sábado, 2 de maio de 2009

Passeio nos arredores da Avenida Paulista- continuação...

De cima tudo parece igual, certo? Um mar infinito de prédios, fumaça meio escurecida, pouquíssimos pontos verdes. Esta é a São Paulo do imaginário dos demais brasileiros, e inclusive de estrangeiros...De perto aquela ''igualdade''/ ''padronização'' toda se dispersa para dar lugar a uma localidade enriquecida por sua diversidade. O mais gostoso desta nossa busca pelas particularidades da metrópole é que ela não tem fim...Por mais que os paulistanos médios sejam convencionais, e temam diferenciar-se do resto da multidão- que igualmente veste preto ou cinza, bebe, come pizza, frequenta padarias e shoppings e ''foge'' para outras cidades nos ''feriadões''- a cidade é caótica e única por sua própria natureza. Vivemos, como naquela música feita em homenagem ao Botafogo, ''á beira do caos''...Mesmo eu, que conheço esta cidade há mais de 20 anos, na hora em que faço algo fora da rotina me surpreendo com as novidades que ela ainda tem a oferecer. Cidade que reúne o país inteiro em si, e mesmo o mundo. ''Cidade- Estado'', ''Cidade-Mundo'', acolhedora e devoradora ao mesmo tempo...Estou longe de conhecê-la, apreendê-la, tarefa para- digamos- algumas gerações...Passarinhos cantam no alvorecer do Campo Belo, para a alegria de seus moradores, enquanto do outro lado de tudo são as buzinas dos automóveis e o som frenético de helicópteros decolando e pousando que delineiam a ''paisagem sonora'' da Avenida Paulista...Favelas ao lado de mansões, ''espigões'' de mais de vinte andares ao lado de tranquilas ruas apenas com pequenas casas onde seus moradores vivem do mesmo modo há mais de 40 anos...São Paulo não ''é''. São Paulo, como diz o próprio nome, ''são'' várias coisas, o tempo inteiro minando a nossa ilusória sensação de familiaridade e ''conhecimento'' do que está ao nosso redor...Vejam só esta pequena ruazinha mostrada nas fotos que acompanham este post. Ela termina na Rua dos Franceses- já mostrada aqui...Encaixamos uma informação na outra, prévia, em mais uma montagem deste gigantesco ''quebra-cabeças'' que é a cidade de São Paulo...Esta rua também é São Paulo, dizem-nos, mas a mente demora a processar dados estranhos que parecem contradizer a nossa visão tradicional do que são as coisas...Alcnol.

Continuação daquele passeio pelos arredores da Avenida Paulista...

Como informamos, vários posts atrás, decidimos um dia seguir pela Alameda Campinas até o seu início( final para os veículos...). Alguns passos à esquerda, e estávamos em uma área totalmente diferente do padrão dominante na famosa Avenida( a Paulista), com seus passantes acelerados, milhares de carros e ônibus. Descobrimos por ali, naquela área que mais lembrava uma cidade do interior, até mesmo extensas áreas verdes intocadas pelo implacável ''progresso'' paulistano...E o que encontramos ali, neste ''interior'' bastante próximo da Avenida Paulista? Oficinas mecânicas, prédios residenciais, crianças brincando pelas ruas e, até mesmo, um certo vazio e silêncio- mais um daqueles ''choques ambientais'' que só são possíveis em metrópoles como esta...Deixamos vocês todos um pouco em ''suspense'' antes de concluir este passeio no próximo post...

Prédio com jardim semi-aberto, no Paraíso, é exceção ao padrão dominante...

O que seria de São Paulo se este modelo de prédio houvesse predominado? Ao contrário dos demais edifícios da região- Paraíso- e da cidade, este prédio não possui grades separando o seu jardim da rua...Ou melhor, não há a tradicional separação entre calçada- pública- e jardim do edifício- fechado e exclusivo para seus moradores. Ali a proteção está colocada unicamente na porta de entrada, e só. Este é, diga-se de passagem, o modelo dos edifícios comerciais: portões abertos, controle de entrada na portaria. Chama a atenção por se tratar de um edifício residencial. Chama a atenção em um momento em que o modelo predominante é aquele das duas cancelas para entrar( primeiro você entra em uma parte cercada por grades para, após a identificação, finalmente poder entrar no prédio...). Chama a atenção em uma época em que alguns edifícios procuram até mesmo ''camuflar''/ esconder seus jardins dos olhares estranhos e, possivelmente, cobiçosos...Já foi feita uma pesquisa que apontou que as grades podem intimidar um pouco os meliantes mas estes, uma vez dentro de casas ou edifícios, gozam de uma facilidade muito maior para assaltar seus moradores sem que a vizinhança dê conta disto...Infelizmente o modelo sem grades nos jardins- apenas no portão principal- não vingou na cidade de São Paulo e nas demais metrópoles deste país, sendo hoje apenas objeto de curiosidade de um blogueiro eternamente à busca de ''novidades''...Alcnol.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Esculturas na praça em frente ao Spot...

Dia e noite o pequeno ''Spot'' está sempre ''bombando''...Se há algum lugar especial para ver e ser visto é naquele restaurante localizado na Alameda Ministro Rocha Azevedo, lado centro. Já se passaram alguns dias desde meu almoço neste estabelecimento, em mais um dia ensolarado do outono paulistano. O que provei? Costeletas de cordeiro com risoto. Mas vejam que o mais importante estava reservado para o pós-refeição: esculturas instaladas na pequena praça em frente ao restaurante, nas proximidades da Avenida Paulista. E de quebra flagrei um pombo deleitando-se com o mesmo sol de que tanto fujo...Alcnol.

''Fora da ordem...''

Embora muitos sejam adeptos da tese segundo a qual ''é melhor não se destacar no meio da multidão'' para não ser alvo de ataques( verbais ou físicos), é o diferente que atrai os nossos olhares. E são os seres diferentes- aqueles que ousam fazer algo pessoal, original, em franca rebeldia em relação às ''normas'' vigentes em qualquer ramo do conhecimento humano- os que colhem os maiores resultados. Nosso olhar busca o diferente, o único em meio a qualquer ambiente. Vejamos só este prédio em Higienópolis. Região repleta de edifícios com as mais diversas características, verdadeira exposição a céu aberto de escolas arquitetônicas...Mesmo assim, nenhum outro prédio da região se compara a este: baixo na frente, apenas 3 andares, é muito maior - mais cumprijdo- do que pensamos... Com uma árvore na frente, chega a ser quase ''invisível'' em um primeiro olhar( dizem que os índios latino-americanos ''não viram'' as caravelas dos invasores porque aquilo não fazia parte de seu sistema de conhecimento: eles não foram capazes de processar a informação nova e desconhecida...Quantas vezes nós mesmos não somos ''atropelados'' por fatos que insistimos em ignorar porque não fazem parte do nosso ''sistema'' de informações? ). O pequeno prédio está aí- original, único, cores em destaque, mais uma prova que, por mais que insistamos na padronização, é a diferenciação que se amolda mais a uma natureza em que nada é igual...Fosse ele semelhante aos demais, e não teríamos perdido um pouco do nosso tempo nesta prosaica atividade de retratá-lo e mostrá-lo ao mundo...Alcnol.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Banca grafitada na Avenida Angélica...

Ao contrário das pichações- daquelas incomprensíveis que são feitas mais ao bel prazer de seus autores, que não se preocupam em sujar prédios públicos e monumentos artísticos- os grafites normalmente são pequenas obras de arte- e contribuem para deixar a cidade ainda mais bonita. Vejam só esta grafitagem feita em uma banca de jornal da Avenida Angélica, local de grande circulação de automóveis e pedestres...A boa grafitagem também afasta a ação de pichadores, e isto não é pouco...Alcnol.

Lugares que fazem referência ao Rio de Janeiro...

Bem ali na Rua Bela Cintra- sentido centro- nas proximidades do restaurante ''Tordesilhas''( local do almoço de ontem), está localizado mais um estabelecimento que, em seu próprio nome, faz uma homenagem ao famoso bairro da capital fluminense: ''Bar Leblon''. E São Paulo não se cansa de louvar as maravilhas do Rio de Janeiro- sentimento, infelizmente, não recíproco...Vejam só o nome desta loja do centro da capital paulista. ''Bolsa carioca''. Mais claro impossível...

Ainda sobre a gripe ''suína''...

Uma vez que estamos inseridos em um ambiente natural, todas as doenças são provenientes de algum dos seres vivos que habitam este ambiente. Algumas doenças são de origem aviária, canina, bovina, suína e, pasmem!, até mesmo humana...Nem por isto deixaremos de ter qualquer tipo de contato com seres humanos por medo de contrair doenças...O fato é que o nome atribuído à chamada gripe ''suína'' pode dar lugar a inúmeros mal-entendidos. O maior, a idéia de que podemos ser contaminados à partir do consumo de produtos animais, em especial a carne de porco. O modo de transmissão desta doença que já surgiu, já existe, é pelo contato com pessoas já infectadas, e não com porcos...Destacamos, em meio às inúmeras informações provenientes dos meios de comunicação, o artigo de Vinicius Torres Freire- colunista da Folha de São Paulo( edição de 29 de abril)- ''Porcos no espaço, gente lunática''. Segundo Vinicius, ''gripes novas no mundo têm matado menos gente que a dengue no Brasil, mas pessoas correm às farmácias''. De acordo com o articulista, ''basta um passeio por 14 farmácias da zona oeste e do centro da cidade para ouvir relatos de atendentes e farmacêuticos sobre a aumento maluco do número de pessoas a pedir antivirais, gel para limpar mãos, sabonetes antissépticos, remédios para sintomas de gripe e máscaras para proteger o rosto(...)Numa farmácia da Avenida Angélica, em Higienópolis, um homem de máscara comprou três caixas de antiviral, gastando o equivalente a um salário mínimo. Tomar antiviral sem estrita recomendação médica é uma estrita idiotice. As pessoas estão doidas''. Ele acrescentou que ''em 2008 585.769 pessoas tiveram dengue no Brasil. Nesse ano, apenas a dengue hemorrágica matou 223 pessoas no país'', e nem por isto houve um surto de pânico semelhante ao de uma doença que está centralizada em uma nação localizada vários milhares de quilômetros ao norte da nossa...E indaga: ''será mais um caso de doença como metáfora? O mundo quer se distrair dos perigos mais evidentes e imediatos que produziu, como crises financeiras e fome?''. Para concluir: ''o vírus é por ora apenas ''informacional''. A nosso ver todo este desespero é também a expressão de algo bem comum no mundo em que vivemos: por qualquer motivo se toma um remédio...A auto-medicação é bastante generalizada em nosso país, apesar das tímidas tentativas de conter esta prática. A medicina moderna, também, costuma recorrer em excesso ao uso de medicamentos, na parte repressiva das doenças, e menos na parte preventiva...Acostumados que fomos todos ao uso constante de ''drogas'' artificiais( medicamentos, alimentos industrializados, entorpecentes legalizados ou não), sem contar a impaciência típica de um mundo cada vez mais acelerado que crê em soluções ''mágicas'' ao toque de um botão ou ingerir de uma pílula, é natural que ao pânico se siga uma corrida maluca em busca dos medicamentos ''milagrosos''. Um problema: estamos longe de descobrir um remédio ''universal'' que combata todos os problemas...Viver é arriscado...Alcnol.

(Nem) ''Tudo é real''...

Este blog certamente não poderia ser feito à bordo de um automóvel. O motivo? É nas andanças periódicas que fazemos pela cidade que colhemos as mais interessantes expressões da cultura de São Paulo e de seus habitantes. Nomes de edifícios e edifícios. lojas diferentes, restaurantes, exposições, filmes, e até mesmo pichações estão entre os objetos que costumam atrair a nossa atenção durante estas caminhadas. Esta pichação, por exemplo, foi feita no viaduto sobre a Avenida 9 de Julho, Rua Luís Carlos do Pinhal( ou seria ''São'' Carlos do Pinhal? sempre troco o nome desta rua...). ''Tudo é real'', está escrito. Ou imaginamos alguém extremamente crédulo em relação às coisas, a um mundo marcado pelas réplicas e pela dissimulação em meio a uma aparente transparência, ou embarcamos profundamente na ambiguidade desta expressão- que pode possuir mais de uma interpretação possível...''Tudo é real'' pode ser, e acreditamos mais nesta hipótese- até mesmo em respeito à inteligência de seus criadores- uma crítica sagaz à materialidade do mundo em que vivemos. ''Tudo é real'', tudo acaba sendo reduzido a uma expressão monetária qualquer que, em nosso país, é a moeda- o real...Genial a idéia destes pichadores, não? Um verdadeiro ''tapa na cara'' na cultura materialista em que estamos inseridos...Pena que fizeram isto na cor verde, que tem um impacto visual reduzido em comparação a outras cores mais fortes- mas esta é uma outra estória...PS: Acredito que minha interpretação certamente não é a única possível. Esta é a verdadeira beleza de se lidar com o mundo das palavras, de suas ambiguidades, de seus inúmeros sentidos cabíveis. O mundo moderno não foi feito para ''crentes''( não os adeptos de determinada religião, e sim os que acreditam piamente em qualquer informação sem submetê-la a um exame mais acurado)e ''incautos''...Alcnol.

Hotel em fatias...

Ao que se saiba a principal caracteristica de um Hotel- esta tentativa de reproduzir parcialmente o conforto da nossa própria residência- e a localização específica. Uma cidade pode possuir várias filiais de um mesmo hotel, mas o que dizer de um hotel cuja principal característica é a de estar ''espalhado'' por vários locais de uma mesma cidade? A revista ''Expressions''( do cartão American Express), em sua edição de abril/maio, sob o título ''Um hotel em pedaços'', mostra um hotel austríaco( o Pixel Hotel, localizado na cidade de Linz)cujos quartos encontram-se ''espalhados por fiferentes pontos da cidade, entre eles locações inusitadas como um barco, uma galeria de arte e uma garagem( nosso grifo). Projetado para atender os turistas que visitarão Linz em 2009, eleita atual capital européia da cultura, o estabelecimento oferece ambientes artísticos e ousados, decorados por diferentes arquitetos. Suas diárias, a partir de 250 dólares, incluem o café da manhã, servido em estabelecimentos vizinhos aos quartos e parceiros do projeto''( ''Expressions'', edição 46, abril/maio, página 29). Aos que tiverem maior curiosidade, o site do hotel é www.pixelhotel.at . Como exemplo, vejam só a foto de um quarto localizado com certeza na garagem...Ou foi o carro que acabou transportado para dentro de um quarto normal???

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Almoço de hoje: costeletas de porco...

Não saí planejando fazer isto. De inicio, após passar em uma agência dos Correios, meu projeto era almoçar na região de Higienópolis- até em função das inúmeras opções oferecidas por ali( Ici Bistrô, AK Delilatessen, Bar des Arts, Ráscal, Bio e Carlota, entre outros...). No entanto, ao pegar o sentido da Rua Bela Cintra, sentido centro, a vontade de rever o restaurante ''Tordesilhas''- já mostrado aqui em outro post- foi irresistível. E, ao pegar o cardápio, a primeira opção que me veio à mente foi ''costeletas de porco''. ''- Você está louco'', já ouço os comentários. ''Deste jeito logo será um EX- blogueiro...''. Mas foi a forma prática de materializar os meus comentários sobre a tal gripe ''suína''. Uma coisa é afirmar, teoricamente, que não acreditamos que a carne de porco possa causar mal a seres humanos. Outra coisa é ''botar a mão na massa''( ou melhor, a BOCA na massa...)para provar a nossa tese de que a carne suína não tem a menor relação com a doença que está afetando o mundo. Explico. Esta não é a primeira doença dos últimos anos. Já tivemos uma ''gripe aviária''( restrita ao Oriente), uma doença da ''vaca louca''( quantos deixaram de comer carne bovina após a mesma?), e agora o noticiário fala de uma ''gripe suína''. Segundo o ''Bom Dia Brasil'' a doença é provocada por um vírus que sequer é 100% de origem suína( dizem que seria 80%, com parte também proveniente das aves...). Um médico veio a público afirmar que a alta temperatura com que a carne de porco é preparada é capaz de matar qualquer espécie de vírus, inclusive o da tal gripe ''suína''...O mais importante, nestas horas, é indagar por que estamos sendo afetados por tantas doenças, em tão curto período de tempo. Nosso modo de vida ajuda a explicar isto. Em primeiro lugar, a quantidade excessiva de remédios que vão minando o nosso sistema imunológico. Remédios para dor-de-cabeça, dor de estômago, etc. Todos estes remédios- estas drogas legalizadas- são compostos por inúmeras substâncias químicas desconhecidas. Em função disto, e de uma alimentação artificial, nossos corpos se tornaram verdadeiros ''laboratórios humanos''. Até quando poderemos aguentar isto? As chamadas ''doenças'' são um indicativo de que não podemos aguentar por muito tempo...Em função deste raciocínio, comer ou não carne suína neste momento é e continuará a ser mera opção. A carne bovina, por sinal, não está livre de fenômenos semelhantes. Haja vista o livro ''Fast Food Nation''- que inspirou um filme de mesmo nome- que mostra a falta de higiene nos abatedouros clandestinos de carne na fronteira dos Estados Unidos com o México...Concentremo-nos, neste momento, no fato de que não são os animais que estão causando inúmeras doenças capazes de afetar os seres humanos. São os seres humanos que, em busca de cada vez mais lucros, estão afetando o ciclo de vida dos animais que servem para a nossa alimentação a qual, em função disto, torna-se cada vez menos segura...Baseado nestes raciocínios, comi sim a minha costeleta de porco , que estava deliciosa... Acompanham fotos do restaurante, da decoração das mesas, da ''manteiga de garrafa''( usada para temperar os pratos), da forte pimenta e, enfim, da deliciosa costeleta... suína...Alcnol.

Nomes de lugares que remetem ao Rio de Janeiro( série infinita...)

Outro dia mostramos um edifício ''Ipanema Palace'' em plena Avenida Brigadeiro Luís Antônio...Prédio simples, não chamaria a atenção salvo por este nome pomposo, digno de um hotel 5 estrelas à beira-mar... Este aqui está situado em Higienópolis. ''Edifício Leblon' Palace''...Pelo padrão de vida dos moradores daquela região poderia até ser possível traçar paralelos entre os dois bairros- exceto pelo fato de que o similar paulistano não tem praia...Mas a homenagem foi feita e aí está: ''Edifício Leblon Palace'', Higienópolis, São Paulo- SP...Deste jeito fica difícil não lembrar do Rio de Janeiro o tempo todo...Alcnol.

Gripe ''suína''...

Ainda estamos longe de uma explicação completa o suficiente para poder entender o que está por trás desta ''Gripe Suína''. No entanto, é possível fazer uma pequena pergunta neste instante: caso o vírus fosse proveniente de gado, seria dada uma ênfase tão grande ao nome desta doença? Imaginemos: ''Gripe Bovina''...Bilhões de pessoas ao redor do Globo hesitando ao tomar seus copos de leite no café da manhã ou comer os seus iogurtes e queijos, como fazem todos os dias, ou ao comer seus inocentes e habituais ''bifinhos'' na hora do almoço...Interesses poderosíssimos afetados, prejuízos gigantescos para os criadores de gado...Acho que, antes disto, ligações telefônicas urgentes seriam feitas para as autoridades encarregadas que, ao final de um curto processo de reflexão, decidiriam rebatizar o vírus para algo mais trivial e inocente como ''Gripe Mexicana''...É ''absurdo'' fazer reflexões como estas? ''Suíno'' afeta menos interesses que ''bovino'' neste mundo em que vivemos...Alcnol.

O que há de comum entre Curitiba e o Rio de Janeiro?

Certamente não é o clima... Os 850 km de distância entre as duas capitais marcam também uma diferença climática de quase 15 graus de temperatura, entre um Rio onde é comum chegar-se a quase 40 graus e os ''vinte e poucos'' da capital paranaense...Também não é o sotaque: curitibanos dão ênfase aos finais de palavras com a letra ''e''( ''leitê quentê''), enquanto os cariocas falam com aquele chiado todo( ''maish ou menosh'', ''Vaishco da Gama'', etc.). Enquanto o atual Prefeito da Cidade Maravilhosa tenta aplicar um ''Choque de Ordem'' contra a crônica desordem que caracteriza a capital fluminense, difícil pensar em algo semelhante na bela capital paranaense onde, reconheçamos, a ordem ainda é mais comum que a desordem...O que há de comum entre as duas cidades especiais- que já foram tema de inúmeros posts neste blog- é o barulho...Tanto que este tema foi objeto de duas reportagens distintas nos principais jornais das duas cidades no mesmo dia( domingo, 26 de abril). Segundo ''O Globo'', ''Barulho, o mais democrático problema carioca: moradores de quase todas as regiões da cidade reclamam de ruídos causados por bares, restaurantes e festas''. De acordo com o periódico carioca, ''só no primeiro trimestre de 2009 o serviço de Disque Denúncia recebeu 1131 reclamações relacionadas ao problema- um aumento de cerca de 45%( quarenta e cinco por cento)do número de reclamações no mesmo período do ano passado''. E acrescentou que ''em 2007 e 2008 o barulho ocupou a sexta posição da lista de telefonemas. Os bares e casas noturnas foram apontados como a maior origem deste barulho(27,92%). Em segundo lugar ficou o barulho produzido em residências( 16,67%). Bailes ''funk'' ocuparam a terceira posição''. Prédios vizinhos a favelas são os mais afetados, mas já foram registrados incidentes inclusive no Baixo Leblon, eu acrescento. Mesmo durante o dia é possível ouvir os elevados ruídos provenientes de um daqueles bares a mais de um quarteirão de distância, como constatei em minha última visita ao Rio...O jornal paranaense ''Gazeta do Povo'' dedicou uma página inteira ao tema, sob o título ''Psssiuuuu! Não perturbe!''. O periódico informou que ''trens, ônibus, fábricas, baderneiros, casas noturnas, templos, vizinhos e cachorros são os vilões da cidade quando o assunto é barulho. E em muitos casos não adianta reclamar''. É de impressionar o caso de um morador que afirmou que ''já sei que nos fins-de-semana é impossível dormir dentro de casa por causa do som dos carros que ficam atrás do meu prédio. Uma garotada vira a madrugada fazendo arruaça e obrigando todo mundo a ouvir a sua música'', comenta o corretor de imóveis Jorge Eli de Barros Lima, 48 anos, morador da Vila Guaíra, que já chegou a se mudar de travesseiro e cobertor para dentro do carro. ''Lá eu consigo dormir''. ''Segundo Mário Sérgio Rasera, superintendente de Controle Ambiental da prefeitura( OBS: já é alguma coisa ter um cargo como este, inexistente em outras localidades...), 65% das reclamações recebidas pelo 156 são referentes à poluição sonora(...)Os principais alvos da fúria e reclamação dos moradores são as casas noturnas e os carros de propaganda''. Ainda segundo o ''Gazeta do Povo'', esta quarta-feira será celebrado o Dia Internacional de Conscientização Sobre o Ruído. E em Curitiba serão realizadas ações de alerta sobre as consequências da exposição a ruídos, entre elas um minuto de silêncio entre as 14h25 e 14h26, palestras e triagens auditivas( testes sobre a nossa capacidade auditiva)gratuitas. ''Segundo Rita de Cássia Guimarães Mendes, médica otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas, os ruídos já são a segunda causa mais importante da perda auditiva, em decorrência de lesão irreversível do ouvido interno por barulho continuado ou abrupto(...)Estes carros com alto-falantes poderosos chegam a 110 decibéis de potência, igual a uma turbina de avião''. Claro que ocorrências do gênero não são comuns apenas em Curitiba e Rio de Janeiro. Citamos estas cidades pois a situação ali já é tão grave que virou tema de reportagens dos dois principais jornais locais. O problema é comum a metrópoles como Rio e São Paulo, bem como a cidades médias como Brasília, Curitiba e Belo Horizonte. Já ouvi reclamações inclusive de parentes que moram em cidades pequenas, com pouco mais de 50 mil habitantes...Assim como se fala em ''epidemias'' e ''pandemias'' na área da saúde, é preciso reconhecer que estamos diante de uma ''epidemia'' nacional de barulho- que deve ser fiscalizada e combatida por nossas autoridades e pela própria população. Moro em um lugar alto, mais alto do que a média dos apartamentos em que já vivi. No entanto, mesmo em um lugar situado no décimo quinto, décimo sexto andar de um edifício, não é possível passarmos incólumes a sirenes, buzinas, caminhôes, aparelhos de som potentes que abundam em automóveis que percorrem a cidade durante toda a noite. Para dormir, mesmo aqui, é preciso ligar um aparelho de ar condicionado para tentar abafar tudo isto...O que dizer, então, dos moradores vizinhos aos bares da Vila Madalena? Dos vizinhos aos milhares de bares e casas noturnas que abundam na cidade de São Paulo? Dos vizinhos às obras do Metrô? O mais grave, eu diria, é que as pessoas que estão perdendo sua capacidade auditiva ao frequentar determinados ambientes onde a música é tocada a todo volume, ou costumam ouvir os seus Ipod's no volume máximo, ou possuem aparelhos de som nos carros que tocam a toda potência( como ''trios elétricos individuais''), precisam cada vez mais falar berrando umas com as outras- e nem sequer percebem que estão incomodando( e muito)os demais...O barulho é apenas mais um sintoma da desordem pública e social que assola este país, que não será resolvida de uma hora para outra e que, principalmente, depende em especial do comportamento de cada um de nós...Alcnol.

''Os perigos de São Paulo'' ou ''A Queda''...

Outro dia estava em um restaurante, me preparando para almoçar, quando ouvi dois garçons conversando. O assunto era ''o perigo de se viver em São Paulo''. Já ouvi inúmeras vezes esta expressão, embora não saiba muito bem o porquê de tanta ênfase. Esta cidade não é mais perigosa que as demais( em qualquer comparação com o Rio de Janeiro, por exemplo, ganha disparadamente neste quesito...). Mas o assunto, para minha surpresa, não era propriamente este...O tema não era a Segurança Pública e os assaltos. Um deles, certamente recém-chegado à capital paulista, manifestou sua preocupação com o elevado ''risco de quedas''. Nesta hora, de súbito, entrei no meio do debate para perguntar que ''quedas'' eram aquelas. Os dois falavam em sentido figurado- do risco abstrato de ''cair'' na vida, dos altos e baixos da existência- ou literalmente, do risco de se tropeçar nas calçadas paulistanas? Era justamente das calçadas que eles falavam, e aqui cabe um parêntese: as calçadas da cidade de São Paulo são realmente péssimas, e constituem sem dúvida um fator de risco para os seus habitantes. O motivo é que sua criação e manutenção não são responsabilidade da Prefeitura, e sim de cada morador de casa ou prédio. Em virtude disto, andar pelas calçadas daqui equivale a passar por uma ''colcha de retalhos''. Inúmeros buracos, desníveis bruscos entre a frente de um prédio e de outro, um verdadeiro ''show de horrores'' que já causou inúmeras lesões aos moradores daqui- enquanto a ''culpa'' é jogada da Prefeitura para comerciantes e moradores, e vice-versa...Mesmo assim, dificilmente eu me lembraria deste assunto inocente discutido pouco antes de um ótimo almoço se não tivesse eu mesmo me tornado mais uma vítima destas calçadas irregulares. Isto porque este assunto não é propriamente uma ''novidade'' daquelas que alimentam os cronistas. Caminhar por aqui envolve, instintivamente, estar continuamente em alerta contra riscos do gênero. Desviar-se de buracos, postes e árvores às vezes instalados no meio de uma estreita calçada, disputar espaço com automóveis que costumam sair bruscamente de garagens. Fazemos isto tantas vezes durante o dia que isto acaba se tornando inconsciente. No entanto no último domingo, quando descia as calçadas da Avenida da Aclimação com destino ao Parque de mesmo nome, tive de súbito a idéia de procurar algo em um dos bolsos da bermuda. E, justo naquele instante de breve distração, estava passando por uma daquelas irregularidades típicas das calçadas que criam verdadeiros ''degraus'' entre um nível e outro. O resultado? A queda, e não foi uma queda qualquer. Senti, tal a surpresa, uma pontada no estômago, e a sensação de ter torcido o pé direito. Minha sorte foi ter caído para trás, o que impediu-me de ter projetado todo o peso do corpo sobre o pé afetado. A sensação foi, claro, horrível. Passantes perguntaram-me se estava tudo ''OK'', e eu respondi às pressas que ''sim''. Experimentei levantar e continuar a andar como se nada tivesse ocorrido e, por incrível que pareça, foi o que fiz. Com nada além de uma pequena dor no pé, que não me impediu de dar a volta completa pelo pequeno Parque( cerca de 10 minutos de caminhada)e voltar para a Avenida Paulista andando...Evidentemente que, depois de ter sido vítima destas calçadas irregulares da cidade de São Paulo- tema até mesmo de conversas horrorizadas de garçons recém-chegados a esta terra- fiquei bem mais sensível ao tema. Decidi registrar, apenas exemplificativamente, algumas destas milhares de irregularidades que vemos no nosso dia-a-dia. Os garçons estavam, reconheço, corretos em sua análise. Como é ''perigoso'' viver na cidade de São Paulo, admito. Também, com estas calçadas...Alcnol.