quarta-feira, 30 de maio de 2012

Buenos Aires: jantar de sábado à noite...

O local: Restaurante Oviedo, em Palermo( Calle Beruti, 2602).
Por sinal, este foi um dos lugares onde RETORNARÍAMOS no decorrer desta viagem...
A foto acima mostra o primeiro piso, provavelmente o único onde sobravam mesas vazias nesta noite de sábado...
Abaixo, a única alternativa- para os que não fizeram reservas- era sentar-se em uma das mesas de fundo. Foi o que fiz...
Nossas impressões:
1- Não se pode fazer qualquer generalização a respeito do público frequentador da casa. O motivo: ''Oviedo'' é frequentado tanto por moradores da capital argentina, muitos de idade avançada, como por turistas e casais jovens...
2- A única coisa em comum a todas estas pessoas é o bom gosto. Motivo da lotação deste estabelecimento.
Na mesa ao lado, prestei atenção a um casal de idade avançada. O senhor, com um elegante terno ''fifties''( dos anos 50 do século passado, aproximadamente), possivelmente adquirido em alguma viagem ao Exterior. A senhora, muito bem vestida também.
Fiz um ''atrevido'' comentário sobre algo que eles estavam falando, e a conversa começou a fluir animadamente entre as mesas...Muito simpáticos, chegaram inclusive a elogiar o meu lamentável ''portunhol''- que em terras argentinas, com o seu inimitável sotaque local, é facilmente identificável pelos portenhos...
Conversa vai, conversa vem, o seu desencanto com a política nacional ficou evidente. Chegaram até a afirmar que ao menos no Brasil ''hay Gobierno''...O que replicar? Logo eu, que estou cada vez mais convencido de que ''não há mais Estadistas dignos do nome''...Os atuais, só pensam em pesquisas de opinião e nos seus interesses eleitoreiros imediatos- sem uma visão de longo prazo. Dá até saudade dos ''Planos Quinquenais'' de Stálin, um arremedo de planejamento mas, ao menos, um pouco dele...
O que pude notar neste breve bate-papo é que os argentinos com um mínimo de educação e cultura se sentem ''ilhados'', ''isolados'', ''hostilizados'' por um Governo que se mantém graças a subsídios e ''projetos sociais'' voltados para as ''grandes massas''...
Qualquer semelhança com outros países não é mera coincidência...
Ao menos, resta ao Governo Brasileiro uma vantagem: ele se distanciou do discurso e da prática populistas dos anos 80( ''congelamento de preços'', ''moratória'', etc.),que nos levaram à hiperinflação de 80% ao mês no final do Governo Sarney( 1990)...E até já privatizou diversos empreendimentos: estradas, aeroportos...
Em terras argentinas, o discurso é outro: nacionalização, expropriação de empresas estrangeiras( que deve ter soado aos ouvidos norte-americanos como ''roubo!''), restrição às importações. Um quadro desanimante, que leva ao fechamento de várias grifes estrangeiras que outrora embelezavam as ruas de Buenos Aires...
O que fazer?
Lembrar, de início, que estávamos no ''Oviedo'' para comer. E lugares como este continuam a fazer da capital argentina um dos melhores destinos para isto...
Começamos com uma saladinha orgânica com os melhores ''produtos da horta''.
Junto com um ceviche, prato típico peruano...
Destaque para os pescados fresquíssimos, uma marca registrada deste excelente restaurante.
Voltando para a situação argentina, fiquei surpreso na chegada ao deparar com as ruas lotadas e muito iluminadas. Mesmo com a inflação crescente, e as nada alvissareiras notícias econômicas, o povo argentino é do ''tipo boêmio''. Cafés e restaurantes cheios, uma centena de atrações culturais só na Avenida Corrientes, shows musicais na rua, Feira do Livro...
A Cultura nos atrai e, pelo visto, vai continuar a levar-nos à capital da Argentina por muitas e muitas vezes. ''Apesar de tudo''...
Políticos passam, o país( e a cidade)continuam...
Com a simpatia daquele casal de ''velhinhos'' que, certamente, já vivenciaram dias melhores...
Como prato principal, costeletas de cordeiro.
O mínimo que posso dizer é que nesta casa não deparei com nenhum prato ''mais ou menos''...
E olha que nem tive oportunidade de experimentar as massas...
Alcnol.
PS1: Na ''empolgação'', esqueci de anotar o preço deste jantar. Mas não foi nada que chamasse a atenção por ser ''caro'' ou algo do gênero...
PS2: Atendimento. O serviço é, em Buenos Aires, um pouco ''devagar'' para os padrões ''paulistanos''...Porém, o próprio ritmo da cidade é outro: as pessoas me pareceram mais tranquilas, serenas, e são capazes de passar horas em um café enquanto lêem alguma coisa( assim como na Europa...).
PS3- ''Mañana'' iremos a Puerto Madero para o ''lunch''( almoço)...
 

Passeio pela Recoleta( Avenida Pueyrredón e arredores)...


terça-feira, 29 de maio de 2012

Museu do Livro, anexo à Biblioteca Nacional da Argentina...


Pausa para um cafézinho...

Creio já ter dito aqui, ''en passant'', que estava um pouco frio em Buenos Aires. Coisa de uns 13 a 17 graus Celsius de máxima nestes dias todos que passamos por lá...
Este ''friozinho'' todo aumenta a nossa fome, proporcionalmente, dando-nos uma vontade bem maior de comer ''besteiras''...
Passeando pela Avenida Las Heras, tinha duas opções para fazer um ''lanchinho'' bem no meio da tarde de sábado: uma cafeteria de uma famosa rede internacional( Starbucks)e um café típico argentino. Escolhi este último para conhecer, e não foi por ''pruridos nacionalistas'': mais pela vontade de ver algo novo, com particularidades locais.
Revendo as imagens daquilo que comi naquele dia, fica a impressão sincera de ter ''passado um pouco do ponto desejável'' quanto à quantidade...
Bom, pedi um suco de laranja, uma torta de chocolate com ''dulce de leche''( dá para resistir aos doces de leite argentinos?)e um café( colombiano).
Embora Buenos Aires conte com inúmeros mercadinhos que vendem belas frutas na calçada, é um pouco difícil( e caro)adquirir estes mesmos produtos em cafés ou restaurantes. Dois sucos de laranja e uma salada de frutas, por exemplo, em um café do centro da cidade custam cerca de $100,00( cem pesos argentinos, ou mais ou menos R$42,00- quarenta e dois reais).
Caro, não?
Além disto, confesso uma outra ''fraqueza''. Em viagens, acabo me concedendo uma espécie de ''licença para comer de tudo''...
''Controlado aqui no Brasil, descontrolado lá fora''...
Como estas viagens acabaram saindo bem próximas uma da outra, mal tive tempo de ''recuperar'' meu peso anterior antes de embarcar para Buenos Aires...
Se quiser manter-me em forma, terei de adotar medidas mais rígidas quanto à alimentação em viagens também...
Com todas as dificuldades já elencadas logo acima: frutas caras, e de difícil acesso( ainda lembro de pedir sucos em Santiago e receber uns ''licuados'' com gosto artificial em troca...).
Mas não custa pedir umas ''saladinhas'' de vez em quando, inclusive como ''plato ao fondo''( prato principal...).
O ''desayuno''( café da manhã)também exerce uma grande importância aqui. Há os que prefiram o ''estilo americano'': fazer desta a principal refeição do dia, repleta de ovos, salsichas, bolos, etc. No inverno, é uma tentação encher-nos de medias-lunas, sanduíches tostados, bolos doces, etc. Ainda me lembro dos que comi em Montevidéu nesta época do ano...
 Por outro lado, tenho obtido sucesso em manter-me em forma com o método de um nutricionista norte-americano( Harvey Diamond). Em sua obra ''Fit for Life'' ele defende o consumo exclusivo de frutas na parte da manhã, para ''limpar'' o organismo de toxinas. Funciona...
E não precisamos fazer quaisquer espécies de cálculos: frutas, de todos os tipos, à vontade...
Não dá fome, e ainda emagrece...
No resto do dia, o bom-senso ajuda: pratos equilibrados, com mais ou menos 50% de alimentos ''in natura'' ( saladas), não fazem mal a ninguém...
Aquele ''bifão'' que você tanto adora- e como há boas carnes em Buenos Aires- pode muito bem ser acompanhado por umas folhas e tomates ao invés de batatas-fritas...
Bom, a ''pausa'' para o café fica por aqui.
O Café Martinez, que mostramos neste post, foi fundado em 1933...
E a conta desta ''extravagância'' saiu por meros $55,00( cinquenta e cinco pesos, METADE do que se paga em Buenos Aires por dois sucos de laranja e uma salada de fruta!).
Ah, sim: $55,00 dá mais ou menos R$ 25,00( vinte e cinco reais)...
Alcnol.
 

sábado, 26 de maio de 2012

Por que os ''aires'' são ''buenos''? Porque a capital argentina é repleta de parques, ora...

O Parque ''Las Heras''- ao lado da Avenida de mesmo nome, e com um simpático ar ''urbano''- é um deles. 
Deixemos que as imagens, deste e do próximo post, falem por si mesmas.
Continuaremos na Avenida ''Las Heras'', com um ligeiro ''pit stop'' em um café tipicamente argentino...
Alcnol.

O coração de Palermo Viejo( Buenos Aires)...

Uma falha de minha última viagem à capital argentina foi não ter localizado este ''centrinho'' do bairro de Palermo que veremos a seguir...
Digamos que eu ''passei do ponto'', indo muito além do que desejava...
''Erros de viagem'', além de comuns, não devem nos envergonhar.
Na verdade, nada mais são do que ''pretextos'', ''convites'' para que retornemos áquele lugar para, finalmente, conhecermos ''tudo''( como se isto fosse possível...).
Mas não tenho do que me ''recriminar'': ums dois dias adiante, DOIS motoristas de táxi não souberam levar-nos a esta mesma Plaza Cortázar que veremos ainda neste post...
Como se fosse possível a algum dos ''locais'' ignorá-la...
Vamos, porém, ao que realmente importa: ''o que é que Palermo tem de tão interessante?'' é a ''pergunta de um milhão de dólares''( apenas uma expressão, não estou prometendo isto a ninguém...).
Imagine um ''misto de Vila Madalena( cultura alternativa na capital paulista)com Oscar Freire( o ''templo das grifes nacionais e internacionais). Palermo tem um pouco de cada, em uma mesma área. E tudo isto com este visual ''vintage'' que podemos conferir nas fotos acima...
Bares, cafés e restaurantes charmosos e ''badalados'' completam o ''menu''...
A ''Plaza Cortázar'' é uma espécie de ''epicentro'' da região, mas há muito mais.
O melhor mesmo é caminhar por estas ruas. Mesmo a especulação imobiliária- que ameaça transformar o bairro com a construção crescente de altos edifícios despersonalizados, dando-lhe uma cara de ''Manhattan'' ou ''São Paulo''- ainda não conseguiu acabar com o charme de uma região que parece ''congelada no tempo''.
Minha única recomendação: ''vá a Palermo sem pressa''...
Alcnol.
PS: No dia Primeiro de Maio- enquanto os shoppings estavam fechados por todo a Argentina- era possível encontrar várias lojinhas e restaurantes abertos nesta mesma região de Palermo que acabamos de mostrar. Uma vantagem considerável, que se deve à grande visitação turística...