavrinhas que não nos largam em nenhum momento- nos nossos cerca de 50 mil pensamentos diários- guiam as nossas ações o tempo inteiro. Ontem ouvi um garotinho dizendo para os pais que havia aprendido que ''as pessoas são más''. Os pais ficaram perplexos... Há alguns anos o consenso era que ''o ser humano é bom''. Era a época dos reformadores, geralmente identificados com ideais de ''esquerda''. ''O ser humano é bom, mas o sistema é mal. Logo, é preciso mudar o sistema em que vivemos para que o melhor que há nas pessoas possa fluir livremente''. Um ''simples'' pensamento- o de que os seres humanos possam ser ''bons'' ou ''perversos''- evoca dois caminhos totalmente diferentes. Caminho pelas ruas, pensando em como é bom viver, e em como ''eu sou bom'' e as demais pessoas são ''boas''. Este simples gesto, este simples pensamento já me desperta outros sentimentos. Sorrio, sinto-me pleno, á vontade, seguro. Senhor dos meus próprios pensamentos e ações. As crianças, até que sejam devidamente podadas pelos pais com inúmeros ''nãos'' e alertas, não tem vergonha de se aproximar de nós, de olhar-nos nos olhos, de conversar conosco., dar um abraço. Por isto, toda criança é bela, independemente da sua aparência física. Elas são naturais, alegres. Agora, troquemos as palavras e, conseqüentemente, os pensamentos. Saio pela rua pensando em como as coisas são ''injustas'', em como o meu chefe está empenhado em ''destruir-me, porque não vai com a minha cara''. Em como as mulheres são ''falsas'', porque a minha última esposa me ''traiu''. Em como todos são ''ruins'' e ''perversos'', e porque ''estes políticos todos não votam leis mais rigorosas para botar estes bandidos todos na cadeia''. Uma só palavra destas últimas escolhidas já tem um PESO enorme. ''Ruindade'', ''falsidade'', ''maldade''. E elas tem conexões ocultas, que as unem a termos semelhantes. Tudo isto gera uma ENERGIA correspondente, que ATRAI pessoas que pensam de modo igual. Tudo isto, é óbvio mas depois nos mostramos ''surpresos'' com o processo todo, leva a ações correspondentes. Pois uma palavra nunca é ''apenas'' uma palavra. Uma palavra é um mundo inteiro, uma completa visão de mundo. O ''drama'' que estamos vivendo a nível planetário deriva do fato de que a poluição que vemos a olhos vistos talvez seja apenas a ''ponta de um gigantesco iceberg'' que parte de dentro de nós mesmos...Uma palavra fere, mas também cura...

domingo, 22 de junho de 2008

A composição do universo: aha!

Como provavelmente estou falando para mentes lógicas e racionais, toda a minha defesa anterior do Universo como mental pode soar como mais uma ''opinião''. Sendo assim recorro desta vez à ciência. Uma longa matéria desta semana da revista ''Veja'', sobre o ''Big Bang''( o surgimento do Universo ), informa-nos, na página 118, que ''análises da sonda espacial Wilkinson, da Nasa, mostram que o universo é composto de 72% de energia escura, 23% de matéria escura, 4,6% de ÁTOMOS, e menos de 1% de neutrinos. Na prática, isto quer dizer que menos de 5% do universo é feito do tipo de matéria que conhecemos e é visível aos nossos olhos''. Ou seja, todas as nossas construções sobre o que é ''real'' são baseadas nestes meros 4,6% de átomos que formam as coisas que ''vemos''...Há muito mais nisto tudo do que supõe a nossa vã consciência...E mesmo que a visão materialista seja predominante em nossa sociedade- concretizada na frase ''what you see is what you get''( você tem o que puder ver, o que vê- em tradução apressada)- na prática não conseguimos chegar a um consenso sobre o que é a existência. O que é ''real'' para você não é para mim, e vice-versa. Pois só é ''real'', para nós, o que pudermos conceber e imaginar. O que podemos processar com nossas mentes. Eu aqui falando de passarinhos e dias de sol, e você pode estar neste momento pensando em que como será ''difícil'' chegar ao fim do mês com o seu salário...Só conseguimos captar qualquer mensagem trazendo-a para o nosso sistema, para algo cognoscível aos nossos pensamentos. Se o Universo fosse composto apenas pela matéria, convenhamos, isto não daria sequer o prefácio de um livro ou a introdução de um filme...

sábado, 21 de junho de 2008

Navegando pelos blogs...

É tentadora a idéia de postar o meu texto e sair navegando pelos demais blogs. Aqui e ali, encontro blogs que contam a estória de bebês, casais, belas adolescentes, tudo muito bonito, repleto de belas fotos. Nada assim especial, que prenda a minha atenção por mais de alguns segundos. Alguns estão em polonês, alemão, alguma língua árabe, até mesmo em inglês. A impressão que tenho, ao ver estes blogs ''ao redor'' do meu, é que é tudo muito bonito, visual. Sinto falta de textos. A leitura dos jornais diários ainda é imprescindível. Poderia, isto sim, procurar na blogosfera alguns dos meus colunistas favoritos. Mas não se pode deixar de ressaltar que todo este mundo de ''pessoas comuns'', que descrevem suas existências na Internet, é algo inédito na estória da humanidade. Isto meio que quebra a visão tradicional do que é ''arte'' e o que não é. Mesmo eu, que estou longe de pretender ser um ''artista'' ou ''escritor'', posso estar aqui quase diariamente escrevendo, expondo-me- expondo minhas idéias. Um dia, ao sair por aí a esmo visitando outros blogs, espero encontrar alguma coisa especial- um outro blog, talvez, mais voltado para a escrita e não para as imagens- tão inesperadamente como descubro coisas especiais andando pela rua. Então, eu terei o prazer de recomendar a vocês a leitura deste outro blog, desta descoberta. Por enquanto, deparo-me com blogs de empresas, com fotos de bebês, fotos de casais, de belas adolescentes em viagem por incríveis lugares...

Um dia de sol, e eu gostei??!!!

Foi o último dia de outono. Oficialmente, o inverno começaria ontem às 20h59m. Na hora em que saí de casa, para almoçar, fazia sol. Talvez porque ontem eu havia decidido(!???)me sentir bem( como se houvesse escolha, né? mas se não temos controle sobre o que sentimos, quem terá? de quem será o controle de nossas vidas? otimista, prefiro pensar que somos nós, mas estou aberto a ouvir posições contrárias...). APESAR DO SOL. E, por incrível que pareça, quando estamos bem NEM O SOL pode nos afetar negativamente( lembrem-se que eu funciono às avessas: gosto dos lugares frios, não suporto calor- vide textos anteriores deste blog)...Ontem havia meio que uma eletricidade no ar. Tudo parecia, talvez porque eu havia escolhido que as coisas fossem assim, harmônico, belo. Tudo parecia no lugar. Passei na lavanderia, nos correios, em uma lotérica para pagar a TV a Cabo, e fui almoçar. Em um velho conhecido, um restaurante que já foi definido como um ''aquário''( como este é o meu signo, me sinto- desculpem o trocadilho- como um ''peixe dentro d'água nele...). Teto de vidro, mesas inclusive na calçada em frente, ampla visão para os carros e pessoas que passam na badalada rua dos Jardins. Pela hora, quase 2 horas, fui acomodado no lugar superior, onde quase não dava para ver nada. Mesmo assim, gostei. Tudo estava bom: o dia, a comida, o astral das pessoas ao redor. E, ao sair daquele lugar, constatei que havia algo novo mesmo no ar. Um fator que deu um movimento extra aos restaurantes e ás lojas daquela rua: a São Paulo Fashion Week. Modelos, ou jovens estilistas belíssimas e muito bem vestidas, encheram os restaurantes na região, e circulavam aos montes pela próxima Rua Augusta...Para aqueles que não concordaram com a minha possibilidade de escolha dos meus sentimentos, que este fato sirva como ''justificativa oficial'' para um dia perfeito em que ATÉ O SOL parecia encaixar-se como uma luva. Até mesmo para os que ''não gostam'' de sol...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Abrindo os olhos do espírito...

O despertar espiritual é um processo de abertura dos sentidos. Como que de repente, passa-se a ouvir, sentir, ver coisas que normalmente não reparamos em nosso cotidiano. Tudo isto é um ''voltar para dentro'', no sentido de notar que há algo mais em nosso ser do que um corpo, e um ''voltar para fora'', mas mirando um exterior que vai além das outras pessoas e das coisas materiais. No dia-a-dia de milhões de indivíduos, em especial nas grandes metrópoles, e uma vez que o ser humano é bombardeado por BILHÕES de informações diferentes a cada segundo, processa-se um gigantesco movimento de embotamento coletivo. Para ''escapar'' das coisas desagradáveis, de um cotidiano massacrante, os seres humanos bebem, consomem drogas, assistem TV. Vidas inteiras transcorrem em ''ponto morto'', em um processo contínuo de repetição. ''Não tenho tempo'', é o mantra das pessoas ocupadas. ''Não tenho tempo'' para: ler, brincar com os meus filhos, me divertir, viajar, dar mais atenção à minha mulher/meu marido, fazer as coisas que me dão prazer. No entanto, engana-se quem considera necessário deslocar-se fisicamente para despertar para as coisas do espírito. Elas não estão na Índia, exclusivamente. Estão aqui, sob os nossos olhos, onde nós passamos. O mundo espiritual não está no ''céu'', onde todos imaginam. Em plena cidade de São Paulo, e competindo com o som irritante dos carros e obras de um lugar que se orgulha de ''nunca parar'', ouço neste instante, ao fundo, o canto de pássaros...Ser espiritual, estar aberto para as coisas do espírito, não significa fugir das obrigações deste mundo. Não significa fugir do que este mundo tem de ruim, mas também de bom. Aqui e agora, onde você estiver, existem outras coisas a que dar atenção. Ser ''espiritual'', termo que amedronta tanta gente, é abrir olhos, ouvidos, mente para TUDO o que está ao nosso redor. ''Qual é o limite?'', me pergunto em um dia feliz. ''Qual é o limite da felicidade?''. É possível, sim, viver uma vida de contínuo aprimoramento, e de abertura para as infinitas ''coincidências'' com que o Universo nos brinda. Melhor seria até dizer que a vida ''brinca'' conosco, com os nossos desejos e anseios, e nos dá, invariavelmente, aquilo a que damos mais atenção. Este é o sentido de afirmar que precisamos ''estar preparados'' para atingir determinada meta. Um ''estar preparado'' significando aqui, à guisa de conclusão, uma maior abertura para as infinitas energias que nos cercam, em uma eterna ''peleja cósmica'' em que não há ''perdedores'' e nem ''derrotas'' definitivas. Não ''somos'' isto ou aquilo. ''Estamos'' todos, nesta ou naquela condição, passageira como tudo é em uma existência- nossa e do cosmo- sem fim...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Curitiba no Inverno

Os que me conhecem bem já devem estar estranhando o fato de que- após postar cerca de 157 textos neste blog- eu ainda não falei especificamente em nenhum deles de uma de minhas cidades prediletas: Curitiba. Isto porque, em minhas conversas, eu costumo ''alugar'' todos com referências constantes àquele belo lugar. Que deve estar, e este é o motivo principal deste ''post'', ainda mais belo nesta época de frio. Inverno em Curitiba! O que haveria de tão especial na capital paranaense, vocês poderiam perguntar? Meu primeiro contato com Curitiba foi tardio. Há cerca de 4 anos. No mês anterior havia visitado Buenos Aires, e só falava em Argentina em todas as conversas que tinha. Meu pai que o diga! Junte-se a primeira viagem ao exterior com a primeira visita a um lugar de que já havia ouvido falar mas não conhecia de perto, e o resultado é o que descrevo nesta crônica. O que Curitiba tem de tão especial? Talvez a sorte de ter recebido tantos imigrantes( japoneses, alemães, poloneses, etc.). E que estas pessoas tenham ido para lá não com a tradicional visão de saquear, e sim com a intenção de construir um lugar para viver e para legar aos seus filhos. Acrescente-se o fato de que esta cidade, que não foi ''planejada'' como Brasília, teve também a fortuna de contar com uma série de administradores da mesma corrente política. E que os seus sucessores não se empenharam, como em outros lugares, em desfazer o que o antecessor havia feito. O modelo de transporte de Curitiba é reconhecido pelo mundo.Com seus ònibus bi ou tri-articulados, as modernosas ''estações tubo'' e as canaletas exclusivas para circulação dos mesmos. Outro dia, na Livraria Cultura, vi um grosso livro de arquitetura e urbanismo em que o autor comparava as experiências modelos de Curitiba e Barcelona, duas referências mundiais de qualidade de vida...Mas o fato de ser organizada, de transpirar ordem e beleza, de estar muito bem situada entre São Paulo ( a 400 KM de distância) e Florianópolis( a 300 KM), e perto do mar( a apenas 70 km), de ser uma das cidades mais arborizadas do país, tudo isto se completa com o fato notório de que Curitiba tem um clima peculiar. É divertido assistir as previsões de tempo do ''Bom Dia Brasil'', na TV Globo, e ver invariavelmente a repórter dizer: ''a mínima em Curitiba é x, e a máxima em Teresina é y...''. O clima, ''apenas'' o clima já justificaria todo o nosso entusiasmo com aquela cidade...Mas não é só. Campos do Jordão também é fria, e nem por isto eu fiz uma ''ode'' àquela cidade paulista. Caxias do Sul é também muito fria, e dela só ouvimos falar até hoje do time- o Juventude...Curitiba ''te fisga'' por possuir a melhor Linha Turismo do país, com ônibus especializados que ligam os principais pontos turísticos e que só não circulam às segundas-feiras. E mais: eles tiveram a ''ousadia'' de distribuir folhetos e colocar placas nos pontos destes ônibus com os horários. Horários, no Brasil...E seguem, diga-se de passagem, os tais horários rigorosamente. Sem atrasos. 11h31m. E o ônibus branquinho está lá, para nossa surpresa. A cidade ''nos fisga'' também por ser uma especial mistura de cidadezinha com metrópole. Tudo que há de melhor em uma cidade grande Curitiba tem: livrarias, cinemas modernos, shopping centers, ótimos restaurantes, cafés, etc. E, ao mesmo tempo, lá eu vi cenas que se encaixariam melhor em um roteiro pelo interior: os sábados na Rua das Flores, com ''shows'' ao vivo de artistas, a venda de quadros, as famílias circulando, os aposentados sentados nos banquinhos, o bondinho que não circula mais mas está lá como uma das principais atrações, as discussões na ''Boca Maldita''. A cidade é cheia de vida. ''Olho'' ( com os olhos da mente, da memória, do espírito...)para o céu neste instante, em mais um dia frio, ''coberto'' como as pessoas que circulam com suas roupas de inverno...Sair um dia do Planalto Central de avião, tempo ensolarado, passando por São Paulo, também ensolarada, para a seguir chegar a uma das capitais do Sul com tempo fechado e frio é uma experiência inesquecível...Mostra o quanto este país é completo e complexo, com as suas mais diversas culturas. Dentre elas, uma das mais belas- com suas comidas típicas, seus times fortes de futebol, o seu sotaque peculiar, suas lindas meninas- está em Curitiba. O amor que cultivamos em nossas mentes transcende as distâncias...''Estamos''( mais de alma do que fisicamente)onde está o objeto do nosso amor. Seja uma pessoa, ou uma cidade como Curitiba...

Imagens no Blog

Estas não são ainda as tiradas com o meu celular. Tirei-as da Internet. Duas são de São Paulo, e duas de Curitiba. As duas de Curitiba são de um dos lugares mais belos e especiais da cidade: o Bosque Alemão. E sua bela trilha que conta, em várias placas, a estória de João e Maria. O Bosque Alemão tem, além disto, uma das mais bonitas vistas da cidade. Em São Paulo, selecionei uma foto do Parque Trianon, na Paulista ( outro de meus parques prediletos é o da Aclimação, um lugar propício para cenas de cinema...)e outro de Pinheiros, de um lugar elevado, com o Alto da Lapa ao fundo...E o celular, perguntariam vocês? Infelizmente não é fácil adquirir cabos USB para o modelo que adquiri. Isto é frustrante. Procuro nas lojas da TIM, e nada. Comprei um cabo em uma loja de rua, e ele não é reconhecido pelo meu computador. Enquanto esta novela não termina, vocês ficam com as imagens que escolhi- e com os textos, afinal de contas o principal motivo deste blog...Bom dia a todos!

O Universo conspira a meu favor...

Uma tia que mora no Rio de Janeiro escutou este mantra em um programa feminino destes da TV, contado junto com uma estorinha de alguém que utilizou-o e foi bem sucedida. E agora, esta minha tia passou a repetí-lo, interna e externamente, a todo momento. Mal não faz. Coincidentemente, a frase acabou estimulando-a na sua mais recente empreitada, após estar parada por anos. Ela repetiu-a para uma irmã- outra tia- que me disse isto por telefone. A frase eu ouvi também da primeira, ao vivo, aqui em São Paulo. Ela estava muito feliz, elétrica, animada como nunca a vi. Explicou-nos quais eram os seus planos, e como a frase se encaixava com todas as mudanças que estava experimentando nos últimos tempos. Espiritualistas mais aprofundados dizem que não precisamos ''pedir'' nada ao Universo. TUDO está à nossa disposição. Basta, ''somente'', que abramos mão das nossas convicções de escassez, pobreza, não-merecimento, ''necessidade de sofrimento para expurgar os nossos pecados''. Neste sentido, a frase ''O Universo conspira a nosso favor'' é verdadeira. Quem não conspira, e essa faz uma ENORME diferença, somos nós...Então, que a frase acima sirva de inspiração para novos rumos e mudanças. Repito: mal não faz ''O universo conspira a nosso favor''. '' E eu, de agora em diante, vou passar a conspirar também a meu favor''...Quem poderá ''perder'', estando ao lado da maior força que existe???

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Encontro com D...

Vocês bem queriam que eu dissesse ''Encontro com Deus'', né? Vão ter de esperar mais um pouquinho para ver que encontro foi este... Na verdade, esta crônica é a junção de 3 possíveis crônicas. Em um primeiro momento- por sinal o tempo está ''ruim'', na minha modesta opinião, faz sol...- eu fui deixar roupas em uma lavanderia próxima. Enquanto estava sendo atendido, uma música de Rita Lee tocava ao fundo, ''Meu Doce Vampiro'': ''(...)sempre reclamando da vida, me ferindo e me curando as feridas(...)''. No mesmo instante entrava na loja uma senhora de idade e, por incrível que pareça, ao invés de reclamar de alguma coisa ela comentou: ''que bom que o inverno está chegando, com o fim daquele calor insuportável''...Eu achei graça do contraste entre o comentário OPORTUNO e SAGAZ desta senhora, referendado pela funcionária da lavanderia que nos atendera, e a letra da música. Mas outras emoções me aguardavam, suficientes para outras duas crônicas independentes. Acho que a letra da música de Rita Lee foi PREMONITÓRIA, e vocês vão ver porque...Decidi almoçar, como faço pelo menos uma vez por semana, em um restaurante de Higienópolis que tem um bufê formidável. Mas é mais que um simples bufê. Tem uma mesa de massas fantástica, no meio do restaurante, onde escolhemos diretamente as massas que queremos comer. Tem combinações como ''pizza com salada'', ou ''salada com grelhados''( frango, peixe, picanha, cordeiro, etc.). Faz parte de uma rede de restaurantes- Ráscal- espalhada por toda a cidade. Pertence ao mesmo grupo do ''Viena''. Enfim, é um senhor restaurante, de muita qualidade e preço mais ou menos acessível( fica entre os mais baratos e os mais caros, em um nível intermediário). Ele fica situado bem na entrada do shopping Higienópolis, com um lado externo que tem uma bela vista de todos que estão passando. Já tirei até uma foto da fachada do shopping, que vocês verão...qualquer dia destes! Faltavam 20 minutos para 1 da tarde. O restaurante ainda estava vazio. Eu fui o primeiro a ocupar uma das mesas da área externa. Comi um prato de saladas e, por incrível que pareça, em meio ao burburinho das pessoas que passavam e daquelas que conversavam em alta voz em um café próximo- Cristallo- eu pude identificar o som de um passarinho. Eu juro! Em meio ao eterno e onipresente ruído paulistano, que cotidianamente deixa a mim e aos demais meio surdos, eu ouvi um passarinho cantando, e ele fazia ''piu, piu, piu'' espaçadamente, e de uma forma que eu jamais havia escutado. Parecia sozinho. O som era baixo, mas suficiente para qualquer um que quisesse ouvir. Então foram se acomodando outras pessoas na área externa. Primeiro um casal de idosos em uma mesa distante. Depois uma senhora em uma mesa mais próxima. De repente, eu começo a ouvir um diálogo mais alto que o normal em uma mesa bem próxima também: ''porque eu disse para o Gushiken isto'', ''porque o Ministério da Pesca aquilo'', ''porque há um grande interesse no exterior pela pesca no Brasil'', ''porque a montadora tal copiou o slogan do meu programa 'No coração do Brasil' ''. Nesta hora a conversa, que eu buscava evitar pensando tratar-se de mais um destes sindicalistas pelegos que circulam como peixes dentro d'água em Brasília e no governo Lula, começou a tomar outro signicado. Juntos os termos ''Band'' e ''No Coração do Brasil'' deram um ''click'' dentro de minha cabeça e eu voltei a cabeça para o lado onde estava sendo emitida a conversa. Lá estava o jornalista José Luís Datena, do programa ''Brasil Urgente'', e equipe. Ainda dei outras duas olhadas para a mesa, a esta altura o centro de minhas preocupações, e não mais as comuns e belas ''mortais'' que passavam pela minha frente na mesa estrategicamente localizada em frente à entrada do shopping ...Pedi um café e a conta e, na hora de assinar a nota, solicitei ao garçom que trouxesse um pedaço de papel. Subitamente, os demais membros da equipe se levantaram em conjunto, deixando o ''Datenão'' só por um minuto. Peguei a caneta com que assinara a nota, o pedaço de papel, e me aproximei em um pulo da mesa vizinha. ''Datenão, eu e meu pai somos seus fãs. Você poderia me dar um autógrafo?''. Muito simpático ele atendeu o meu pedido. Eu ainda comentei: ''Que pena que eu não trouxe o meu celular para documentar este encontro especial''. Ele perguntou qual era o número do meu pai. Sacou um Iphone último tipo, digitou o código de Brasília- 61- e o número que eu havia dado. ''Como vai, seu Alcindo?'', ele saudou quando meu pai atendeu. ''Eu estava aqui, almoçando, quando encontrei o seu filho''. Nesta hora a música de Rita Lee meio que deu o ''fecho'' da coisa toda: ''sempre reclamando da vida, me ferindo e me curando as feridas''. A quem mais se aplicaria a letra de ''Meu doce vampiro''? Duro com quem merece- políticos e bandidos- e extremamente doce com seus fãs e com os desprotegidos da vida. Com um linguajar rude, meio ''peão'', abusando de expressões rudes como ''porra'' e ''cara...'' misturado com o assemelhado ''caramba''. Um homem bem sucedido, competente no que faz, comendo em um lugar bacana, alguém que eu imaginava cercado de seguranças por todos os lados, mas cercado apenas por um pequeno grupo de assessores, e que também tem um pé na chamada ''realidade'', mostrando diariamente as mazelas que este país tanto produz. Que se indigna com aqueles que lucram com a violência, a miséria, e torcem para que as coisas continuem assim. Este cara- o ''Datenão''- é a síntese do Brasil. Eu, como todo mundo, gosto destes caras que ''descem a lenha'' em políticos e autoridades incompetentes. Admiro Diogo Mainardi, que já vi outrora em uma casa de sucos de Ipanema, no Rio. Alguém tem mesmo que ''meter o pau'' nesta corja toda. Mas isto tem um preço, e você deve estar amparado em alguma instituição forte para poder pagá-lo. O preço maior é passar uma existência inteira revirando esta m...toda, sem ver coisa alguma mudar. Já estou cansado disto tudo, ainda que supostamente ''apenas'' no meio de uma vida. Deixo o palco para os bravos ''combatentes'', e volto a prestar atenção em dias frios, passarinhos cantando em meio ao barulho da metrópole e outras ''alienações'' do tipo. A vida continua...PS: Um encontro especial destes, e eu nem para sair com o meu celular para fotografar a coisa toda...Que ''jornalista'' é este??? O dia, na ''pequena'' metrópole onde tudo parece possível, está apenas começando...

terça-feira, 17 de junho de 2008

Tempo bom...

Hoje até fez um solzinho mais quente que o de ontem. Cheguei a sentir um pouco de calor no início da tarde, e marcou 19 graus na Paulista esta hora. Mas este não é o ''tempo bom'' do título...''Tempo bom'' é apenas uma convenção. Você chega a outra cidade, pega um táxi, e já vem aquele manjado comentário de que o tempo está ''bom''- leia-se sol aberto, forte- ou ''ruim'', o oposto. Embora esta CONVENÇÃO- a de que há um tempo ''bom''- esteja disseminada por todas as partes, ela não se aplica a todo mundo. Para mim, o tempo está bom quando faz frio. Está bom quando chove. Está bom quando ponho dois ou três casacos, e saio para caminhar, e o sol está por trás das nuvens...É, por mais estranho que isto possa parecer, eu detesto calor. Um pouco de sol, e já começo a transpirar. Tenho de usar, para me sentir melhor, umas 2 a 3 camisas diferentes nestes lugares muito quentes. Sem contar a chatice que é ter de tomar banho toda hora. O frio, por outro lado, é bom. Muito bom. O frio me desperta, enquanto o calor amolece. O frio arrepia. O frio me faz sentir vivo. Um dos melhores filmes que assisti no Festival Internacional de Cinema de São Paulo, ano passado, era um filme argentino. Nele, um casal trafega com uma menininha. Um carro se choca contra o veículo deles. Aí o filme já passa para um lugar bem frio, na Patagônia Argentina. O pai foi o único sobrevivente, ao que tudo indica. Ele vai trabalhar no Sul do país vizinho, em um Aeroporto. Devido ás condições inclementes de tempo, pouquíssimos aviões conseguem pousar naquele lugar tão inóspito. O cara fica o tempo todo recebendo misteriosas ligações em seu celular, mas nunca as atende. Nem quando é incentivado pelos colegas a fazê-lo. O final eu não conto. Mas não há nada como um lugar frio para curar qualquer ferida, para nos fazer esquecê-las, para nos fazer concentrar-nos no que é essencial ali: sobreviver. Gaúchos, uruguaios e argentinos costumam- para meu prazer- fazer volta e meia estes filmes ''on the road'', nos quais as pessoas fogem para lugares frios para resolver dilemas existenciais. Pode ser até uma praia, mas fora da temporada. Aquela praia imensa, com muitas dunas, mas deserta...Por este costume, que me é tão simpático, considero estes povos minhas nações afins. Irmãos. O ''frio'' aqui bate recordes. Chegou a 7 graus esta manhã. É bom, muito bom. Melhor ainda ler que, em Curitiba, chegou a 1 grau negativo...A 5,7 graus negativos em São Joaquim- SC...O tempo bom, para mim, se espalha por todo o Sul e o Sudeste deste país. Uma bela confraria de casacos, cachecóis, meias de lã, sobretudos se espalha pelas ruas da cidade, mesmo que sejam na verdade velhos- de outras temporadas. Eu tiro os meus do armário, com cheiro estranho de naftalina. Sequer posso usá-los direito. Mesmo os mais finos, com uma camiseta por baixo, me causam calor. Transpiro. Acho que já falei nisto, não? Será que estamos no início ou no fim deste post? Talvez sejam apenas reflexos de um tempo- bom ou ruim, não importa- congelado...Acho que o ''céu'', caso exista, deve ser deste jeitinho: tudo branquinho( ou ''cinzento'', para os críticos), frio, geladinho...E Deus- oh, blasfêmia!- deve ter a aparência de um esquimó ou um pinguim...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Frio com sol

Inacreditavelmente, não estava frio dentro de casa. Pensei até em botar uma camisa de mangas curtas. Porém, antes de sair consultei o site do Yahoo, e sua previsão de tempo. Pelo site, estava fazendo 11 graus, com máxima de 16 prevista para a tarde. Após o almoço, cruzei com várias pessoas- quase sempre mulheres- com braços cruzados e cara de quem estava sentindo muito frio. Era início de tarde, e o relógio de rua em frente ao Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, marcava 12 graus. Conforme ia andando, o tempo foi abrindo. Cheguei mesmo a lamentar não ter levado o meu protetor solar de bolso( isto antes de ver quanto marcava o primeiro relógio de rua, aquele dos 12 graus...). O sol foi me acompanhando, e ditando a leve subida de temperatura. O próximo relógio de rua marcava 13. Na altura da Brigadeiro Luís Antônio, meu ponto final de caminhada, já estava marcando 14. A volta foi contra o sol, mas pela rua paralela à Paulista- Luís Carlos Pinhal. Como sempre, fiz questão de passar pelo Elevado sobre a Avenida 9 de Julho. Que tem uma bela vista panorâmica, e altura equivalente à de um prédio de 7 andares. Em um café, entre executivos e adolescentes, havia uma senhora oriental com seu filhinho. Ela falava chinês, que eu aprendi a diferenciar do japonês pelos filmes chineses. O linguajar do país mais populoso do mundo é meio musical, tem uma sonoridade bem peculiar. O tempo mudava rápido como meus pensamentos. E senti que, desta vez, não haveria nenhum lugar especial de chegada, ou uma ''mensagem'' por trás daquilo que descrevo. Passeei. Passei.