segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Clássico Atlético-PR X Paraná Clube na Arena da Baixada...

Escrevo estas linhas de Curitiba, onde vim passar o meu Carnaval. Ou melhor, ''anti-carnaval''...Maiores detalhes sobre a viagem, nossas novas descobertas na área gastronômica da capital paranaense, e fotos do estádio serão editados e anexados a este e outros posts- quando voltarmos a São Paulo. Uma boa prova de que Curitiba não dá muito valor ao Carnaval é o fato de terem marcado este clássico para um domingo. Não um domingo qualquer- em pleno feriado destinado nacionalmente à folia de Momo...A Arena da Baixada, belo e moderno estádio- diga-se por sinal- deixou de ser um local atrativo para visitantes. Graças a uma política adotada pela Diretoria do Atlético-PR, que decidiu vender locais na Arena para quem aderisse ao seu projeto ''Sócio-Torcedor'', os únicos locais disponíveis são aqueles que ninguém quis: para falar bem claro, atrás dos gols...Adquiri um destes ingressos, por garantia, na sexta-feira. Temos dúvida se esta política é rentável para o clube Atlético Paranaense, em especial quando foi divulgado um total- contrário aos nossos cálculos ''por alto'' de um número de 17/18 mil pagantes- de apenas 13 mil pagantes. Se o ingresso mais barato custa cerca de 30 reais, como é possível que a renda total- incluindo camarotes- tenha sido de apenas R$130.000,00( R$85.000,00 líquidos, descontadas as despesas)??? Assim fica difícil montar equipes de futebol no Brasil...A maior prova é que o próprio clube Atlético-PR quase foi rebaixado para a Segunda Divisão no ano passado...O ''Furacão'' começou com tudo, partindo para cima do rival Paraná. Logo cedo fez 1 X0, dando a (falsa)impressão de que iria golear. Em desvantagem a equipe visitante foi para cima, mesmo sem muitos recursos técnicos. A torcida da casa foi se calando,salvo a torcida organizada ''Fanáticos''- localizada atrás do outro gol. Os cerca de 300 torcedores visitantes, (mal)acomodados atrás de um dos gols, começaram a se fazer ouvir- ao menos para quem, como eu, estava sentado perto deles...Contrariando todos os prognósticos, embora estivesse jogando recuada e jogando pior do que o adversário, foi a equipe da casa que fez o segundo gol- calando por instantes a corajosa torcida visitante. Neste momento, preocupantemente, torcedores do ''Furacão'' começaram a se aglomerar perto de onde eu estava, travando um ''duelo'' de slogans com os paranistas. Como o jogo não estava lá grande coisa, do ponto de vista técnico, as duas torcidas começaram a travar uma ''guerra particular''. A adrenalina de todos, incluindo a minha, subiu bastante...A separar os ''brigões'' dos dois lados apenas uma pequena fileira de PMs, e alguns seguranças do estádio. Detalhes: a torcida do Paraná leva o singelo nome de ''Fúria'', e os atleticanos tem como símbolo uma caveira...Se fosse levad0 ao pé da letra o Estatuto do Torcedor, que pune torcedores que ''incitarem à violência'' com penas que chegam até mesmo ao afastamento dos estádios de futebol, não sobraria muita gente ali...Torcedores da equipe da casa referiam-se aos adversários como ''favelados'', ''boiolas'', ''cabeças-dura'', além de outros termos impublicáveis...O intervalo do jogo contribuiu para acalmar um pouco os ânimos. Fiquei animado com o fato de que o Atlético-PR iria atacar, agora, do meu lado. Mas foi o Paraná que deu as caras por quase todo o segundo tempo. Salvo uma bola na trave do artilheiro Lima, do Atlético-PR, foi o Paraná que começou fazendo um gol logo de cara. O que animou os 300( como no filme que mostrou a famosa batalha em que 300 gregos enfrentaram todo o exército persa em um desfiladeiro...)torcedores visitantes, instalados no ''chiqueirinho''( OBS: Os clubes paranaenses adotam uma ''cota'' de apenas 10% dos ingressos para a equipe visitante. Mas- mal no Campeonato Paranaense e com a perspectiva de um possível confronto físico com a torcida da casa- foi difícil encontrar paranistas em número suficiente para a batalha...). Além disto, mesmo tendo feito um gol e com amplo domínio de campo, o Paraná Clube não soube arrancar um empate fora de casa. Motivo: falta de habilidade técnica mesmo...O Sportv fez uma seleção dos ''melhores momentos'' do jogo, exibida durante o programa dominical ''Troca de Passes'', e o segundo tempo se resumiu a um ou dois cruzamentos feitos pelo Paraná, e uma bola na trave do atacante Lima do Atlético. Muito pouco para um clássico. Mesmo assim, não trocaria esta (mal)disputada partida de futebol por nenhum desfile de Escolas de Samba. As fotos das belas passistas eu posso ''conferir'' depois nas principais revistas...PS: Com a vitória, o Atlético- PR isolou-se na liderança do Paranaense-2009, jogando o rival Paraná para as proximidades da zona de rebaixamento...PS2: Ficar atrás do gol, na Arena, não é tão ruim quanto nos demais estádios, como vocês poderão conferir quando mostrarmos as fotos tiradas...PS3: As fotos foram tiradas de diferentes ângulos da Arena da Baixada, conforme nos dirigíamos para o nosso lugar atrás de um dos gols...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O que fazer com a brasileira Paula Oliveira?

Paula Oliveira, recapitulando, é aquela brasileira supostamente agredida por um grupo de skinheads na Suíça. Dias após, o caso sofreu uma reviravolta espetacular, e Paula começou a ser investigada pela polícia daquele país. Suspeita-se, agora, que ela tenha forjado a própria agressão...A revista ''Época'' desta semana, já nas bancas, fez um longo tratado psicológico sobre o tema ''mentira''. Mostra-se ali casos semelhantes, outros de criminosos patológicos e alguns até ''engraçadinhos''- como o do indivíduo que se fez passar por filho do dono da Gol Linhas Aéreas...E ainda lucrou escrevendo um livro sobre seus golpes...Enquanto a reação após a suposta ''agressão'' sofrida por Paula variou da indignação a uma manifestação oficial do Governo Brasileiro, nossa atitude típica agora parece ser a de um mal-disfarçado constrangimento- ao que a ''Época'' ainda acrescenta um ingrediente: ''a moça não merece ir para a cadeia por causa disto. A solução é mais terapêutica do que um caso de política criminal''. Em suma, ''Época'' esboça uma típica saída ''brasileira'' para o caso. O Brasil, para quem não sabe, pune duramente adolescentes da periferia- às vezes até mesmo por furtarem um simples shampoo em um supermercado- enquanto indivíduos de classe média( traficantes, assaltantes de banco, entre outras ''travessuras'' a que costumam se dedicar filhos até mesmo de autoridades e empresários importantes)costumam ser defendidos por seus pais até mesmo quando presos em flagrante...''Meu filho não é bandido'', dizem aos prantos. ''Ele só andou com gente errada''...A saída ''brasileira'' para casos semelhantes envolve, muitas vezes, internações em clínicas e tratamento psiquiátrico. ''Cadeia? Não, esta é só para os bandidos''...Afinal, o que estava em jogo no caso Paula Oliveira? Suspeitam os suíços que ela pretendia pedir uma indenização milionária pela suposta ''agressão''. Este não é o primeiro caso deste gênero, o que levou a Polícia Suíça a desconfiar desde o início. Não se trata de uma ''mentira qualquer'', como quer fazer parecer a revista ''Época'' . Caso seja verdadeira esta suspeita da Polícia, a ''mentirinha'' na verdade esconderia um golpe muito maior...Mobilizou-se a opinião pública e os órgãos diplomáticos para encobrir esta- salvo prova em contrário- FARSA. É aqui que nos posicionamos fortemente em contrário à ''solução terapêutica'' proposta por ''Época'' para o caso da brasileira. Estamos escandalizados com este golpe cometido além das fronteiras do nosso país. Que compromente ainda mais a imagem dos demais brasileiros- tão desgastada por golpes semelhantes- que, quando ousam fazer qualquer reclamação diante de maus-tratos em Aeroportos, são tratados como pessoas de ''segunda categoria''( sob a complacência das autoridades daqueles países). Contra a saída ''brasileira''( a contemporização, a solução ''terapêutica para evitar o cárcere), defendemos que os suíços são os mais habilitados para resolver esta questão toda...Afinal, a atitude supostamente cometida por Paula iria se voltar, ao final, contra o povo suíço- a quem caberia pagar a conta...O caso todo, como está se revelando, não envolve nações. Trata-se de um delito comum que foi cometido em solo suíço. Deixemos os suíços resolverem...O ''ruim''( para os que ainda acreditam na inocência de Paula Oliveira) desta solução ''suíça'' é que, ao contrário do complacente sistema penal brasileiro, dificilmente o acusado escapará da cadeia, pura e simples. O Sistema Penal pode não ser a ''Panacéia''- solução universal para todos os delitos- entendida por muitos. Somos ardentes defensores de penas de multa para diversos crimes, incluindo os econômicos. Punir-se-ia melhor com uma multa severa, de várias vezes o valor desviado pelo réu, e com muito mais agilidade. No entanto, determinados ''desvios de conduta'' como o do caso em questão- que vão muito além de uma simples ''mentirinha'' cometida por algum adolescente desajustado- merecem um tratamento exemplar. Até mesmo para evitar casos semelhantes, e como uma dura advertência para os que os tiverem cometido. A ''saída suíça'' para a hipótese costuma ser a cadeia, o cárcere puro e simples. Deixemos os suíços- com a total garantia de defesa que a brasileira terá no decorrer do processo- resolverem o caso Paula Oliveira. Certamente lá a solução dada será muito mais adequada, e sem qualquer possíbilidade de contemporização ou saídas ''fáceis'' para o delito supostamente cometido...Alcnol. PS: Segundo um livro que estou lendo, que mostra a procura do autor pela Felicidade em diversos países, os suíços são extremamente ciosos pelo cumprimento de Regulamentos e Leis. Após as 22 horas é terminantemente proibido dar a descarga na nossa própria casa ou apartamento, para não perturbar os vizinhos...A jovem brasileira escolheu, caso seja mesmo culpada, definitivamente o lugar errado para aprontar a sua ''travessura''...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Notícia exemplar...

Há pouco tempo- no post sobre o último clássico São Paulo x Corínthians- nos posicionamos totalmente em contrário à proposta de ''cotas'' para torcedores das equipes visitantes. O melhor, defendemos, seria punir duramente os ''torcedores'' que fossem aos estádios só para criar problemas. Eis que o jornal curitibano ''Gazeta do Povo'', em sua edição do último dia 19 de fevereiro, nos informa sobre uma criativa decisão adotada pela Justiça Paranaense: ''Torcedores do Atlético envolvidos em uma briga que causou danos ao terminal de ônibus de Pinhais, antes do Atletiba do dia primeiro de fevereiro, estão proibidos de frequentar os estádios até o final do Campeonato Paranaense( nosso grifo). A decisão, inédita no Paraná e baseada no Estatuto do Torcedor, foi tomada em audiência preliminar do Juizado Especial de Pinhais, já para valer para o clássico de domingo, com o Paraná, na Arena da Baixada. Os 25 torcedores detidos em flagrante na confusão terão de se apresentar ao Batalhão da PM de Pinhais meia hora antes dos jogos do Rubro-Negro e lá deverão permanecer por mais 15 minutos após o apito final''. Segundo a Promotora de Justiça Cláudia de Paula e Silva, ''foi um acordo que fizemos com todos os torcedores envolvidos na confusão e vale até o final do campeonato. Não é uma prisão, enfatiza a Promotora. Essas pessoas poderão ouvir rádio ou assitir ao jogo pela televisão do Batalhão da PM. Em outros casos, quem se envolvia em confusão pagava uma cesta básica ou prestava um serviço à comunidade, mas no jogo seguinte já estava envolvido em briga''. A decisão é amparada pelo artigo 39 do Estatuto do Torcedor, que prevê o afastamento dos estádios por períodos que vão de três meses a 1 ano para o torcedor que ''promover, praticar ou incitar violência''. A nosso ver, a aplicação do Torcedor é complementar, subsidiária. Agressões, lesões corporais, assassinatos devem ser punidos pela Lei Comum( Código Penal), que prevê penas bem mais rigorosas. Para casos menos graves, aplicar-se-ia o Estatuto do Torcedor- como no caso em questão. O que importa é a lição de combate à impunidade que a decisão da Justiça d0 Estado do Paraná oferece. Esperamos agora que os demais Estados sigam este belo exemplo, e afastem também os ''brigões'' das partidas de futebol. PS: O Paraná mostra também que a adoção de ''cotas'' para torcedores pouco contribui para a diminuição da violência. O Atlétic0-PR jogou como visitante no Estádio Couto Pereira, do rival Coritiba. Aos visitantes foi reservada a cota usual de 3.500 ingressos- cerca de 10% da capacidade do estádio. Mais de 500 policiais foram mobilizados para garantir a segurança do jogo .E mesmo assim, torcedores das duas agremiações promoveram baderna e arruaça em vários locais da cidade, horas antes e após a partida...Pinhais, para quem não conhece, é uma localidade vizinha a Curitiba...Alcnol.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O que significa o nome ''Dalva e Dito''?

O chef Alex Atala esclareceu o significado do nome do Restaurante recém-inaugurado em entrevista para a revista ''Elle'' de fevereiro: ''Dalva e Dito é um casal imaginário. Dalva é a estrela da noite e Dito vem de São Benedito, o padroeiro dos cozinheiros. Para mim é uma dupla de contraste, que define o conceito do restaurante: uma mistura de Brasil colonial, no cardápio, e contemporâneo no serviço''. Atala acrescentou ainda que na nova casa resolveu ''(...)homenagear a comida caseira, maternal, aquela feita por nossas mães, avós e tias. Todos os pratos serão servidos em travessas e vão à mesa no guerridon, um carrinho com fogão portátil, uma referência às antigas cozinhas coloniais''. O resultado pode ser conferido no ''Dalva e Dito'' da Rua Padre João Manuel, esquina com a Barão de Capanema. Fotos( de cima para baixo): 1- os dois santinhos, adornando uma das paredes da nova casa; 2- banco do lado de fora do restaurante, com o nome ''Dalva e Dito''; 3- entrada do restaurante; 4 e 5- a bela área para fumantes(???!), arejada e com luz natural- segue-se a tradição de que os fumantes(!)ficam com os melhores e mais belos lugares...6- os deliciosos pastéis de vatapá( novidade), de entrada. As fotos foram tiradas em um almoço com amigos, em uma segunda visita ao ''Dalva e Dito''. Ainda há muito a explorar no cardápio da casa...Alcnol.

Era uma vez um casarão...

Durante anos o casarão da esquina das Ruas Haddock Lobo e Alameda Santos ficou cercado por tapumes. O que despertou, entre outros, a nossa curiosidade sobre qual seria o seu destino. Casarões antigos e históricos não são incompatíveis com atividades comerciais. Veja-se o belo exemplo do Starbucks, que reformou um antigo casarão na esquina da mesma Alameda Santos com a Alameda Campinas, fazendo uma de suas mais belas lojas de rua...O destino do casarão da Santos com Haddock Lobo foi decidido às pressas. Primeiro uma reunião do órgão encarregado da proteção ao Patrimônio Histórico. Depois, uma demolição furtiva em cerca de 48 horas. Mesmo com uma liminar obtida pela Associação de Amigos do Bairro Cerqueira César, o destino do belo casarão já estava decidido. Não há mais casarão. Não existe mais direito a ser preservado por meio de uma liminar...O resultado é este aí...Qual será o destino desta área? Quem ousou demolir o histórico casarão? Infelizmente, os versos de Caetano Veloso em célebre música sobre a cidade de São Paulo revelam-se uma vez mais verdadeiros: ''a força da grana que ergue e destrói coisas belas''...Alcnol.

''Acidente'' de trânsito em plena luz do dia: automóvel indave mercadinho na Rua Frei Caneca...

Salvo melhor juízo, a imagem é estarrecedora. A violência do ''acidente'', ocorrido em plena luz do dia, foi tal que a porta da frente do mercadinho na Rua Frei Caneca ficou toda arrebentada. Sinais evidentes da imperícia com que se conduz veículos automotores no Brasil. As maiores vítimas são os anônimos pedestres, mas estes em geral não sobrevivem para contar suas estórias de horror. Isto aí poderia ocorrer com qualquer um de nós, ou com nossos familiares. Pessoas trabalham dentro de mercadinhos como este, e ficam expostos à ''fúria'' dos nossos motoristas- muitas vezes completamente embriagados. Até quando vamos todos tolerar tanta irresponsabilidade no trânsito???

Ainda o clássico São Paulo X Corínthians...

Quando dirigentes, técnicos e autoridades( Polícia, Ministério Público, etc.)assumem o primeiro plano na discussão sobre uma partida de futebol, o resultado não poderia ser outro: um jogo de segunda categoria, péssimo...Mas, ao invés de comentar a partida, sobre a qual já falei inclusive em um post anterior, meu propósito aqui é outro. Já me manifestei neste blog francamente contrário à crescente prática dos ''chiqueirinhos'' no futebol. ''Chiqueirinhos'' são aquelas áreas minúsculas, no pior lugar dos estádios, destinadas aos torcedores da equipe ''visitante''...Considerações de segurança- se é preferível reservar 5% ou 10% da carga de ingressos para a torcida do time ''visitante'', ou mesmo realizar, como na Argentina, partidas com venda exclusiva de ingressos para a torcida do time da casa- não devem se sobrepor àquela que é a principal função de uma partida de futebol: o divertimento. O futebol é, e deve continuar a ser, um esporte de congraçamento, de união de povos, raças e indivíduos. A violência toda promovida por integrantes das chamadas ''torcidas organizadas''( aglomeração de delinquentes com o objetivo de perturbar a Ordem Pública)não pode ser utilizada como pretexto para restringir a liberdade dos demais torcedores...Um estádio é, salvo melhor juízo, uma área pública- e a Constituição do nosso país garante a livre expressão e manifestação para todos os cidadãos, sem necessidade de ''autorizações'' prévias por parte das ''autoridades'' para a promoção de eventos em locais públicos...Se um estádio é um local público, ou semi-público, qual seria a justificação para restringir o acesso de torcedores de outras equipes? ''Ah, mas assim você está defendendo a liberdade para os meliantes promoverem badernas nas ruas e no interior dos estádios'', já posso ouvir o argumento em contrário. Não, absolutamente não. Defendo a aplicação pura e simples da Lei. Restrição à livre circulação de torcedores não vai acabar com a violência. Defendo que ''torcedores'' - tais como os membros de torcidas organizadas- que forem flagrados cometendo delitos sejam punidos duramente. Inclusive, como é feito na Inglaterra, com a proibição- durante um determinado período- de frequentar estádios de futebol...A nossa Lei, que não está sendo cumprida, já permite aplicar punições severas a torcedores. Se não, que se crie imediatamente uma Lei específica para regular este assunto...O que não dá é para, a pretexto de se reduzir a violência, tolerar as crescentes restrições à livre manifestação dos demais torcedores- aqueles que não depredam, não matam, não delinquem...Torcedores, os demais, os honestos e respeitadores da Lei, vão aos estádios para torcer. Para poderem se manifestar livremente, a favor da equipe de sua preferência. E, a pretexto de reduzir a violência infelizmente ligada a estes eventos( públicos, repita-se), estão sendo tolhidos em seu direito à livre manifestação. O caso, mostrado ontem em um programa esportivo da TV Bandeirantes, de um torcedor corintiano- trajando a camisa de seu time- que foi ''convidado'' a deixar as cadeiras do estádio do Morumbi é odioso...O cidadão pagou o ingresso- caro- e estava ali para divertir-se, mas acabou sendo tratado como um meliante, e, pior, com a aprovação dos torcedores são-paulinos( o meu time, aliás)presentes...Cansei de assistir partidas semelhantes no mesmo local, ao lado de corintianos, palmeirenses, santistas, e posso garantir que é justamente a diversidade- a possibilidade de conviver com pessoas que defendem pontos de vista contrários aos nossos- a grande marca da nossa civilização, de qualquer regime que se diga minimamente democrático...Partidas com uma torcida só, ou com ''cotas'' de 5% ou 10% para os visitantes, ao contrário de contribuir para diminuir os conflitos só acirram os ânimos. Defendo o meu direito de torcer livremente pelo meu time, e em qualquer parte do estádio- por exemplo no Palestra Itália, campo do Palmeiras- e vice-versa...Fechar a porta para a possibilidade de convivência entre contrários em uma partida de futebol é, em suma, acabar com o principal motivo para se praticar futebol. Que foi inventado na Inglaterra, no final do século XIX, mas acabou sendo adotado por nações de Terceiro Mundo como a nossa. O futebol proporciona que seres considerados ''inferiores''- como nós fomos considerados durante muito tempo por nossos colonizadores- possam dar o devido ''troco'' dentro das 4 linhas. Ali dentro somos quase imbatíveis, já mostramos isto há muito tempo. Se a principal característica, portanto, de uma partida de futebol é a diversidade, a convivência de opostos, sob que pretexto nós toleraríamos a eliminação destas diferenças fora de campo? Matando esta convivência, a saudável provocação entre vizinhos torcedores de equipes diferentes, estaremos, no fundo, eliminando a principal razão para se disputar uma ''simples'' partida de futebol...Alcnol.

Viagem a Campos do Jordão- continuação...

Campos do Jordão, se esquecermos as montanhas ''fatiadas'' para satisfazer a necessidade de diversos ricaços de possuir mansões ''na serra'' e os programas padronizados para entreter turistas mais apressados, tem muito a oferecer. Esqueço por momentos a cidade que já qualifiquei como um ''shopping center a céu aberto'' para lembrar do essencial, daquilo que me levou até lá: a natureza exuberante...Lembro de um turista, em Curitiba, que- quando estávamos passando ao lado do Parque Tingüi- sacou a sua câmera digital último tipo para fotografar uma exuberante mansão de 3 andares com vista para o Parque...Ignorou o Parque, certamente para ele algo ''menor'', para ficar com a mansão- algo que ele sonha em adquirir há muito tempo, se já não possuir algo semelhante...Assim como este turista, mas de modo exatamente contrário, decido ignorar as muitas menções do Guia a respeito das personalidades que possuem casas em Campos do Jordão para registrar coisas muito mais simples e, para mim, com maior valor: árvores, montanhas verdes, pôr-do-sol. ''Romantismo?'' Falta de ''espírito prático''? Em Campos do Jordão decido registrar apenas aquilo que me levou de São Paulo( 170 KM de distância, ou 3 horas de ônibus)até ali. Para ver mansões, ou mesmo fazer compras, não é preciso sair da capital paulista...PS: ''Louco'' por cidades grandes que sou, talvez seja por isto que, sempre que tenho de sair de São Paulo por qualquer motivo, sempre guardo, no íntimo, aquela sensação de estar ''perdendo'' alguma coisa, algum grande e imperdível evento na capital paulista...

Painéis na Avenida Rubem Berta...

Certamente muitos de vocês, que moram ou já visitaram a cidade de São Paulo, já podem ter deparado com estes painéis aí-na Avenida Rubem Berta, a caminho do Aeroporto de Congonhas. Se o trânsito estiver ruim- como acontece quase todo o tempo- dá até para dar uma espiadinha...As imagens, embora muito bem feitas, retratam alguns momentos da história de nosso país dos quais não temos o menor motivo para nos orgulhar( a venda de escravos, por exemplo). Mas, reconheça-se, tem um belo impacto visual...A Avenida Rubem Berta, para variar, é mais um exemplo da total falta de preocupação das nossas autoridades com os pedestres: calçadas estreitas que, de vez em quando, são interrompidas por pequenos ''matagais'' como o mostrado na primeira foto. A solução? Sair da calçada e ''aventurar'' por instantes em meio aos carros...Um ''programa'', enfim, para ser feito uma única vez, sem repetições...Já a ida ou volta de Congonhas, esta é inevitável. Assim como os engarrafamentos...

Público X Privado ou ''aqui não é permitido fotografar''...

A cidade que mais possui câmeras de vigilância é Londres. No entanto em qualquer grande centro do nosso país, mais por iniciativa privada do que pública, deparamos o tempo todo com aquelas plaquinhas ''Sorria! Você está sendo filmado''. O que fazem com estes filmes, aí é outra coisa...O propósito, às vezes, nem sequer é o de garantir mais segurança aos estabelecimentos: graças a estas filmagens, as empresas estudam o melhor jeito de empurrar-nos mais produtos em época de crise...Agora, quando se trata do uso de câmeras digitais ou telefones celulares por parte do público consumidor, registrando a atividade das referidas empresas, a estória é diferente. Volta e meia sou abordado por seguranças nos lugares mais inesperados, alertando bruscamente para o fato de que ''são proibidas fotos neste lugar''. Até mesmo, quem diria, na recém-inaugurada Livraria Cultura do Shopping Bourbon Pompéia. Mostrada, mesmo assim, em um post de dezembro. Aliás, o que deseja esta livraria com uma medida draconiana como esta? Não acredito que eles sejam tão ingênuos a ponto de garantir, com medidas grosseiras como esta, o segredo de- por exemplo- detalhes da loja...Qualquer arquiteto ''espião'' pode circular tranquilamente por ali e, mesmo sem tirar foto alguma, estudar alguns dos detalhes daquele estabelecimento. Outro dia fui assistir o belo filme argentino ''Ninho Vazio'', no Espaço Unibanco da Rua Augusta. Pretendia, após a exibição, fazer alguns comentários sobre o mesmo. Mas já durante a projeção desta película, na abertura, somos advertidos de que quaisquer filmagens ou fotos são terminantemente proibidas. OK. Se quiser comentar algo sobre o filme, blogueiros sairão com uma ''pequena'' desvantagem sobre os meios de comunicação de massa. Mas nada que não possa ser compensado. O importante é o conteúdo, a mensagem...Ao sair, já em pleno saguão de entrada, resolvi tirar algumas fotos do café e de um pequeno bar. Aponto o celular para o bar, repleto de cartazes de filmes, e eis que vem um segurança em disparada alertar que ''não é permitido tirar qualquer foto dos cartazes''. Ante um simples ''por que?'', e sem respostas, insisto em falar com o gerente do Espaço Unibanco Augusta. A resposta: ''em função dos nossos contratos com as distribuidoras, não são permitidas imagens dos cartazes de filmes''. -''Qual a natureza daquele Hall de Entrada do cinema?'', eu pergunto. A sala de projeção pode ser uma área restrita, mas ali já é um espaço público, aberto. Onde é que seriam permitidas fotos? A resposta veio rápida: - ''Da rua para dentro, é permitido''...O mais ''engraçado'' desta discussão toda é o seguinte: tão zelosos que são da ''incolumidade'' dos cartazes, a ponto de impedir qualquer espécie de registro, os nossos ''xerifes'' e seus ''capatazes'' daquele cinema não sabem- ou fingem não saber- que a poucos metros dali camelôs vendem tranquilamente em suas banquinhas os últimos ''sucessos'' do cinema...Mas toda esta novela sobre ''poder ou não fotografar ou filmar'' não é apenas uma estória engraçadinha. Diante de tudo isto, nos perguntamos onde está a Isonomia( direitos iguais ante situações semelhantes)disto tudo. Podemos ser filmados o tempo todo, mas não podemos filmar os que nos filmam...O que pretendem com tantos segredos? O que é que eles escondem? O que tramam? Um Shopping Center, por exemplo, é um espaço público ou privado? Pode um Shopping restringir fotos ou filmagens de seus frequentadores? E um restaurante? Aliás, no dia em que algum restaurante fizer algum tipo de restrição semelhante, deixarei imediatamente a casa para não mais retornar...O fato, concluo, é que, enquanto somos forçados a ''pedir autorização'' para tirar simples fotografias em certos lugares, estes mesmos estabelecimentos muitas vezes não tem o menor pudor em filmar-nos sabe-se lá com que propósitos...Isto é justo? Vendem-nos- literalmente- o tempo inteiro a idéia de que, como consumidores, somos ''livres para agir como melhor pretendermos''. ''O consumidor é o rei, é ele quem manda''. Na prática regulamentos absurdos e misteriosos- que não são ''Leis'', e por isto mesmo podemos ou não obedecê-los conforme concordemos ou não com o seu conteúdo- restringem o tempo inteiro a nossa liberdade. ''Brave New World''! PS: As fotos tiradas estão aí. A primeira, de cima para baixo, a ''permitida''( tirada ''de fora'', da Rua Augusta). A segunda, do bar com os cartazes em cima, a ''proibida''. A terceira, do café, não lembro mais se era ''permitida'' ou ''proibida''...O filme? É muito bom, mas diante de toda esta discussão acabou ficando em segundo plano...Alcnol.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O clássico São Paulo X Corínthians foi o assunto do dia de domingo em São Paulo...

O São Paulo, como se sabe, restringiu a cota de ingressos dos torcedores corintianos a meros 10% da capacidade do estádio do Morumbi( 68 mil). Com isto, e o bate-boca entre dirigentes das duas equipes durante a semana, o clima que antecedeu o clássico foi bastante tenso. Policiais se espalhavam a quilômetros do estádio, em um esquema de patrulhamento inédito. Desta vez, decidimos arriscar tomar chuva- e compramos um ingresso de arquibancada( majorado pela diretoria são- paulina em cerca de 100%: passou de R$20,00 para absurdos R$40,00). Na entrada do Morumbi um PM já foi alertando que eu não poderia entrar com o meu guarda-chuva, pois estavam proibidos ''instrumentos pontiagudos''. Aquele mesmo guarda-chuva que havia quebrado o meu galho meio-dia, quando caiu um pequeno temporal sobre a capital paulista...Não podia entrar, também, com o pedaço de papel que eu levara, com o intuito de evitar sentar nas normalmente imundas arquibancadas...Torcedor sofre...Também, não ia adiantar muita coisa. A torcida, descobri para minha surpresa, assiste a tudo de pé. Eles só sentam no intervalo, nos mesmos lugares onde estavam pisando, para não perderem os assentos...Como é que eles aguentam assistir uma partida de futebol durante 90 minutos, de pé, além de ingerirem quantidades enormes de bebidas alcoólicas, sem precisarem ir ao banheiro no intervalo, eis alguns dos mistérios que envolvem uma partida de futebol...Dentro de campo a superioridade são-paulina( apesar da decisão do treinador Muricy Ramalho de ''poupar'' vários atletas para a partida de quarta-feira pela Libertadores)era flagrante, mas não traduzida em gols...O Corínthians, não se sabe se abalado pela falta de torcedores ou pelo esquema do treinador Mano Menezes, era um time estranhamente retranqueiro e acuado...No segundo tempo a agonia da torcida são-paulina com a inoperância ofensiva de Dagoberto e companhia só aumentou. Mas havia Borges, e a entrada de Hernanes. Isto deu uma ''chacoalhada'' no tricolor paulista, e o gol se tornou uma questão de tempo. Tabela de Dagoberto( deveria entrar sempre na metade do segundo tempo, pois é quanto ele ''acorda''...)para a conclusão de Borges. A eufórica torcida são-paulina, em franca maioria, começou a cantar ''nosso freguês voltou'', mas não tivemos muito tempo para comemorar. Logo a seguir, em um belo passe de ''Boquita'' para André Santos- no meio da zaga do São Paulo- o Corínthians empatou. Especialistas em segurança, e Promotores de Justiça, louvam o resultado de um clássico de praticamente ''uma torcida só''( menos violência, etc.). No entanto, sentimos durante o jogo uma estranha saudade do tempo em que o canto das duas torcidas balançava o Estádio do Morumbi. Ora com o predomínio de uma, ora com o predomínio da outra- conforme o desenrolar do clássico dentro de campo...Nas cadeiras, melhor ainda, era possível assistir o clássico ao lado de torcedores rivais, que íamos ''sacaneando'' na hora dos gols de nosso time...E vice-versa...Tudo isto se perdeu, com uma simples ''canetada'' da diretoria são-paulina. Ingressos majorados, restrição à cota de ingressos dos adversários, fim da venda de ingressos pela Internet e nos postos de venda da empresa ''Ingresso Fácil'', e o resultado foi um jogo fraco dentro de campo- além da presença de apenas 33 mil pagantes. Estarão morrendo os clássicos? Alcnol.PS: Após o jogo, quando despencou um temporal por volta de 18h30m, lembrei de imediato da atitude prepotente daquele guardinha que ''confiscou'' meu guarda-chuva na porta do estádio...Não deixarei de assistir partidas de futebol por causa disto, nem do desconforto das arquibancadas, mas, caso me perguntem se vale a pena ir aos estádios, eu responderei de pronto: ''não vale, o torcedor é tratado como lixo, mas nós já estamos ficando estranhamente viciados nisto''...PS2: Na última foto( de baixo)o que sobrou de espaço para a torcida corintiana- creio que, ''por alto'', só havia no máximo 4 mil torcedores daquela equipe. Nem por isto os inevitáveis conflitos com a Polícia foram evitados, e mais de 40 torcedores corintianos tiveram de ser hospitalizados após a partida...