quinta-feira, 14 de junho de 2012

O primeiro grupo entra na Plaza de Mayo. Será que o ato agora vai começar?

Em uma hora como esta, é bom ficar com olhos( e ouvidos)atentos.
O primeiro grupo- Izquierda Socialista- entra finalmente na Plaza de Mayo.
Seus cerca de 300 integrantes era quase o que eu previra como plateia INTEIRA daquela manifestação...
Mas existem muitos grupos e sub-grupos na constelação da esquerda argentina.
Onde estão os outros?
A seguir, falaremos um pouco sobre estes outros- qual a sua origem histórica, o porquê de tantas sub-divisões. A nosso ver, isto é indispensável para entender melhor o que acontecerá a seguir...
Alcnol.

O cenário na Plaza de Mayo: cadeiras vazias, à espera do ''público''...


Flashes do Primeiro de Maio na Plaza de Mayo( Buenos Aires)...

Este post revela o quanto nos desdobramos para acompanhar tanto os grupos que chegavam ao ato na Plaza de Mayo quanto para registrar o que acontecia na própria Praça...
Acima, o palanque do ato da Frente de Esquerda. 
No meio, mais uma foto dos integrantes do grupo Izquierda Socialista- que ficou quase que meia-hora fazendo um ''barulhaço'' imenso em frente à Praça...
Mais acima, a foto de um outro grupo( ''Convergência Socialista''). Mais à frente falaremos um pouco sobre a origem de todos estes grupos...
Mas, afinal, qual o interesse de um ato promovido por grupos de ultra-esquerda?
Não dá para esquecer que ESTE FOI O PRIMEIRO ATO POLÍTICO A QUE COMPARECI EM BUENOS AIRES...
Pouco importam as propostas: só este fato, por si só, já é relevante...
Infelizmente este ano não houve um ato gigantesco de Primeiro de Maio. Mas este aqui estava cada vez mais interessante...
Alcnol.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Começam a soar os bumbos e trombetas: ''no hay mucha gente, aún, pero tenemos bastante diversión''...

Mais uma coisa sobre o cenário deste ato.
Se observarmos bem o mapa da cidade e, em especial daquela região, notaremos que várias Avenidas convergem para a Plaza de Mayo...
De um lado, a Avenida Roque Saenz Peña. Ao centro, a Avenida de Mayo( com várias estações de metrô também)e, por fim, a Avenida Julio Roca. Juntas, elas formam uma espécie de ''triângulo'', convergindo para a famosa Praça...
Parece, em suma, que esta área foi ''planejada'' para manifestações mesmo...
A Presidenta Cristina Kirchner já deve parecer bastante ''radical'', sobretudo para investidores espanhóis e norte-americanos. Isto dificulta um pouco entender a posição destes manifestantes opositores.
Daremos um exemplo, sutil é verdade: enquanto o Governo Argentino EXPROPRIOU ações da IPF pertencentes a investidores espanhóis, mas deixou intocadas as demais ações( algumas pertencentes a investidores privados argentinos), os manifestantes de ( ultra)esquerda defendiam que ''todas as ações passassem para as mãos do Estado Argentino''...
Ou seja: atualmente, o país vizinho parece dividido entre nacionalistas que defendem um papel maior do Estado, e aqueles que defendem que o Estado( o Governo)tenha o controle de TUDO( dos bancos, das petrolíferas, das companhias aéreas, etc...).
Várias das privatizações do Governo Menem- que contaram, à época, com o apoio do casal Kirchner- foram desfeitas. Isto seria como se o Governo Brasileiro tomasse, por exemplo, de volta o controle da Vivo( ex-Telebrás)...
Para não alongar demais este post, as fotos mostram a marcha pela Avenida de Mayo de uma corrente pequena, mas bastante barulhenta, chamada ''Izquierda Socialista''( no próximo texto tentaremos resumir estas divisões da esquerda argentina).
Com bumbos, alto-falantes, bandeiras e um carro de som próprio para ''agitar'' os seus apoiadores, estes manifestantes ''animaram'' esta fase prévia à manifestação, dando a todos os presentes a noção clara de que algo maior ainda viria...
Os cerca de 300 manifestantes ficaram cerca de meia-hora fazendo um barulho ensurdecedor, o que me deu a impressão- olhando para a constrangida apresentadora que estava no alto do palco montado no centro da Plaza de Mayo, que os chamava a todo instante- de que eles optariam por ficar um pouco longe do ato principal...
Será?
O cenário meio ''europeu'' da Avenida de Mayo poderia nos dar a sensação de estar em alguma cidade como Madri ou Paris.
Mas a animação- a ''barulheira'' produzida por todos estes bumbos, cornetas, carros de som- esta era ''tipicamente argentina'' mesmo...
Incomparável...
E o ''espetáculo'' estava só começando...
Alcnol.

Primeiro de Maio e o cenário: Plaza de Mayo...

Francamente, eu não achei que iria dar muita gente neste ato da Plaza de Mayo.
Primeiro porque- ao contrário de outros anos, em que multidões tomavam todos os cantos da gigantesca Avenida 9 de Julio nesta data- o movimento sindical argentino está rachado.
Muitos sindicalistas participaram do comício governista no estádio do Vélez, que antecedeu a nossa chegada a Buenos Aires. Em razão disto, não estava dispostos a sair novamente às ruas...
O principal líder da Central Sindical CGT( Hugo Moyano)está ''rompido'' com o Governo Cristina Kirchner e, em função disto, não preparou nenhum ato...
Para aquele Primeiro de Maio- Dia Internacional do Trabalho- estavam previstos apenas 3 eventos: um na Federação de Boxe, reunindo alguns sindicalistas governistas( teve 1000 pessoas, segundo os jornais do dia seguinte). Um outro da CTA, central opositora, na região da Avenida 9 de Julio( não consegui informar-me sobre o local exato). E este terceiro na Plaza de Maio, local fácil de achar, reunindo sindicalistas opositores e partidos de extrema-esquerda. Pensando em eventos similares no Brasil, pensei que não chegaria sequer a 500 o número de presentes...
Para piorar, ao contrário dos últimos dias, esta terça-feira estava ENSOLARADA na capital argentina( para mim um claro recado de que estava na hora de ir embora...). O que me forçava a, em um lugar aberto, procurar alguma ''sombra'' enquanto esperava o início do ''espetáculo''...
Francamente: ato de sindicalistas opositores e partidos ultra-minoritários, sem apoio oficial e sem ''shows'' musicais marcados, e sem a distribuição de ''brindes'' e ''lanches'' aos participantes- como é comum neste tipo de eventos- quantas pessoas iriam participar? ''Muy poucas'', eu previa...
Sem contar que estes caras estavam contra uma Presidenta que foi reeleita com maioria absoluta de votos, que contava ali com cerca de 70% de aprovação nas principais pesquisas de opinião e que havia acabado de expropriar as ações da IPF( principal companhia petrolífera do país)em poder de empresários espanhóis, com praticamente o apoio unânime do Congresso Argentino...
Mas, repito, era Primeiro de Maio. E eu, a qualquer custo- inclusive do meu almoço, como mencionei- estava disposto a assistir um ''ato típico argentino''.
Em um país no qual os torcedores sempre apoiam os seus times- mesmo perdendo de 3 x 0- e fazem um ''espetáculo'' incomparável nas arquibancadas( com muita violência também, há que se admitir...), e no qual o ato de ''protesto'' virou quase uma instituição nacional( as ruas e avenidas da capital são ''cortadas'' quase que diariamente por manifestantes de todos os tipos, até mesmo ''a favor''( como sindicalistas ''pelegos'', Avós da Praça de Maio e ''piqueteiros'' pró- Governo)um ato nunca é apenas um ato...
Reclamam vários brasileiros da nossa passividade, comparando-nos aos argentinos. Certo é que a combatividade do povo vizinho não livrou-os de ditaduras, corrupção, problemas de todas as espécies que prosseguem até hoje em dia. ''Resistir'', ''combater'' algo, não significa que estas coisas ruins a que nos opomos desapareçam como que por encanto...
Mas que o nosso país seria bem mais divertido com umas ''marchas'' destas cortando as ruas das principais cidades- principalmente a Capital da República- ah, isto seria...
Alcnol.
PS: A seguir, mostraremos como foi o ato de Primeiro de Maio da ''Frente de Esquerda'' argentina...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Rumo a Palermo: um ''porto seguro'' em um dia em que (quase)tudo parou...

Dia Primeiro de Maio. Feriado na Argentina, e no mundo inteiro.
Com uma particularidade local: no país vizinho TUDO para( shoppings, cinemas, restaurantes, teatros, bancas de jornal, etc...)...
Onde ir em uma hora destas?
Palermo nos pareceu uma opção interessante: tem restaurantes e, por incrível que pareça, até algumas lojas estavam abertas...
Um pequeno problema: como os demais lugares estavam fechados, muitos pensaram como eu e foram a Palermo...
Resultado: filas nos restaurantes abertos, e pelo menos uma hora de espera no mínimo naquele que escolhemos( ''La Cabrera'')...
Tinha de tomar uma decisão nesta hora, uma vez que pretendia registrar ao menos um dos vários atos de Primeiro de Maio marcados para aquele dia.
Em suma, deixei minha companhia no restaurante- e peguei um ''subte'' de volta para a Plaza de Mayo, onde estava previsto um dos principais atos.
Parece ''loucura'' deixar de almoçar para assistir um ato de Primeiro de Maio, mas já tinha ouvido falar sobre estas manifestações argentinas( repletas de bumbos, bandeiras, e muita animação)...
O relato deste ato será feito nos posts seguintes...
Alcnol.

Arredores da Avenida 9 de Julio: Plaza Rodrigues Peña...


Pequeno passeio de ''subte''(metrô)...

Por engano colocamos aqui uma foto de SUPERFÍCIE, dos arredores da estação de metrô onde embarcamos...

domingo, 10 de junho de 2012

Catedral de Buenos Aires...

É incrível. Mas- entre tantas partidas de pólo, futebol, manifestações de rua, ''asados'', Feiras do Livro, shows, peças de teatro, cafés- os argentinos também tem tempo de rezar...
Agora, falando sério: o país é oficialmente católico, embora pouco se ouça falar da Igreja argentina.
Como vários de seus representantes foram acusados de colaborar com a última Ditadura Militar, eles optaram por uma postura mais ''discreta'' nestes tempos de Democracia...
Nunca vi uma manifestação religiosa em Buenos Aires. Se bem que passei poucos dias por lá, e apenas por 3 oportunidades.
Quem sabe se fosse à Argentina no feriado de Corpus Christi?
Em outro ano, claro. Para este ano, mostraremos ainda neste blog as fotos da comemoração deste feriado na capital paranaense mesmo...
Alcnol.

Um Primeiro de Maio diferente: exposição de automóveis antigos na Plaza de Mayo...

Feriado de Primeiro de Maio.
Plaza de Mayo, Buenos Aires.
Poderíamos esperar de tudo, neste palco de inúmeras manifestações.
Menos uma tranquila exposição de automóveis antigos em frente à Catedral...
Se bem que nada poderia retratar melhor um país que vive um eterno dilema entre seu passado e seu futuro...
E, cá para nós, estes ''carrões'' tem tudo a ver com o visual ''vintage'' de Buenos Aires, não?
Quem sabe alguém não cria uma empresa para alugá-los?
Faria um ENORME sucesso...
Turistas andam de carruagem em Nova Iorque. Por que não encarariam estas ''máquinas'' aí em um passeio pela capital argentina?
Bom. Depois deste ''engarrafamento'' na Plaza de Mayo, por que não damos uma ''espiadinha'' na Catedral de Buenos Aires?
A seguir...
Alcnol.