sábado, 16 de junho de 2012
Arredores da Estação de Metrô ''Rio de Janeiro'', em Buenos Aires: sabem que me surpreendeu, positivamente?
Esta região ao redor da Estação de Metrô ''Rio de Janeiro'' me impressionou.
Ainda mais porque, dentro de um vagão lotado do ''subte'', eu pensava estar a caminho de alguma ''favela'' argentina...
Acho que terei de andar bem mais no ''subte'' para atingir esta meta...
O que vimos, em verdade, foi uma larga Avenida passando ao lado, uma pracinha, e um café com mesas na calçada que me pareceu bem bacana.
Tinha tudo para ser um lugar para dar uma descansada e fazer uma ''boquinha'' mas, a esta altura do dia, eu tinha uma ideia fixa: rever a Feira do Livro...
Conhecer melhor o ''Rio de Janeiro'' portenho ficaria para uma outra oportunidade...
Alcnol.
''Rio de Janeiro''. Já chegamos?
Conforme o previsto, chegamos ao ''Rio de Janeiro''( Estação Rio de Janeiro do metrô de Buenos Aires)em cerca de 15 minutos.
Conforme íamos avançando por baixo da terra até a ''Cidade Maravilhosa''( desculpem-me pela piada infame...)os vagões do ''subte'' iam ficando cada vez mais cheios.
Suspeitei que estava em algum lugar ''periférico'', se é que o termo aplica-se ainda neste mundo cada vez mais interligado e globalizado...
Saímos da Plaza de Mayo- com o ato da ''Frente de Esquerda'' ainda a pleno vapor- e pegamos o ''subte'' na Linha Plaza de Mayo/Carabobo.
O percurso é quase em linha reta, passando inicialmente por baixo da Avenida de Mayo para, a seguir, prosseguir pela Avenida Rivadavia( os argentinos também gostam desta estória de batizar a mesma Avenida com nomes diferentes...).
Agora que chegamos ao ''Rio''- sem passar pelo Galeão, Santos Dumont ou pela Rodoviária, sem contar as barcas que fazem a ligação com Niterói e os trens que ligam aos municípios vizinhos- não custa sair e dar uma ''espiadinha'', não é?
Ao menos aqui não há o risco de ''balas perdidas''( outra piada infame: eu AMO o Rio de Janeiro...).
Lembro apenas que estes nomes de estação muitas vezes se referem a ruas e avenidas, não a bairros. ''Ana Rosa''( SP), para citar um exemplo, fica na Vila Mariana...
Não pesquisei sobre o assunto, mas esta estação ''Rio de Janeiro'' de Buenos Aires pode até ser mesmo uma homenagem à Cidade mais Bonita do Mundo...
Embora críticos, os argentinos também sabem ser generosos nas homenagens àqueles que amam e respeitam...
Alcnol.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Embarque no ''subte''( metrô)da Plaza de Mayo, com destino ao ''Rio de Janeiro''...
É mais rápido do que um ''trem-bala''. É mais rápido que qualquer espécie de avião.
Garanto que iremos do centro de Buenos Aires( Plaza de Mayo)ao ''Rio de Janeiro'' em apenas 15 minutos.
Quer apostar?
Veja o resultado a seguir...
Alcnol.
O PIOR lugar para se assistir um ato político? É estar no meio da multidão...
Se eu não tivesse visto todas estas marchas que convergiram por diversas avenidas até a Plaza de Mayo, seria dificílimo calcular quantas pessoas participaram deste ato.
Isto porque o PIOR lugar para se assistir qualquer manifestação é ali, no meio do povo...
Explico: à medida em que todos começaram a instalar-se em seus postos- fazendo as cerca de 300 cadeiras instaladas no meio da praça parecerem poucas- a visibilidade tornou-se quase nula.
Como enxergar alguma coisa em meio a tantas bandeiras e bandeirolas?
Talvez o centro do palco fosse uma boa posição, se não fosse exclusivo para oradores e, pior, se também não estivesse localizado CONTRA O SOL...
Para piorar tudo, ainda estava FAMINTO: o pequeno lanche que fiz em uma famosa cafeteria norte-americana instalada nas imediações( incluindo ''panes de queso''- pães de queijo- voltados principalmente para clientes brasileiros)não substituiu o almoço que perdi em Palermo...
Restava-me dar uma pequena volta pela Plaza de Mayo, fotografar alguma coisa e, oportunamente, ''sair à francesa''...
Depois de um início surpreendente, a manifestação torna-se convencional, como todas as demais em qualquer parte do mundo...
Minha pequena ''missão''- registrar um ato político/sindical de Primeiro de Maio na capital argentina- estava cumprida.
E os discursos?
Quem estava preocupado com discursos a esta hora do dia?
Este era o meu último dia em Buenos Aires, e ainda havia muita coisa para ver/rever...
A seguir, embarcaremos no ''subte''( metrô)até o ''Rio de Janeiro''...
Alcnol.
PS: A imprensa local não fez qualquer estimativa sobre o número de presentes a este ato. Calculando que a gigantesca coluna do Partido Obrero que percorreu a Avenida de Mayo até as imediações da Avenida 9 de Julio tivesse entre 8 mil e 10 mil manifestantes, acho razoável avaliar o número TOTAL de presentes entre 12 mil e 15 mil. Isto porque as colunas menores de outras organizações( PSTU, IZQUIERDA UNIDA e PTS)tinham entre 300 e 500 manifestantes ao todo.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Chegam, enfim, todas as colunas à Plaza de Mayo- e o ato está para começar...
Detalhe: o balãozinho voa, carregando a imagem do ídolo de todas estas correntes( o russo León Trotsky)...
Parece uma ''sopa de letrinhas'', não é? PSTU, CS, PO, MST...
A muitos este ''blá-blá-blá'' sobre a extrema-esquerda argentina deve estar soando aborrecido. Sobretudo pelo enorme número de siglas distintas: MST, PO, PSTU, CS...
É chato mesmo, mas aquela ''breve''( e sei que ''chata'')introdução é necessária para que compreendamos um pouco a dinâmica desta manifestação de Primeiro de Maio em Buenos Aires. Isto porque CADA UM destes partidos leva a sua coluna própria, cheia de bandeiras, bumbos, carros de som, etc...
E, em um movimento certamente ensaiado, eles foram entrando sucessivamente na Plaza de Mayo com suas colunas, fazendo um ''barulhão'' danado...
Mesmo ''unida'' a Esquerda( ''Frente de Esquerda''), é cada um para o seu lado. Cada um com suas próprias músicas, jornal, militância, slogans, propostas...
É isto mesmo, jornais. Em pleno século XXI, mesmo com a facilidade da Internet, estes militantes ''à moda antiga'' mantém os seus jornaizinhos vendidos de mão em mão- certamente inspirados no velho ''Pravda'', criado por Lênin em mil novecentos e pouco para combater o regime czarista...
Mas a pergunta não quer calar: ''e daí?''. ''O que é que eu tenho a ver com isto?'', você pode se perguntar. Escolhemos este ato especificamente porque prometia ser um dos mais animados naquele Primeiro de Maio em Buenos Aires, em um dos poucos anos em que não houve nenhuma espécie de ato ''oficial''.
Independentemente de estarem certos ou não, há que se reconhecer: ninguém faz manifestações de protesto tão ''animadas'' quanto as argentinas...
Ainda hei de compará-las às, digamos, espanholas ou chilenas( quando chegar a hora certa). Até aqui, este PRIMEIRO ATO que assisti na capital argentina estava ''muy'' interessante...
E eles ainda tinham algumas cartas na manga...
Se 300 caras fazem um barulho ''danado'', que diria uns 8 mil/10 mil? Chega a maior coluna ao ato, a do Partido Obrero( PO)...
Surpreendeu-me( e muito)o tamanho desta ''coluna'' do Partido Obrero que chegava pela Avenida de Mayo.
Isto porque, até ali, este Partido sempre foi sinônimo de ''grupo principista que denuncia todos os seus rivais como oportunistas''...
O Partido Obrero sempre se opôs às coligações eleitorais com o Partido Comunista feitas pelo MAS em outros tempos.
A rigor, seria difícil enxergá-los fazendo ''alianças'' de qualquer espécie com outros grupos- uma vez que eles são os ''radicais dos radicais''...
Como enxergar este número ''recorde'' de adeptos ingressando pela Avenida de Mayo?
Talvez isto seja resultado do ''fator antiguidade''. Na esquerda, se você resistir intacto- ou praticamente intacto- a tantos ''rachas'' e surgimentos de novos grupos e partidos, você cresce...
O Partido Obrero, como vimos no texto anterior, data de 1966( quando surgiu com o nome de ''Palabra Obrera'')...
Seu ''eterno líder''- Jorge Altamira- deve ter uns 80 anos de idade...
Mas a face destas pessoas que, aos montes, nós víamos marchando pela Avenida de Mayo era jovem. O impulso ao chamado ''sindicalismo autônomo''( à revelia do sindicalismo oficial)deve ter contribuído também para o crescimento deste partido. Um jornal local chegou a dedicar uma matéria inteira a este ''sindicalismo independente''.
Ver tanta gente assim- com bandeiras vermelhas, marchando por uma ''causa''- me deu uma fortíssima sensação de ter embarcado em uma ''máquina do tempo'' até o Brasil dos anos 80...Até a forte crise econõmica por que passa o país vizinho- com inflação alta, falta de produtos- soa ''parecida''...
Vejam na foto em destaque como até um carro de som próprio eles tem, para ''agitar'' os seus apoiadores...
Mas voltemos ao que estávamos assistindo: como a manifestação também fez uma breve pausa antes de ingressar na Plaza de Mayo, decidi seguir até o fim para ver quantas pessoas ao todo estavam ali. E, surpresa: a ''coluna'' ia até as proximidades da Avenida 9 de Julio...
Tudo bem que o PO deliberadamente utilizou certos ''truques'' de manifestações: ''espalhou'' seus militantes( não era uma ''tropa concentrada''). Para comparar, assisti recentemente à Marcha de Corpus Christi em Curitiba, onde não havia sequer lugar para uma ''mosca''...( 150 mil, segundo os jornais...).
Além disto, os militantes ostentavam faixas de diversos bairros da capital argentina, de outras cidades e até mesmo de outras províncias...
Mesmo assim, era muita gente...
Calculei entre cerca de 8 mil/10 mil participantes. Seguramente, a maior força daquele comício...
E, como aquele era um ato para ''iniciados''- difícil imaginar alguém da periferia aplaudindo discursos ''anti-K''- uma demonstração de força em relação a seus aliados da ''Frente de Esquerda'' também...
A Esquerda é assim: até ''unida'' ela continua a soltar as suas ''farpas''...
Alcnol.
PS: A seguir, prosseguiremos com a cobertura deste( a esta altura não tão pequeno)ato de Primeiro de Maio em Buenos Aires...
Chegam os adeptos do ''PSTU''. Breve pausa para explicar todas estas divisões da esquerda argentina...
Há um partido com este nome no Brasil, o que chamou de imediato a nossa atenção...
Neste instante, os militantes do PSTU acabavam de chegar pela Avenida Julio Roca- quase esquina com a Avenida de Mayo.
Em minha penúltima viagem a Buenos Aires, não resisti a comprar um livro sobre a esquerda argentina. O autor tentava explicar um pouco as inúmeras sub-divisões.
Neste instante, os militantes do PSTU acabavam de chegar pela Avenida Julio Roca- quase esquina com a Avenida de Mayo.
Em minha penúltima viagem a Buenos Aires, não resisti a comprar um livro sobre a esquerda argentina. O autor tentava explicar um pouco as inúmeras sub-divisões.
Para começar, temos os grupos peronistas. Embora o peronismo não se reivindique como de ''esquerda''- há até muitos militantes assumidamente de ''direita''- o mais famoso grupo esquerdista de origem peronista foi os ''Montoneros''( década de 70). Decepcionados com o regime de seu líder Juán Domingo Perón- que voltou do exílio em 1973, sendo eleito Presidente do país mais uma vez- eles decidiram entrar em luta armada, o que precipitou o Golpe de Estado de 1976( contra Isabelita Perón).
O imaginário peronista continua a inspirar os inúmeros grupos que apoiam o atual Governo de Cristina Kirchner...
De outro lado, é preciso reconhecer que- embora não seja fácil, tal o peso do Peronismo naquele país- há inúmeras facções de clara inspiração ''anti-peronista''( marxista). O PCA( Partido Comunista Argentino)é a mais famosa delas.
Existem os grupos de inspiração maoísta também, até hoje.
E os partidos de esquerda tradicional, com representação no Parlamento: o Partido Socialista( segundo colocado na última eleição Presidencial)e o partido comandado pelo cineasta Piño Solanas( ''Frente Sur'', se não me engano...).
Os grupos que participavam deste ato de Primeiro de Maio em Buenos Aires tem outra origem: como se percebe nas fotos, vários reverenciam o líder russo León Trotsky. Por isto, são chamados de ''trotsquistas''.
O ''trotsquismo'' argentino nunca teve vida fácil, graças à força do Peronismo...
Mesmo ultra-minoritário, ele ainda comporta inúmeras sub-divisões...
Basicamente, existem duas grandes correntes. As ''morenistas''( inspiradas pelo falecido líder Nahuel Moreno, ex-dirigente do PST e do MAS), e o Partido Obrero( fundado em 1966 por Jorge Altamira).
O MAS foi o mais forte partido da esquerda argentina, nos anos 80. Chegou a eleger inclusive um Deputado Federal( Luís Zamora). Quando estava no ''auge'', implodiu misteriosamente- o que só demostra a capacidade ''autofágica'' destes grupos de esquerda...
Todos estes grupos que veremos a seguir, à exceção do Partido Obrero, tem origem no extinto MAS( Movimiento ao Socialismo).
Desde a extinção do MAS, a (ultra)esquerda argentina teve breves experiências de alianças eleitorais- algo extremamente difícil com tantas cabeças diferentes para unir...
O ato deste Primeiro de Maio foi conduzido pela chamada ''Frente de Izquierda''( a união de 3 dos principais partidos ''trotsquistas'').
Havia também a presença de grupos ''piqueteiros'', e de grupos que reivindicavam fazer parte da tal ''Frente de Izquierda''...
Uma coisa os unia: a ferrenha oposição ao Governo Cristina Kirchner. Motivo pelo qual eu não esperava ver muita gente na praça( salvo os adeptos destes grupos...).
Nos bastidores, lendo os jornais e panfletos de cada grupo, percebe-se uma certa hostilidade entre eles, cada um reivindicando-se como a ''linha certa revolucionária''...
Alcnol.
A Plaza de Mayo começa a ser ocupada...Mas é só o começo...mesmo...
Em uma hora destas, há que desdobra-se para tentar mostrar ''tudo''.
Este é o momento em que o grupo ''Izquierda Socialista'' entra na Plaza de Mayo, mas há um ''detalhe'': ao fundo vê-se uma faixa do ''Partido Obrero''...
Onde estavam os adeptos deste último?
A foto foi ampliada, propositalmente, para que vocês vejam melhor os bumbos nas mãos dos manifestantes...Algo tipicamente argentino...E como eles conseguem fazer barulho...
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