segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Universo de Fernando Pessoa

O que é o ''sucesso''? Se o entendermos como o desfrute do que há de melhor materialmente neste mundo, veremos o poeta como um ''fracassado''...
Desajustado a uma sociedade que, ontem como hoje, vê o dinheiro- e a sua busca- como pilar central, o poeta não tem( muito pelo contrário)nada a apresentar aos olhos do mundo. Não possui iates, casas de luxo, não come em restaurantes da moda, sequer viaja...
Por tudo isto, ainda neste início de século XXI, o poeta não pode ser visto como ''exemplo'' aos olhos dos homens comuns. Foi, e continua sendo, um ''desajustado'': não casou, não enriqueceu, não teve filhos, nada fez de ''concreto''- a não ser os seus escritos ''incômodos''.
Não nos enganemos por sua fama, ou pela imensidão de suas publicações- algumas delas registradas nas fotos acima. Fernando Pessoa não nasceu para ser ''cânone'', ''embalsamado'' e ''consagrado'' como vários destes autores que são empurrados goela abaixo dos estudantes em sala de aula- para horror das novas gerações, que certamente desenvolverão uma ''alergia'' ainda maior em relação àquela que é a mais bela atividade que um ser humano pode desenvolver: a leitura...
''Mortos'' estão alguns dos outros ''cânones'', pois Pessoa continua, por meio de seus escritos, ainda hoje a ''incomodar'', ''tirar dos eixos''...
Sua obra, sobretudo sua humanidade, não foi feita para resistir apenas no interior dos Museus. Pessoa vive, incomoda, questiona. A melhor homenagem que podemos fazer ao Mestre é o estudo- voluntário, sem imposições, partido do fundo de nosso ser- a leitura daquele que é, reconhecidamente, um ser ''incompleto'', ''infeliz'', um buscador. Pois o que ele buscou arduamente ainda está por ser descoberto.
O ''homem que era muitos'' não é o guia mais apropriado para o sucesso mundano- deixemos isto para os manuais de ''auto-ajuda''.
O maior mérito de Fernando Pessoa foi ter apontado para o ''caminho de dentro'', onde todos possuímos um Universo a descobrir...
Alcnol.

domingo, 12 de setembro de 2010

Mostra Fernando Pessoa, no Museu da Língua Portuguesa...

Fernando Pessoa está longe de ser um ''cânone'', esquecido em algum livro de História...
Isto porque a sensação que temos ainda hoje ao ler qualquer um de seus escritos é de uma forte perturbação- como se estivéssemos em frente a um ser ''vivo''...
Certamente os professores enfatizarão a ''importância de ler o Mestre''. E vários dos alunos presentes a esta Mostra chegarão desprevenidos, como se estivessem indo a uma de suas atividades sociais do dia-a-dia.
Porém os que lerem estas palavras a fundo, mergulhando nas questões que Pessoa formulou e que ainda hoje são atualíssimas e não resolvidas, nunca mais serão os mesmos...
Os leitores de Fernando Pessoa, de qualquer idade, perceberão como estas palavras mantém o seu frescor passado tanto tempo.
Isto porque a obra do ''Homem que era muitos'' possui esta incomparável capacidade de tirar-nos de nossa ''Zona de Conforto''- conceito este que não era lá muito familiar ao próprio Mestre...
Alcnol.
PS: Ainda publicaremos mais coisas sobre a Mostra Fernando Pessoa, dirigindo-nos especificamente aos leitores que moram fora de São Paulo. Aos moradores da capital paulista fica o convite: pulem esta ''introdução'', e se dirijam diretamente à ''fonte''...O Museu da Língua Portuguesa está localizado ao lado da Estação da Luz.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Flores alaranjadas na Avenida Santo Amaro...

A Avenida Santo Amaro não combina muito com natureza. 
Afinal, é apenas um ''corredor'' que liga com rapidez( ou não)alguns pontos da cidade de São Paulo. Alternativa adequada para quem quer- em apenas 20 minutos ou no máximo meia-hora- chegar à região do Morumbi, ou de Santo Amaro.
Repleta de edifícios, alguns com aspecto descuidado ou decadente, ela não seria a prmeira opção de alguém que quer ver natureza/ verde.
Porém, mesmo ali, é possível detectar sinais de vida, de beleza. Involuntários, claro. Quem projetou a Avenida não estava pensando exatamente nisto...
Mas as flores laranja da Avenida Santo Amaro- em um tom vivo, forte, inconfundível- são capazes até mesmo, em mais um daqueles dias ''cinzentos'' da capital paulista, de ''suprir a ausência do sol''...
PS: Na primeira foto há uma placa em que está escrito ''pedestre: aguarde o sinal verde''. A Humanidade está aguardando este sinal - que aponte para uma nova relação mais equilibrada com o Meio Ambiente- há muito tempo...Ainda mais em São Paulo...
PS2: Felizmente estas flores acima não aguardaram o tal ''sinal''...

O ''antigo'' na ''moderna'' Moema...

Já passei em outra oportunidade por este pequeno edifício de apenas 3 andares no bairro paulistano de Moema.
Porém( ''pecado''!)sem celular ou máquina fotográfica para registrá-lo...
''Será que ainda o verei algum dia?'', me perguntava. Não lembrava mais sequer do nome da rua.
O acaso me favoreceu. Desta vez, devidamente ''instrumentado'', eu passei no mesmo lugar- e ''click''...
Alcnol.
PS: Não se diga que há apenas ''espigões'' em Moema...

Moema tradicional: repleta de ''espigões'' e, mesmo assim, tem lá o seu encanto...

O nome das ruas já não mais importa. O que interessa é, desligado o nosso ''GPS'' interno, olhar certos lugares de nossa própria cidade do mesmo jeito com que olhamos as coisas no exterior: como se fosse( e muitas vezes é mesmo)''pela primeira vez''...
Em diversas oportunidades já atravessei o bairro paulistano de Moema. Porém, em nenhuma destas ocasiões, lembro-me de ter passado pelas ruas registradas nestas fotos.
Assim, nesta hipótese, ''tudo é novidade''. Quem descobre( ou redescobre, com olhos de viajante)''volta a ser menino outra vez''...
Alcnol.
PS: Esta região, repleta de prédios altos, é a face mais conhecida de um bairro que avança célere rumo à ''modernidade''( e seus problemas mais conhecidos, como o trânsito, o barulho de carros e aviões, etc...).Mas, vista com os olhos de passante e não com os de um ''proprietário'', não deixa de ter o seu ''encanto''...Como, de resto, toda a ''caótica'' cidade de São Paulo...

Os dois lados de Moema...

Tradicionalmente, quando pensamos no bairro paulistano de Moema, lembramos do Aeroporto de Congonhas e dos altos prédios instalados em seus arredores.
Porém, como descobrimos nesta breve incursão em busca do mais bonito ipê amarelo de toda a capital paulista, o bairro também possui um lado mais tranquilo- com cara de cidade do interior.
Como nesta Alameda dos Anapurus( várias ruas do bairro levam nomes indígenas, em uma estranha homenagem: depois que botaram inúmeras árvores abaixo, e construíram prédios altíssimos, vão ''homenagear'' os índios...!). 
Tranquila, arborizada, com pouca circulação de veículos motorizados ou de pedestres, ela é um resquício do que imagino tenha sido a região de Moema em outras épocas. 
Com casas, lojinhas, temperatura mais agradável graças à vegetação. Nos posts seguintes, mostraremos o outro lado de Moema- este mais conhecido, com edifícios altos que( isto é bom, ao menos para mim) também proporcionam uma ''sombrinha'' nos dias mais quentes...
Alcnol.

Inverno em São Paulo: tonalidades violáceas discretas também podem ser encontradas aqui e ali...

A
A cidade de São Paulo, no inverno, não está cheia apenas de tonalidades vivas- amarelas, roxas, rosadas, avermelhadas, etc.
Nas proximidades do gigantesco Ipê Amarelo que mostramos no post anterior, situado na Alameda dos Aicás( Moema), encontramos também esta discreta tonalidade violeta. Boa para os que apreciam um pouco de discreção...

Um Ipê Amarelo ''hors concours''( sem competidores, incomparável)...Ou o ''IPÊ DOS IPÊS''...

Quando se trata de ipês, na cidade de São Paulo, este aí - da Alameda dos Aicás, Moema- é referência. A ponto de atrair até mesmo equipes de canais de TV...
Digite ''ipê amarelo Moema'' no Google, e você o verá na plenitude, todo florido, como estava até semana passada. 
As fotos acima foram tiradas depois do feriadão de 7 de setembro, ocasião em que- após alguns dias de frio e chuva- ele já estava começando a ''descascar'' um pouco...
Nada, porém, que tire todo o encanto desta árvore que, segundo a moradora do imóvel em frente( amarelo também), foi plantada em 1962.
Um belíssimo exemplo. Como seria a cidade se outros moradores tivessem tido a mesma ideia naquela época?
Alcnol.

Mais ipês amarelos- desta vez em Moema...

Se você quer se destacar, dizem os especialistas em cores, vista amarelo. Isto porque esta é uma das cores mais fortes, capaz de idenficá-lo/a mesmo em meio a uma multidão...
Assim é com estes belíssimos ipês amarelos que estão tomando conta de São Paulo por estes últimos dias de inverno. É possível vê-los à distância...
Alguns, na verdade, não passam de ''alarme falso''. De longe parecem vistosos e, quando nos aproximamos, não passam de um simples mudinha. 
Outros, como estes da foto- flagrados nas imediações do Shopping Ibirapuera- correspondem às nossas expectativas. Ou não, haja vista que no próximo post mostraremos o ''IPÊ DOS IPÊS''...
Alcnol.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Acredite se quiser: árvore frutífera em plena Avenida Paulista( !!?)...

Parece brincadeira, não é?
Achar árvores frutíferas em plena Avenida Paulista, neste início de século XXI, parece uma ''missão impossível''.
Não, se você estiver passando pelas imediações do Hospital Santa Catarina- onde tiramos estas fotos...
Só não me pergunte qual é o fruto. Como bom ''urbanóide'', eu não saberia responder...Aceito sugestões...
Alcnol.

Ipê Amarelo na Rua Vergueiro, ao lado de prédio do Metrô...

Embora pequenino, todos os anos este pequeno ipê floresce nesta época- enchendo a região da Rua Vergueiro com suas flores e sua beleza...
Esqueçam a ''ameaçadora'' placa de ''não estacione, seu carro pode ser rebocado'' da foto 1. Por outros ângulos, a conversa é outra. Melhor exemplo não poderia haver daquele ditado ''os melhores perfumes vêm nos menores frascos''...

A escadaria do Metrô Santana...

Já me disseram que esta escadaria do Metrô Santana( Zona Norte da cidade de São Paulo)era ''imensa'', praticamente ''intransponível''.
Motivo melhor para ''encará-la'' não poderia haver...
Até porque, diante de modernas estações como a ''Paulista''( linha Amarela, recém-inaugurada)e seus mais de 200 degraus, estes MEROS 75 DEGRAUS da Estação Santana parecem ''moleza''...

Avanhandava: a rua onde ''o tempo não passa''...

''O tempo não para'', dizia Cazuza em uma de suas inúmeras composições.
Na Rua Avanhandava, centro de São Paulo, é possível questionar esta ideia.
Almocei ali neste último 7 de Setembro. De dentro do restaurante, contemplava casais de idosos que passeavam, olhava para esta paisagem tranquila no meio da cidade que também se gaba por ''jamais parar''( ''São Paulo não para'', repetem com orgulho seus cidadãos), enquanto ouvia os tranquilos acordes de um pianista que, ao vivo, tocava antigas composições.
Um lugar ''clássico'', ao som dos clássicos musicais de todos os tempos...
Naquele instante, para mim, o tempo parou. Podia estar nos anos 50, 60, 70( quando era uma criança)...
Tanto parou que sequer lembrei de sacar do bolso minha moderna câmera fotográfica. Só pensava em ''curtir'' aqueles instantes em que, como em uma ''máquina do tempo'', ousei partir para um lugar ''atemporal'', ''ahistórico''...
Quem quiser conhecer um pouco mais da Rua Avanhandava- um exemplo de rua reformada, graças à iniciativa do comerciante Walter Mancini-  pode consultar alguns dos vários posts que já dediquei à mesma.
Encerro este aqui com algumas fotos da iluminação decorativa da Avanhandava. De noite deve estar ainda mais bonita...
Alcnol.

Parque Trianon, visto da Avenida Paulista...

Feriado de 7 de Setembro. A cidade de São Paulo vive em um ritmo bem diferente do habitual. O calçadão em frente ao MASP e ao Parque Trianon- normalmente repleto de ''pesquisadores'', transeuntes apressados ou barraquinhas da feira que ocorre nos finais-de-semana- desta vez estava quase vazio...
Foi assim, em meio ao verde abundante e ao silêncio pouco usual em um lugar normalmente ''fervilhante'', que eu passei por ali neste último feriadão...
Alcnol.

A natureza não conhece fronteiras...

Onde quer que haja uma barreira, um muro, uma fronteira, pode estar certo de que isto é sinal da presença de seres humanos.
A natureza, ao contrário, não conhece limites ou fronteiras.
Como, por exemplo, nas fotos acima. Tiradas na esquina das Alamedas Casa Branca e Santos: os automóveis que passavam, vindos da Alameda Santos, transitam por uma área originalmente pertencente ao Parque Trianon. Reparem como, mesmo sem dar conta, eles passam pelo meio da grande área verde.
Aos pedestres, resta- ao longe- cruzar uma passarela entre as duas áreas do parque que- uma vez soltas, livres da ação humana- provavelmente iriam ''abraçar'' uma à outra, tornando-se uma coisa só...
A natureza, vejam só, não é o que nos ''circunda''. Ela é o TODO, enquanto nós somos apenas ''parte integrante''...
Alcnol.